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Carta Insumos - Plano Safra 2026/27 - quando o insumo é dinheiro

Para o ano-safra 2026/27, investimentos ganham espaço e os juros recuam em parte das linhas de crédito. Em contrapartida, a fatia do crédito ao custeio fica menor, o que preocupa o produtor.


Foto por: Magnific

Foto por: Magnific

O Plano Safra é o principal programa de crédito rural do governo federal, lançado anualmente para financiar a produção agropecuária brasileira.

Por meio dele, são liberados recursos para custeio da safra, investimentos, comercialização e industrialização, com condições de financiamento que variam conforme o perfil do produtor, a finalidade e a linha de financiamento. 

Para o ano-safra 2026/27, foram programados R$525,1 bilhões em crédito para a agricultura empresarial, alta de 1,7%, ou R$8,9 bilhões, em relação aos R$516,2 bilhões anunciados em 2025/26.

Esse total refere-se à agricultura empresarial. Somado aos R$85,2 bilhões destinados à agricultura familiar, o Plano Safra 2026/27 totaliza R$610,3 bilhões, ante R$594,4 bilhões no ciclo anterior.

Figura 1.
Recursos programados para o Plano Safra, por ano-safra, de 2020/21 a 2026/27, separados por categorias, em bilhões de reais.

Fonte: Mapa e MDA | Elaboração: Scot Consultoria

Apesar do crescimento, houve mudança na composição dos recursos.

Os valores programados para custeio e comercialização somam R$384,9 bilhões, queda de 7,2% frente aos R$414,7 bilhões da safra anterior. Os recursos destinados aos investimentos alcançaram R$140,2 bilhões, aumento de 38,1% em relação aos R$101,5 bilhões programados em 2025/26.

Com essa mudança, a participação dos investimentos passou de 19,7% para 26,7%. A parcela destinada ao custeio e à comercialização, por sua vez, diminuiu de 80,3% para 73,3% (MAPA).

A redução dos recursos de custeio preocupa, já que essa modalidade financia a compra de sementes, fertilizantes e defensivos, ou seja, os insumos essenciais ao ciclo produtivo, que estão pressionados por custos mais altos.

Com base nas Planilhas de Custo de Produção da Conab, foram analisadas as médias de custos em 13 municípios produtores de soja em 2026. Nesses municípios, o custo médio com sementes foi de R$670,86 por hectare, enquanto os gastos com fertilizantes e defensivos somaram, em média, R$1.331,06/ha e R$943,49/ha, respectivamente. Considerando apenas esses três grupos de insumos, o custo médio alcançou R$2.945,40 por hectare.

Ainda segundo a Conab, a área semeada com soja na safra 2025/26 foi estimada em 48,6 milhões de hectares. Assim, estima-se que o investimento em sementes, fertilizantes e defensivos seja de R$143,1 bilhões na safra, evidenciando a elevada participação dos insumos no custo de produção da cultura.

Desta forma, o Plano Safra 2026/27 mantém a expansão nominal do crédito rural, mas altera sua composição. Enquanto os recursos para custeio e comercialização diminuíram, as linhas de investimento ganharam participação, priorizando o espaço para a modernização das fazendas e da infraestrutura produtiva.

Para saber todas as linhas de crédito do Pronaf, confira aqui o Resumo das Linhas de Crédito Rural do Pronaf para a safra 2026/27.

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