• Quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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Carta Insumos - Uma leitura do III Fórum de Bioinsumos

O Fórum reuniu especialistas para discutir o avanço dos bioinsumos, os desafios da adoção e o potencial estratégico do Brasil no setor.


Foto: Eglea de Britto

Foto: Eglea de Britto

Bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem biológica utilizados na produção agropecuária, com capacidade de contribuir para o desenvolvimento e a proteção das plantas, a nutrição e a saúde do solo, o controle de pragas e doenças e a melhoria da eficiência dos sistemas produtivos (MAPA).

Em um cenário de aumento dos custos de produção, tensão geopolítica, e busca por eficiência e sustentabilidade, as soluções biológicas ganham espaço na integração com insumos químicos e minerais.

Esses foram os temas centrais do III Fórum de Bioinsumos no Agro, realizado em São Paulo (SP).

O encontro reuniu produtores, pesquisadores, representantes da indústria e entidades do setor para discutir mercado, tecnologia, formação profissional e regulamentação.

Mercado em crescimento

O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou cerca de R$6,2 bilhões em 2025 (CropLife Brasil), reforçando a importância do setor para a agricultura nacional.

Os produtos de base biológica representam cerca de 6,0% do mercado brasileiro de defensivos e inoculantes. Enquanto a área agrícola cresceu, em média, 3,0% a 4,0% ao ano nas últimas cinco safras, a área tratada com produtos biológicos avançou mais de 30,0%.

Os biodefensivos movimentaram mais de R$5,3 bilhões e alcançaram mais de 107,0 milhões de hectares tratados no último ciclo analisado. Na soja, mais da metade da área já utiliza algum tipo de manejo biológico, com destaque para os bionematicidas. No milho safrinha, o avanço da cigarrinha-do-milho, vetor dos enfezamentos, também contribuiu para acelerar a adoção.

Apesar do crescimento, há espaço para expansão em culturas e problemas nos quais os produtos químicos ainda predominam. A perspectiva discutida no evento é de integração entre soluções biológicas e químicas, dentro de programas de manejo que priorizem eficácia e retorno econômico.

Cenário global e adoção no campo

O primeiro painel, “O cenário global dos bioinsumos: mercado, tendências e geopolítica”, discutiu o crescimento do setor e os efeitos do cenário internacional sobre o mercado brasileiro.

O segundo painel, “Quem decide é o campo: a realidade da adoção dos bioinsumos”, trouxe a perspectiva dos produtores e os fatores que limitam a adoção em larga escala.

Entre os principais desafios apontados está a formação profissional. A expansão do mercado aumenta a demanda por profissionais capacitados para produção on-farm (dentro da própria fazenda), gestão de biofábricas, controle de processos, tecnologia de aplicação e interpretação dos processos microbiológicos. Segundo os especialistas, a formação profissional não acompanha a velocidade de expansão da cadeia.

A discussão reforçou ainda que o bioinsumo não deve ser tratado como uma solução isolada, mas como parte de um sistema de manejo. A adoção pelo produtor dependerá da comprovação de benefícios como redução de custos, aumento ou manutenção da produtividade e maior estabilidade do sistema produtivo.

Indústria e potencial estratégico

O terceiro painel, “Muito além do produto: como a indústria está moldando o futuro dos bioinsumos”, discutiu o papel da indústria no desenvolvimento de soluções biológicas, os obstáculos à inovação e a necessidade de segurança jurídica.

Além dos aspectos agronômicos e econômicos, o Fórum destacou o potencial estratégico do Brasil. A combinação entre biodiversidade, conhecimento científico, agricultura tropical e escala produtiva coloca o país em uma posição diferenciada para desenvolver tecnologias e ampliar sua participação no mercado global de bioinsumos.

O desafio é transformar esse patrimônio biológico e científico em produtos, tecnologias e renda, aproximando pesquisa, indústria e setor produtivo. A discussão também ressaltou a importância de estruturar uma estratégia nacional para que o conhecimento desenvolvido no Brasil seja aproveitado tanto internamente quanto em outros mercados.

Ciência, formação e regulamentação

O quarto painel, “Da ciência ao campo: inovação, educação, extensão rural e o futuro dos bioinsumos”, discutiu a conexão entre pesquisa e adoção no campo.

A regulamentação foi o tema do quinto e último painel, “Será que o Brasil possui hoje um ambiente regulatório capaz de sustentar o crescimento desse setor?”.

A definição de regras claras foi apontada como fundamental para a consolidação do setor, especialmente em questões relacionadas à produção on-farm, fiscalização, controle de qualidade e tributação. O objetivo é oferecer segurança jurídica e estimular a inovação sem abrir mão da qualidade, da eficiência agronômica e da segurança dos produtos.

Final

O III Fórum de Bioinsumos no Agro mostrou que o setor ocupa espaço relevante na agricultura brasileira e possui potencial de crescimento. Para avançar, porém, será preciso transformar inovação em resultado no campo, com eficiência agronômica, viabilidade econômica e segurança.

No fim, o bioinsumo precisa entregar resultado. É isso que determinará seu espaço no sistema produtivo.

Clique aqui para assistir à gravação completa do III Fórum de Bioinsumos no Agro.

Referências:

III Fórum Bioinsumos no Agro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ajMbrkA9pCk&feature=youtu.be

MAPA. Conceitos. Conheça a base conceitual do Programa Nacional de Bioinsumos. Disponível em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/inovacao/bioinsumos/o-programa/conceitos

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