• Quarta-feira, 9 de setembro de 2026
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Carta Insumos - Cuidado com o olho gordo

Apesar de tratável, a doença pode gerar prejuízos econômicos enquanto não for controlada.


Foto: Shutterstock

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A ceratoconjuntivite infecciosa bovina (CIB), conhecida popularmente como “doença do olho gordo”, “mal do olho” ou “pinkeye”, é uma doença ocular infecciosa que acomete bovinos de leite e de corte – segundo dados do Confina Brasil 2025, a doença está entre as dez mais relatadas nos confinamentos visitados.

A CIB é causada por bactérias do gênero Moraxella, sendo a Moraxella bovis o agente etiológico mais comum. Também estão associadas à doença as espécies M. bovoculli e M. oculi. Em agosto de 2026, estudo realizado pela Embrapa em parceria com outras instituições identificou uma espécie inédita capaz de causar a doença, a Moraxella tarda.

A transmissão pode ocorrer durante o manejo, principalmente quando o tratador entra em contato com animais doentes e sadios sem a devida higienização. A doença também é favorecida por condições que irritam ou ressecam os olhos, como seca, ventos e poeira; presença de moscas na propriedade, entre outros fatores.

Os primeiros sinais podem aparecer em até 72 horas após a exposição à bactéria. Os sinais clínicos são lacrimejamento, olhos fechados diante da luz (fotofobia), conjuntivite, corrimento nasal e presença de moscas no local afetado, podendo evoluir para úlceras na córnea e comprometer permanentemente a visão. Os bezerros são os mais suscetíveis, devido à menor imunidade.

Apesar de ser tratável e raramente causar a morte do animal, ela gera prejuízos econômicos. Além dos custos com tratamento, é comum ocorrer redução do ganho de peso e queda na produção de leite.

O tratamento pode ser feito com antibióticos tópicos ou sistêmicos, a depender da preferência com base no manejo.

Para o tratamento tópico, pode-se utilizar spray à base de cloridrato de oxitetraciclina associado à hidrocortisona. O frasco de 125 ml custa, em média, R$45,54. A aplicação é simples e não há período de carência.

A oxitetraciclina também pode ser utilizada como tratamento sistêmico. Considerando a embalagem de 50ml, cotada em R$23,52, e a posologia de 1ml/10kg, um bezerro de 195kg (6,5@) deve receber 19,5ml, o que corresponde a um custo de R$9,17 por bovino, em dose única. O medicamento pode ser aplicado por via intramuscular, na coxa, ou subcutânea, no pescoço, à frente ou atrás da paleta, sem ultrapassar o limite de 10ml por local de aplicação. Nesse caso, o período de carência é de 28 dias para o abate e de 120 dias para o consumo do leite.

O controle de moscas, a higiene das instalações, a remoção adequada de carcaças, o manejo correto e o acompanhamento regular dos animais devem fazer parte da rotina da propriedade. A vacinação também contribui para a prevenção e pode ser realizada a partir dos quatro meses de idade. A vacina, cotada em R$158,40 o frasco de 90ml, é administrada na dose de 3ml por via subcutânea, com duas doses iniciais, com intervalo de 21 dias, e reforços a cada seis meses.

Dessa forma, embora a doença possa ser tratada, a adoção de medidas preventivas é fundamental para reduzir sua ocorrência e os prejuízos no rebanho.

Referências

EMBRAPA. Estudo revela nova espécie de bactéria associada ao mal do olho em bovinos. [S. l.], 2026. Disponível em: https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/146587951/estudo-revela-nova-especie-de-bacteria….

FUNDAÇÃO ROGE. Ceratoconjuntivite bovina: como diagnosticar e tratar. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www.fundacaoroge.org.br/blog/ceratoconjuntivite-bovina-como-diagnosticar-e-tratar.

JA SAÚDE ANIMAL. Ceratoconjuntivite infecciosa bovina. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www.jasaudeanimal.com.br/blog/ceratoconjuntivite-infecciosa-bovina.

ZOETIS. Terramicina LA. [S. l.], [s. d.]. Disponível em: https://www2.zoetis.com.br/produtos/terramicina-la.

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