O fim da colheita, a oferta externa mais curta e a demanda firme sustentam a alta das cotações no mercado interno e na exportação.
Foto por: Magnific
Em julho, o amendoim em casca foi negociado em São Paulo, em média, a R$74,37 por saca de 25 quilos, alta de 0,6% em relação à cotação média de junho e de 0,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado (figura 1). A cotação média mensal esteve abaixo da observada em 2025 na maior parte dos meses de 2026, e o registro de julho representa a primeira alta na comparação feita ano a ano.
Figura 1.
Cotação média mensal do amendoim em casca em São Paulo*, em R$ por saca de 25 quilos.
* Considera a média das cotações de Tupã, Marília, Jaboticabal, Presidente Prudente e Ribeirão preto.
**até 17/7.
Fonte: IAE. Elaborado por Scot Consultoria.
É importante notar que agentes de mercado já reportam negócios realizados a preços acima da referência vigente.
A recuperação não se limitou ao mercado interno. Nos preços do amendoim em casca e descascado exportado observou-se movimento semelhante, com alta em junho de 2026 na comparação feita mês a mês. O preço médio do amendoim exportado no fechamento de junho foi de US$1.170,79 por tonelada, alta de 1,1% ante maio, o maior preço médio desde junho de 2025
Em volume, o embarque de junho somou 39,7 mil toneladas, alta de 29,0% sobre maio. Na comparação com junho do ano anterior, o volume foi 97,4% maior, enquanto o preço ficou 4,1% menor (figura 2).
Figura 2.
Volume, em mil toneladas (esquerda), e preço do amendoim exportado pelo Brasil, em dólares por tonelada (direita).
Fonte: Secex. Elaborado por Scot Consultoria.
No acumulado dos seis primeiros meses de 2026, o volume exportado alcançou 155,3 mil toneladas, alta de 32,9% frente ao primeiro semestre de 2025. O movimento foi impulsionado pelo aumento das compras de Rússia, Argélia e África do Sul, principais destinos do amendoim brasileiro no período (figura 3).
Figura 3.
Principais destinos do amendoim brasileiro embarcado em 2026, considerando os seis primeiros meses, em mil toneladas.
* Outros se refere aos demais 63 países destinos do amendoim brasileiro embarcado.
Fonte: Secex. Elaborado por Scot Consultoria.
O preço do amendoim exportado vem crescendo junto com o volume para exportação, mesmo que em ritmo mais lento.
No mercado interno, pesam o fim da colheita, que reduz a oferta disponível, e a retenção dos produtores, que seguraram as vendas à espera de preços melhores no início do plantio, entre setembro e outubro. Soma-se a sazonalidade de maio a julho, quando a demanda mais forte aquece o mercado e eleva os preços dos estoques em poder do produtor.
No mercado externo, o fator de sustentação é a oferta mais curta na origem concorrente. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Sigla em inglês, USDA), a Argentina, que derrubou os preços em 2025 com a safra recorde de 1,81 milhão de toneladas, teve redução da área cultivada a área em 24,8% e a produção em 28,2% em 2025/26, para 1,30 milhão de toneladas.
Mesmo assim, manteve os embarques em 1,15 milhão de toneladas, alta de 6,1%, à custa dos estoques, que caíram 34,3%, de 656,00 mil para 431,00 mil toneladas. Para 2026/27, somam-se a queda projetada de 23,0% na produção dos Estados Unidos, de 3,26 milhões para 2,51 milhões de toneladas, e a expectativa de menor área em países produtores, inclusive o Brasil.
A produção mundial, porém, segue estável, em 51,20 milhões de toneladas, queda de 1,2%: o aperto se concentra na oferta disponível para exportação.
A importância desse movimento vai além do preço. Como o Brasil exporta cerca de 70,0% da safra, segundo a Associação dos Produtores, Beneficiadores, Exportadores e Industrializadores de Amendoim do Brasil (ABEX-BR), a cotação internacional é o principal determinante da receita do setor.
Para o segundo semestre, a expectativa é de continuidade da alta. A oferta exportável mais enxuta, puxada pela quebra argentina, e a retomada das compras externas tendem a manter as cotações firmes, tanto no mercado interno quanto na exportação. Se a menor área semeada se confirmar na próxima safra, o cenário de preços em recuperação deve se estender a 2026/27.
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