Em outubro, a cotação do arábica subiu 4,7% em São Paulo, puxado pelo estoque certificado em Nova York perto do menor nível desde 1999.
Foto: Bela Magrela
Em 27/10, a saca de arábica em São Paulo esteve negociada em R$1.610,19, alta de 4,7% em 30 dias, e a de conilon no Espírito Santo, R$967,97, alta de 1,6%. Em 12 meses, porém, as quedas foram de 28,9% e 29,9%. O arábica caiu 36,4% entre o fim de 2025 e a mínima de 9/6, oscilou com Nova York e a colheita e voltou a subir em outubro (figura 1).
Figura 1.
Cotação da saca de café arábica em São Paulo-SP e de café conilon no Espírito Santo, em R$, de janeiro de 2025 a outubro de 2026.

*até 27/10
Fonte: Cepea / Elaborado por Scot Consultoria.
Os movimentos têm causas diferentes. No arábica, a alta de curto prazo vem de Nova York, onde o estoque certificado está perto do menor nível desde 1999 e limita o café disponível para entrega na bolsa. No conilon, a leve alta vem da safra brasileira menor.
Na comparação com 2025, a queda dos dois vem da oferta, onde a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra brasileira de 2026 em 67,6 milhões de sacas, recorde e 19,6% maior que a de 2025. O aumento está no arábica, com 48,2 milhões de sacas, alta de 34,8% na produção, puxado por Minas Gerais. O conilon recuou 6,6%, para 19,4 milhões, com perdas no Espírito Santo, mas o preço acompanhou a queda do robusta em Londres, pressionado pela oferta maior do Vietnã.
Em setembro, o Brasil exportou 3,9 milhões de sacas, 20,4% mais que há um ano, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No acumulado do ano, porém, o volume está 5,5% abaixo do de 2025, pelo primeiro semestre fraco (figura 2).
Figura 2.
Exportação brasileira de café, em milhões de sacas de 60 kg, de janeiro a setembro de 2024, 2025 e 2026.

Fonte: Secex / Elaborado por Scot Consultoria.
No mundo, a Organização Internacional do Café (OIC) estima excedente de 3,0 milhões de sacas em 2025/26, o primeiro após quatro anos de déficit. Para 2026/27, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta produção mundial recorde, de 189,7 milhões de sacas.
As bolsas também caíram. Em 12 meses até 26/10, o arábica perdeu 22,9% em Nova York, para 300,95 centavos de dólar por libra-peso, e o café robusta, 28,2% em Londres, para US$3.194 por tonelada, com a oferta maior do Vietnã (figura 3).
Figura 3.
Cotação do café arábica na bolsa de Nova York, em centavos de dólar por libra-peso, e do café robusta na bolsa de Londres, em US$ por tonelada, contratos com entrega mais próxima, de outubro de 2025 a outubro de 2026.

*até 27/10
Fonte: ICE Futures / Elaborado por Scot Consultoria.
Nos últimos 30 dias, os caminhos se separaram. O arábica subiu 8,0% em Nova York, enquanto o café robusta caiu 5,1% em Londres, com estoques maiores. No Brasil, a safra menor sustentou o conilon, com leve alta.
O estoque certificado é o café classificado e apto para entrega nos contratos, e o excedente mundial é pequeno demais para recompô-lo, pois equivale a menos de uma semana de consumo e repõe pouco dos 21,4 milhões de sacas de déficit acumulados desde 2021/22, segundo a OIC. Em 26/10, o estoque somava 225,6 mil sacas, metade de um ano antes. Em 15/9, chegou a 217,6 mil, o menor desde 1999.
O café brasileiro certificado quase triplicou em 12 meses, para 76,6 mil sacas, e já é a maior origem, com 34,0% do total, mas não compensou a saída de México, Nicarágua e Tanzânia. Depois de se recompor em setembro, o estoque voltou a cair 13,4% em outubro, sustentando a alta (figura 4).
Figura 4.
Estoque certificado de café arábica na ICE Futures US, por origem, em mil sacas de 60 kg, em 27/10/2025, 25/9/2026 e 26/10/2026 (total entre parênteses).

Fonte: ICE Futures US / Elaborado por Scot Consultoria.
Há 31,1 mil sacas brasileiras à espera de classificação, e a qualidade limita o ritmo: 37,3% das avaliadas em 26/10 foram reprovadas, em parte pelas chuvas na colheita.
A agência climática dos Estados Unidos (NOAA) aponta mais de 90% de chance de um El Niño muito forte, Honduras e Nicarágua estão sob alerta de seca e a florada da safra brasileira de 2027 está em andamento.
No curto prazo, o estoque baixo deve manter o café arábica firme em Nova York e em São Paulo, e o fim da colheita brasileira pode reforçar esse movimento. O conilon tende ao equilíbrio: a safra menor sustenta a saca, enquanto a queda do robusta em Londres pressiona a cotação.
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