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Scot Consultoria

Dr. Iveraldo Dutra


Terça-feira, 9 de agosto de 2011 - 16h29

Professor doutor do Departamento de Apoio, Produção e Saúde Animal da Faculdade de Medicina Veterinária de Araçatuba da Universidade Estadual Paulista - Unesp. Scot Consultoria: Quais são as clostridioses que mais danos econômicos causam à pecuária brasileira? Iveraldo Dutra: Duas clostridioses têm um impacto econômico potencial significativo para a pecuária brasileira: o botulismo e o carbúnculo sintomático. Elas causam mortalidade média de 13 a 15% em rebanhos não vacinados. Na grande maioria dos sistemas de produção elas representam as doenças infecciosas com maior risco de causar prejuízos econômicos significativos aos produtores. Além da impossibilidade de erradicação elas incidem em rebanhos de todas as regiões do país, com pequenas variações regionais. Uma situação comum é o fato de que ao enterrar cadáveres nas pastagens, ou mesmo deixá-los entrar em decomposição na superfície, aumenta significativamente a contaminação ambiental ao longo dos anos. Com isso, quanto mais velha é a atividade pecuária em uma região, maior é o risco da sua ocorrência. Vale ressaltar que outras clostridioses também ocorrem no país e em situações específicas. Neste contexto, o uso de vacinas polivalentes é uma opção com excelentes resultados na prevenção desse grupo de enfermidades. Scot Consultoria: Ouvimos falar que a recomendação de vacinação contida nas bulas não tem sido suficientes para prevenir uma boa proteção do rebanho. O senhor concorda com isso? Qual seria o procedimento cuja recomendação o senhor aconselharia? Iveraldo Dutra: A recomendação do fabricante deve ser sempre seguida. No entanto, em determinadas situações devemos entender que a evolução do conhecimento e da situação de risco dessas enfermidades, indicam que a melhor solução é otimizar os protocolos de vacinação. Duas situações ilustram bem esta questão: a idade mínima do bezerro para receber a primeira vacinação contra clostridioses e o intervalo entre a primeira vacinação do bezerro e o reforço vacinal. Para ilustrar melhor estas duas questões, cabe destacar que a principal preocupação na primeira idade dos bovinos é com o carbúnculo sintomático, e na medida em que a idade avança o botulismo vai assumindo um risco maior. Neste contexto, vacinar as vacas prenhes contra clostridioses (entenda-se aqui com o uso de vacina contra as clostridioses clássicas mais o botulismo) a partir do quinto mês de gestação traz um excelente benefício para as mães e para os bezerros. A imunidade colostral de bezerros, filhos de vacas vacinadas contra o carbúnculo sintomático e contra o botulismo, é excelente até os quatro meses de idade e nesta situação não se deve vacinar os bezerros antes dessa idade, sob o risco de se neutralizar a imunidade materna. De acordo com pesquisas recentes, vacinar bezerros a partir dos quatro meses de idade e dar o reforço vacinal após a desmana (7-8 meses de idade), confere uma resposta sorológica melhor que o esquema preconizado pelos fabricantes de produtos veterinários. Assim, associado ao fato de reduzir a mortalidade de bezerros e vacas, em propriedades com estação de monta este protocolo é uma excelente solução, que alia eficiência da vacinação com a racionalidade do manejo da fazenda, diminuindo operações com o gado. Scot Consultoria: Existem dados sobre a prevalência de clostridioses não neurotrópicas em animais criados em pasto? Iveraldo Dutra: A prevalência média do carbúnculo sintomático em rebanhos não vacinados é de 15%. Este coeficiente é válido para a faixa etária dos 6 aos 30 meses de idade, que é a idade de maior probabilidade de ocorrência desta clostridiose. Em bezerros com idade inferior a seis meses temos observado prevalência em torno de 8%, e em animais adultos chega a 4-5%. Em determinadas situações de alto risco as gangrenas gasosas, o edema maligno e a hepatite necrótica podem acometer até 8% dos animais, mas isso varia amplamente dependência de diversos fatores. Scot Consultoria: Existem trabalhos comparando a eficácia de vacinas refrigeradas ou não contra o C. chauvoei (manqueira)? Iveraldo Dutra: Não temos conhecimento de trabalhos desta natureza. No entanto, o emprego de vacinas polivalentes contra as clostridioses atende a uma racionalidade com justificativa técnica e de análise de risco. É importante destacar que nesta questão (manqueira) a inclusão de cepas regionais de clostridium chauvoei é um diferencial significativo na eficácia do produto. Existem diferenças antigênicas significativas entre as cepas desta bactéria e a inclusão de cepas regionais é um imperativo para uma boa vacina. O uso de vacinas não refrigeradas fica restrito a regiões sem infraestrutura e a aceitação de coeficientes de mortalidade elevados (acima de 3%). Neste caso os animais poderão estar vacinados apenas contra o carbúnculo sintomático, não tendo o benefício das tecnologias mais modernas que são as vacinas polivalentes contendo bacterinas e toxóides. Scot Consultoria: A imunização contra todas as espécies de clostridium é necessária em todos os sistemas de produção? Iveraldo Dutra: Para promover a saúde animal e o combate eficaz a esse grupo de enfermidades não é necessário vacinar contra todas as possíveis clostridioses. Não é o número de cepas que definem a qualidade de uma vacina ou a proteção ao rebanho, e sim a qualidade e a quantidade dos antígenos principais e como eles são apresentados ao animal. Os trabalhos científicos mais recentes evidenciam que existem diferenças significativas entre as vacinas com a mesma composição. Todas devem atender à exigência mínima do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para cada bacterina ou toxóide declarado na sua bula. Esta é a condição para irem ao mercado. No entanto, a diferença está na capacidade tecnológica e no investimento em pesquisa e desenvolvimento que a indústria faz e este é um diferencial importante. Conhecer a realidade regional, desenvolver produtos para o mercado brasileiro, ter uma equipe de assistência técnica e promover o bom uso dos produtos fazem a diferença. O melhor exemplo disso é a vacina conjugada (contra as clostridioses clássicas mais o botulismo), que é uma inovação tecnológica tecnologia brasileira com excelentes resultados no campo. Scot Consultoria: Qual o impacto, em termos econômicos, que essas doenças podem causar no rebanho? Iveraldo Dutra: Em rebanhos não vacinados contra as principais clostridioses (carbúnculo sintomático e botulismo), a mortalidade média pode atingir 15%. Com base no número de animais em uma propriedade é só calcular o prejuízo potencial. Embora a vacinação seja voluntária, todo produtor bem informado reconhece o valor da vacinação e trabalha preventivamente, com programa sanitário chancelado por profissionais médicos veterinários. Scot Consultoria: Seria possível demonstrar a relação entre o custo médio para a prevenção dessa doença e o prejuízo que ela poderia acarretar ao produtor? Iveraldo Dutra: O custo médio para a prevenção das clostridioses é de R$2,00 na recria (dose e reforço) e apenas R$1,00 por ano. Esta é a vacina de melhor relação custo/benefício. Vacas não vacinadas contra o botulismo têm 11,4 vezes mais chance de contraírem o botulismo que vacas vacinadas. Considerando o coeficiente médio de mortalidade das principais clostridioses, é assustador o prejuízo potencial (patrimonial) que podem causar. Scot Consultoria: A aplicação desse tipo de tecnologia sanitária no rebanho é crescente? O pecuarista atual está mais consciente da importância desse tipo de prevenção? Iveraldo Dutra: Na atualidade, é inconcebível perder animais por qualquer uma das principais clostridioses, principalmente quando existe tecnologia de excelente qualidade para o combate eficaz. Assim, a vacinação contra clostridioses é obrigatória quando se quer evitar este grupo de enfermidades que contemplam as principais causas de mortalidade de bovinos no país. O Professor Doutor Iveraldo Dutra será um dos palestrantes do I Workshop Vacinas e vacinações na bovinocultura. Para maiores informações acesse: http://www.scotconsultoria.com.br/agenda.asp?idAssunto=0&idEvento=421
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