Na comparação feita mês a mês, até 5 de junho, a cotação do trigo subiu no Paraná e no Rio Grande do Sul. O movimento dá sequência à alta observada em maio, quando os preços também avançaram em relação a abril.
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Em junho, o trigo no Paraná foi negociado, em média, por R$1.366,60 por tonelada, alta de 1,0% em relação à cotação média de maio. Em maio, por sua vez, a cotação já havia subido 2,6% frente a abril. No Rio Grande do Sul, a cotação média em junho foi de R$1.324,13 por tonelada, alta de 1,8% na comparação feita mês a mês. Em maio, o a cotação subiu 7,6% em relação a abril.
A cotação vem se recuperando ao longo de 2026 e, em junho, atingiu o maior patamar do ano nos dois estados. Na comparação de junho com janeiro, as altas foram de 15,9% no Paraná e de 25,9% no Rio Grande do Sul.
Apesar da alta, a cotação está abaixo do mesmo período em 2025. Em junho, a cotação está 9,6% menor no Paraná e 2,1% menor no Rio Grande do Sul, em relação a junho de 2025.
Figura 1.
Cotação média mensal do trigo no Paraná, em R$ por tonelada.
*até 5/6.
Fonte: Cepea. Elaborado por Scot Consultoria
Figura 2.
Cotação média mensal do trigo no Rio Grande do Sul, em R$ por tonelada.
*até 5/6.
Fonte: Cepea. Elaborado por Scot Consultoria.
A maior oferta no início do ano, redução gradual da disponibilidade interna e expectativa de menor produção, explicam o comportamento do mercado.
No começo de 2026, o mercado entrou relativamente abastecido. Parte da pressão sobre as cotações no início do ano se explica pelo estoque inicial, estimado em 1,6 milhão de toneladas, o maior volume desde 2021. Esse estoque reduziu a compra dos moinhos e permitiu que começassem o ano abastecidos. Além disso, o mercado iniciou 2026 com baixa liquidez, demanda limitada e compradores cautelosos.
Ao longo dos meses, porém, o quadro mudou. A disponibilidade imediata diminuiu, parte dos produtores reduziu o ritmo de venda à espera de preços melhores e os negócios ficaram pontuais. Esse movimento ajudou a dar sustentação às cotações ao longo do ano. As altas observadas na cotação em maio e junho foram sustentadas pela menor oferta e pela menor disposição dos vendedores em vender.
A expectativa de menor produção também contribuiu para a recuperação dos preços. A safra deve ficar em torno de 6,4 milhões de toneladas, volume 18,9% menor que o produzido no ciclo anterior e abaixo da demanda nacional, estimada em 13,305 milhões de toneladas. Com isso, o Brasil precisará importar.
Figura 3.
Produção de trigo, em milhões de toneladas.
*estimativa até maio.
Fonte: Conab. Elaborado por Scot Consultoria.
A importação até maio foi menor em relação a 2025. Nos cinco primeiros meses do ano, o Brasil importou 2,3 milhões de toneladas, queda de 25,4% frente ao mesmo período do ano passado. Apesar dessa retração, as projeções do mercado indicam importação entre 6,7 milhões e 8,2 milhões de toneladas, com possibilidade de recorde caso se confirme a queda da produção brasileira.
Outro ponto é a queda da qualidade do trigo disponível no mercado externo. A Argentina como é a principal fornecedora do Brasil, e parte do trigo colhido tem apresentado limitações para panificação. Com isso, os moinhos brasileiros podem buscar trigo em outras origens, como Estados Unidos e Rússia, geralmente com custo maior e menor disponibilidade.
No mercado internacional, o cenário também exige atenção. Segundo o WASDE de maio, do USDA, a produção mundial na temporada 2026/27 foi projetada em 819,1 milhões de toneladas, queda de 2,9% em relação às 843,8 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. O consumo global foi estimado em 823,2 milhões de toneladas, acima da produção prevista. Com isso, os estoques finais devem diminuir 1,5%, de 279,2 milhões para 275,0 milhões de toneladas.
Diante desse cenário, a tendência de curto prazo é de sustentação da cotação, com possibilidade de novas altas e da necessidade de importação. A demanda industrial está ativa, e a oferta doméstica está menor. Com isso, os moinhos tendem a pagar mais pelo trigo, principalmente pelo de melhor qualidade.
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