Brasil pode produzir 186,0 milhões de toneladas de soja em 2026/27.
Foto: Magnific
Com produção estimada em 180,5 milhões de toneladas (Conab), a safra brasileira de soja 2025/26 consolidou o Brasil como maior produtor mundial da oleaginosa.
A produção recorde é 5,2% maior que a do ciclo anterior, reflexo da expansão de 2,7% da área cultivada e do aumento de 2,5% da produtividade média (tabela 1).
Tabela 1.
Produção, área e produtividade da soja nas safras 2024/2025 e 2025/2026.
| Indicador | 2024/2025 | 2025/2026* | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Produção (mil t) | 171.480,5 | 180.463,5 | 5,2 |
| Área (mil ha) | 47.346,1 | 48.610,3 | 2,7 |
| Produtividade (kg/ha) | 3.621,8 | 3.712,5 | 2,5 |
*estimativa de agosto/2026.
Fonte: Conab. Elaboração Scot Consultoria.
As expectativas para 2026/27 reforçam a concorrência com os Estados Unidos e ampliam a atenção sobre preços, câmbio, prêmios de exportação e custos logísticos.
O Centro-Oeste e o Sul concentram 70,8% da produção nacional. Mato Grosso representa 28,6% do total. A região Sul registra recuperação da produção, impulsionada pelo aumento da produtividade em relação ao ciclo anterior, especialmente no Paraná e no Rio Grande do Sul (figura 1).
Figura 1.
Maiores estados produtores de soja na safra 2025/2026.
Fonte: Conab. Elaboração Scot Consultoria.
No Norte e no Nordeste, o avanço da soja continua sendo sustentado pela expansão da área cultivada e pelo aumento da capacidade produtiva, especialmente no Tocantins, no Maranhão e na Bahia (MATOPIBA).
O crescimento nessas regiões reforça a desconcentração gradual da produção brasileira. Entretanto, o avanço para novas áreas também amplia a importância da infraestrutura de armazenagem, das condições das rodovias e da capacidade de pelos portos do Arco Norte, localizados, entre outros estados, no Amazonas, Pará, Maranhão, em Rondônia (via Rio Madeira) e no Amapá.
Além do recorde produtivo, a disponibilidade interna de soja deverá aumentar. A Conab estima exportações de 116,2 milhões de toneladas em 2025/26, crescimento de 7,4% em relação aos 108,2 milhões de toneladas estimados para 2024/2025.
O consumo doméstico está projetado em 65,9 milhões de toneladas, avanço de 7,1%. Esse aumento está relacionado principalmente ao esmagamento para produção de farelo e óleo de soja, embora o adiamento da elevação da mistura obrigatória de biodiesel de B15 (15% de biodiesel) para B16 (16% de biodiesel) tenha reduzido parte da demanda inicialmente esperada pelo óleo.
Apesar do aumento da produção, os estoques finais estão estimados em 9,2 milhões de toneladas, abaixo dos 10,0 milhões de toneladas registrados em 2024/25 (tabela 2).
Tabela 2.
Consumo doméstico, exportações e estoque final de soja nas safras 2024/2025 e 2025/2026.
| Indicador (mil t) | 2024/2025 | 2025/2026* | Variação (%) |
|---|---|---|---|
| Consumo doméstico | 61.525,0 | 65.904,4 | 7,1 |
| Exportações | 108.181,1 | 116.240,4 | 7,4 |
| Estoque final | 9.974,8 | 9.193,5 | 7,8 |
*estimativa de agosto/2026.
Fonte: Conab. Elaboração Scot Consultoria.
As projeções para 2026/27 reforçam a disputa entre os dois maiores produtores mundiais de soja. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estima uma produção de 186,0 milhões de toneladas para o Brasil e de aproximadamente 122,4 milhões de toneladas para os Estados Unidos (figura 2).
Figura 2.
Produção de soja estimada para o Brasil e os Estados Unidos, em milhões de toneladas, na safra 2026/2027.
Fonte: USDA. Elaboração Scot Consultoria.
O Brasil mantém vantagem em volume e disponibilidade exportável, enquanto os Estados Unidos apresentam menor distância entre as regiões produtoras, os centros de processamento e os terminais de exportação, reduzindo os custos de transporte e fortalecendo a competitividade norte-americana, especialmente durante a colheita, concentrada no segundo semestre.
A China continuará no centro dessa disputa. O USDA estima importações chinesas de 115 milhões de toneladas em 2026/27. Apesar da retomada das compras de soja norte-americana e dos compromissos comerciais firmados entre China e Estados Unidos, o Brasil deverá permanecer como o principal fornecedor do mercado chinês.
De setembro a janeiro, a competição aumenta, pois a colheita americana invade o mercado. O Brasil tem sua chance quando começa a colher, principalmente no primeiro semestre. Mas ter produção em massa não difere no mercado. O que realmente importa é gastar menos, produzir mais e saber vender. Câmbio, demanda e juros decidem os preços.
Referências
COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). Acompanhamento da safra brasileira de grãos: safra 2025/26, n. 11 – décimo primeiro levantamento. Brasília: CONAB, ago. 2026.
COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO (CONAB). Previsão de safra por produto – agosto 2026. Brasília: CONAB, 2026. Disponível em: http://www.conab.gov.br. Acesso em: 23 ago. 2026.
UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE (USDA). World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE). Washington: USDA, ago. 2026. Disponível em: https://www.usda.gov/about-usda/general-information/staff-offices/office-chief-economist/commodity-…. Acesso em: 23 ago. 2026.
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