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Scot Consultoria

Adubação nitrogenada e potássica de pastagens: tudo o que você precisa saber


Quinta-feira, 13 de setembro de 2018 - 06h00

Foto: Scot Consultoria


“... O Encontro [de Adubação de Pastagens] da Scot Consultoria, realizado anualmente a partir de 2013, veio preencher uma enorme lacuna no conhecimento de manejo de fertilidade de solo da pastagem.” Essas foram as palavras do professor Adilson Aguiar, especialista em forragicultura, pastagens e nutrição de bovinos, sobre o evento que a Scot Consultoria realizará, em Ribeirão Preto, dias 2 e 3 de outubro.  


Adilson será um dos palestrantes e mostrará como estabelecer parâmetros de uso de Nitrogênio (N) e Potássio (K) em pastagens manejadas intensivamente. Para entender mais sobre a importância deste tema, convidamos o professor para uma entrevista, confira abaixo o bate papo e para se inscrever no evento clique aqui.


Scot Consultoria: Professor, o senhor participa do Encontro de Adubação de Pastagens desde sua primeira edição, em 2013. De lá pra cá, muita coisa mudou na pecuária. Cada vez mais, produzir mais, em menos área, torna-se obrigação para quem quer permanecer na atividade. Em sua opinião, qual a contribuição de um evento como esse para a pecuária brasileira?


Adilson Aguiar: É inestimável. Apesar do aumento da adoção das tecnologias de correção e adubação do solo da pastagem pelos pecuaristas brasileiros, até o primeiro Encontro de Adubação de Pastagens, promovido pela Scot, não havia, há muitos anos, eventos para discutir um tema tão importante para a pecuária nacional. O ultimo tinha sido em 2004, quando no 21º Simpósio sobre Manejo da Pastagem promovido pela ESALQ/FEALQ o tema central foi a adubação do solo da pastagem. O penúltimo evento tinha sido em 1986, promovido pela ANDA e realizado, também, em Piracicaba. Fora estes dois eventos, o tema só era abordado em palestra em eventos cujo assunto central era outro. Então, o Encontro da Scot Consultoria, realizado anualmente a partir de 2013, veio preencher uma enorme lacuna no conhecimento de manejo de fertilidade de solo da pastagem.


Scot Consultoria: Qual a região do Brasil que mais necessita de uma adubação nitrogenada em quantidades elevadas?


Adilson Aguiar: Eu diria que, em todas as regiões do Brasil, as adubações com N necessitam ser elevadas quando as metas de produtividade forem altas, mas, principalmente, nas classes de solos em que os teores de matéria orgânica são baixos (abaixo de 1,5% ou abaixo de 15 g/dm3), já que, 95% a 98% do N do solo estão contidos na matéria orgânica do solo.


Scot Consultoria: Quais as variedades de gramíneas comumente usadas no Brasil que mais exigem solos com boa fertilidade em Nitrogênio?


Adilson Aguiar: Praticamente todas as forrageiras cultivadas nas pastagens brasileiras, na atualidade, respondem de forma significativa às adubações com N. Entretanto, deve-se considerar que algumas forrageiras fixam N do ar atmosférico pela associação com microrganismos de vida livre, processo que contribui com 20 a 25% do total de N utilizado anualmente por gramíneas, tais como, as braquiárias brizantha cv Marandu, decumbens, humidicola e a tanner-grass; o capim-colonião e o gramão.


Scot Consultoria: Quais as contribuições da adubação nitrogenada para o aumento da taxa de lotação em pastagens?


Adilson Aguiar: Considerando uma resposta média entre 40 a 50kg de MS/kg de N, em pastagens não irrigadas e irrigadas, respectivamente; uma eficiência de colheita de forragem de 80% da forragem acumulada (é possível alcançar acima de 90%) e um consumo de 10kg de MS/UA/dia, as capacidades de suporte seriam estabelecidas em 3,2 e 4,0 UA/ha por kg de N aplicado/ha/dia, para pastagens não irrigadas e irrigadas, respectivamente.


Sendo assim, em uma região com um período chuvoso de 200 dias, com uma aplicação de 1kg de N/ha/dia; a dose total de N, no período, seria de 200kg/ha (dose esta parcelada em 4 a 5 aplicações de 40 a 50kg de N/ha/aplicação) quantidade esta que permitiria um aumento na produção de forragem para alimentar 3,2, UA/ha adicionais, além da capacidade de suporte alcançada sem a adubação com N, contando apenas aquele proveniente da atmosfera, das fases mineral e orgânica do solo, da decomposição de tecidos da planta forrageira e da excreta do animal. Com 400kg de N/ha aplicados no período chuvoso, a capacidade de suporte adicional seria de 6,4 UA/ha.


Outro parâmetro mais consistente que a simples conversão de N em forragem e em capacidade de suporte, é o que considera a resposta em produto animal.


Em média, para cada kg de MS ingerida pelo animal, a resposta em leite e em ganho de peso é, respectivamente, de 1,2 kg de MS/litro de leite e 14 kg de MS/kg de ganho em peso.


Por exemplo, em uma pastagem adubada com N, sem irrigação, com uma resposta de 40 kg de MS/kg de N, as respostas em produto animal seriam da ordem de 33,3 litros de leite/kg de N e 2,85 kg de ganho/kg de N, se outros fatores do sistema de produção estivessem ajustados (mérito genético dos animais, conforto térmico etc.). 


Scot Consultoria: Como deve ser feita a adubação potássica em pastagens?


Adilson Aguiar: Nas etapas de interpretação dos resultados de análise de solo e de recomendações de correção e adubação, o especialista em manejo de fertilidade de solo que trabalha no Brasil tem, basicamente, dois métodos ou critérios para interpretar o teor de potássio (K) no solo.


A maioria dos especialistas usa o parâmetro das classes de fertilidade, que classifica o teor do elemento no solo em Muito Baixo, Baixo, Médio, Alto (ou Bom) e Muito Alto (ou Muito Bom). Por este método, se o teor do elemento na análise de solo for classificado como Alto ou Muito Alto, não se recomenda a adubação com o elemento em questão.


Por outro lado, se o teor for classificado nas classes Muito Baixo, Baixo e Médio, recomenda-se a adubação em doses muito alta, alta e média, respectivamente, já que, se esperam respostas à adubação nestes níveis, ou seja, respostas muito alta, alta e média, respectivamente.


Alguns especialistas usam o parâmetro de elevação do teor de K para níveis entre 2 a 6% da capacidade de troca de cátions do solo (CTC). Este método é também conhecido por “critério da proporcionalidade”.


Eu já adotei estes dois métodos no passado, mas tem, pelo menos, duas décadas que interpreto análise de solo e recomendo as doses de fertilizantes baseado em modelo de balanço de massa.


Por meio deste, considera-se os compartimentos do sistema pastoril que contribui com entradas e saídas de nutrientes no solo, os quais são a atmosfera, o solo, a planta forrageira e o animal. Ainda se considera a “importação” de nutrientes de fora do sistema pastoril por meio de suplementos e fertilizantes. No caso especifico do K, os compartimentos de entrada e de saída de nutrientes nos sistemas são o solo, a planta forrageira e o animal.   


O modelo de balanço de massa calcula as quantidades dos nutrientes extraídas a partir de metas especificas, que podem ser dadas em produção de forragem (kg de matéria seca/ha/ano),  ou capacidade de suporte (UA/ha), ou produção animal (kg de peso corporal ou arrobas/ha ou kg ou litros de leite/ha) e o balanço com as quantidades disponíveis nos compartimentos do sistema pastoril.


O K tem suas particularidades, mas uma que se destaca em sistema pastoril é a grande proporção do K excretado pelo animal em relação ao ingerido, que chega a mais de 95%. Entretanto, em sistemas onde a planta é submetida a cortes, tais como campos de fenação ou de pré-secagem ou de silagem, os níveis de extração são muito altos e o K passa então a ser o nutriente mais crítico para a manutenção ou aumento da produção de forragem ao longo dos anos. Assim, é preciso o produtor ficar mais atento com os teores de K no solo e na análise de planta nestes sistemas.


Uma vez calculada a dose anual de K, para adubação, o técnico precisa definir quando e como será a aplicação da fonte deste nutriente. Mais de 95% das fontes de K, usada na agricultura e pecuária brasileira, são o cloreto de K, que contém 58 a 60% de K2O (óxido de potássio). Já o parcelamento da fonte de K dependerá da CTC do solo, a qual é determinada pelo teor e o tipo de argila, e pelo teor de matéria orgânica do solo. Quanto maior for a CTC do solo, maiores doses da fonte de K poderão ser aplicadas por parcela.


Entrevistado:

Adilson Aguiar, Zootecnista, professor na FAZU e Consultor associado da CONSUPEC.



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