Estoques de passagem confortáveis põem limite às altas, enquanto o consumo aquecido sustenta os preços acima do patamar de 2025.
Foto: Magnific
Segundo levantamento da Scot Consultoria, em Campinas, a saca de milho, em 28/8, estava cotada em R$68,61. Esse preço representa uma alta de 5,7% em relação a 30 dias, quando a cotação era de R$64,90.
Em comparação ao mesmo período do ano passado, quando a saca estava cotada em R$64,29, o preço atual está 6,7% maior (figura 1).
Figura 1.
Cotação da saca de milho em Campinas-SP.
*5A = 5 anos
**até 28/8
Fonte: Scot Consultoria
O movimento acompanha o padrão sazonal do período, historicamente de alta (figura 2). Nesses meses, quem vende (produtores e demais agentes) negocia em posição mais confortável: com o grão armazenado, consegue retê-lo à espera de preços melhores, o que reduz a oferta disponível e leva o comprador a aceitar condições menos favoráveis.
Figura 2.
Sazonalidade de preço do milho em Campinas-SP, desde 2002.
Fonte: Scot Consultoria
Com a colheita brasileira em fase final (90,4% da área já colhida até 21/8), a tendência é que esse comportamento se intensifique.
A Conab elevou novamente a projeção da produção nacional: 143,0 milhões de toneladas, 1,2 milhão a mais que no relatório anterior e 1,8 milhão acima do ciclo passado. O ganho veio da primeira safra, recorde, que anulou as perdas da segunda, que, ainda assim, foi a segunda maior já registrada.
Na outra ponta, a Conab trabalha com um uso interno 4,4 milhões de toneladas maior do que o ano passado, totalizando 95,0 milhões de toneladas e exportação de 46,5 milhões de toneladas, volume que consideramos coerente.
Para o mercado doméstico, porém, enxergamos espaço para números mais robustos. Contribuem as usinas de etanol de milho que iniciaram ou estão prestes a iniciar as moagens e as relações de troca favoráveis com o setor de proteína animal. Na bovinocultura de corte, a relação de troca está entre as melhores já observadas (figura 3), o que estimula o consumo do cereal.
Figura 3.
Sacas de milho compradas com a venda de uma arroba de boi gordo, no estado de São Paulo.
Fonte: Scot Consultoria
Nessa conta, o estoque de passagem de 15,6 milhões de toneladas (Conab), seria o mais alto dos últimos cinco anos.
Nossa estimativa é mais enxuta: menor que a do ano passado, por conta do consumo aquecido, porém maior que a dos demais anos recentes. É justamente esse equilíbrio que deve ditar o comportamento dos preços, o estreitamento frente a 2025 sustenta as cotações em nível mais alto que o do ano passado, ao passo que um volume ainda confortável impede valorizações expressivas. Para os próximos meses, a sazonalidade aponta para cima.
A principal ameaça a essa leitura é o El Niño, já estabelecido no Pacífico e com expectativa de ganhar intensidade até o começo de 2027. O fenômeno pode retardar a soja no Centro-Oeste e estreitar a janela de semeadura da safrinha 2026/27, situação que reforçaria o viés altista.
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