Com o Brasil pressionado a reduzir o uso de antimicrobianos frente aos que já foram proibidos devido as exigências da União Europeia, os óleos essenciais ganham espaço nos confinamentos como substitutos.
Foto por: Bela Magrela
A pecuária brasileira vive um momento de mudança na forma de alimentar o gado confinado. Por décadas, a monensina e outros aditivos foram utilizados nas rações para ajudar os bovinos a aproveitar melhor o alimento e ganhar peso com eficiência.
Entretanto, o cenário regulatório e sanitário mudou. Em julho, o Ministério da Agricultura anunciou medidas proibindo o uso de diversos antimicrobianos melhoradores de desempenho na produção animal, como a avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco, bacitracina metileno disalicilato e virginiamicina, segundo a portaria SDA/MAPA no. 1.617.
A monensina sódica permanece liberada e não foi proibida pelo MAPA, porém a restrição de outras classes de antimicrobianos e o risco real do Brasil perder acesso ao mercado da União Europeia a partir de setembro, ligaram o alerta na pecuária.
Em meio a esse aperto regulatório e ao crescimento do mercado global de aditivos fitogênicos, como os extratos vegetais [óleos essenciais (OE) e ou óleos funcionais (OF))], e com o avanço de USD 624,56 milhões (2025) para USD 943,46 milhões (2030), estima-se uma expansão anual contínua acima de 7,0%. Nesse cenário, os óleos essenciais podem ser uma solução funcional, natural e livre das barreiras e restrições comerciais impostas aos aditivos sintéticos e antibióticos nos mercados internacionais (figura 1).
Figura 1.
Projeção do mercado global de óleos essenciais em nutrição animal, em US$ milhões.
Fonte: Elaborado pelo autor com base nos dados de 2024, 2025 e 2030 e na taxa de crescimento anual (CAGR) de 8,60% divulgados por Mordor Intelligence. Elaboração Scot Consultoria.
Extraídos de plantas como orégano, tomilho, alho, canela e menta, os óleos essenciais atuam no rúmen do boi de forma parecida com a dos ionóforos, ajudando a controlar bactérias indesejáveis, favorecem a fermentação e reduzem a produção de gases que representam perda de energia para o animal.
A vantagem é que não são antibióticos, o que os livra das restrições sanitárias e assegura conformidade com exigências de mercados exigentes.
Os óleos funcionais aumentaram de forma estatisticamente confirmada o peso corporal final (+3,7%) e o peso de carcaça (+3,8%), além de reduzirem a concentração de amônia ruminal (-4,4%), sugerindo um melhor aproveitamento da proteína da dieta.
A avaliação econômica entre as alternativas passa pela cotação do produto e pela dinâmica de oferta global.
O preço médio da monensina comercial (em torno de R$75,81 por kg), com uma dose de 0,5 kg do produto, se trata de um insumo popularizado, com preço maduro, porém vulnerável a sanções regulatórias e à rejeição de consumidores internacionais.
Os óleos essenciais, em específico o de laranja (OEL) com valor médio em torno de R$50,80 por kg, com dose média de 1,4mg/kg/matéria seca (MS) a depender da concentração do blend, permite atração de investimentos industriais e expansão global contínua, o que tende a otimizar a escala de produção e democratizar os custos.
Contudo, é preciso que o pecuarista compreenda as dificuldades na utilização dos óleos essenciais para que a substituição seja bem-sucedida, levando em consideração a alta volatilidade e sensibilidade térmica de certos compostos que exigem tecnologias de microencapsulamento de qualidade para garantir que os princípios ativos cheguem intactos ao rúmen, ademais, a menor padronização e variabilidade na composição dos extratos vegetais exigem fornecedores aptos com garantia de dosagem e homogeneidade no misturador de ração. Por fim, o custo de aquisição pode ser percebido como maior se o produtor observar apenas o preço da saca e não calcular a dose por cabeça (gramas/animal/dia) somada ao ganho extra em quilos de carcaça.
Superados esses desafios operacionais com orientação técnica profissional, os óleos essenciais podem ser uma solução para substituir aditivos sob pressão e blindar o confinamento contra futuras barreiras sanitárias.
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