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Carta Insumos - Uso de antimicrobianos na produção animal

Embora sejam utilizados no tratamento e prevenção de doenças, os antimicrobianos têm levantado preocupações quando empregados como promotores de crescimento.


Foto por: Freepik

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Os antimicrobianos são amplamente utilizados de forma profilática (antes da exposição), metafilática (após a exposição) e terapêutica (tratamento de casos clínicos). Também podem ser usados como promotores de crescimento, embora esse uso venha sendo restringido devido à preocupação com a resistência aos antimicrobianos.

O uso para melhoria de desempenho teve início na década de 1950, após aprovação do Food and Drug Administration (FDA). Os antimicrobianos agem reduzindo a carga bacteriana e favorecendo a absorção de nutrientes, aumentando o ganho de peso diário e melhorando a conversão alimentar.

No entanto, segundo o Código Sanitário dos Animais Terrestres da OMSA, o uso de antimicrobianos sem finalidade de tratar, controlar ou prevenir doenças infecciosas é classificado como não terapêutico ou como uso não médico veterinário e desaconselhado por órgãos internacionais.

Ao longo dos anos, o MAPA passou a restringir o uso e a comercialização de diversos antimicrobianos destinados à melhoria de desempenho animal.

Em 27 de abril de 2026, a Portaria SDA/MAPA no. 1.617/2026 estabeleceu regras, proibindo a fabricação, importação, comercialização e o uso de aditivos melhoradores de desempenho que contenham antimicrobianos considerados importantes para a medicina humana ou veterinária. Entre eles estão avoparcina, bacitracina, bacitracina de zinco, bacitracina metileno dissalicilato e virginiamicina. 

A principal preocupação dessas restrições é a resistência aos antimicrobianos (RAM), fenômeno em que microrganismos desenvolvem mecanismos que reduzem ou anulam a eficácia dos medicamentos aos quais antes eram sensíveis.

Segundo o Ministério da Saúde, a resistência antimicrobiana está diretamente associada a cerca de 34 mil mortes anuais no Brasil e aumenta em 50% o risco de morte em casos de infecções resistentes.

Por isso, o uso desses medicamentos como promotores de crescimento em animais destinados à alimentação humana gera preocupação, devido ao risco de resíduos em produtos de origem animal, principalmente quando o período de carência não é respeitado.

Em razão disso, alguns países e blocos econômicos adotam regras rígidas e restringem a importação de produtos de regiões que utilizam determinados antimicrobianos.

Foi esse o argumento utilizado pela União Europeia (UE), que em 12 de maio, retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal, alegando ausência de garantias sobre a não utilização de alguns compostos na pecuária (virginiamicina; avoparcina; bacitracina; tilosina; espiramicina e avilamicina).

Segundo o MAPA, porém, o Brasil já atende às exigências do bloco, além de que parte dos antimicrobianos citados já é proibida no país. A expectativa é adequar integralmente as exigências até o prazo estabelecido (setembro de 2026) e manter as exportações ao mercado europeu.

Diante desse cenário, as restrições ao uso de antimicrobianos reforçam a necessidade de equilibrar produtividade, segurança sanitária e exigências de mercado. Além dos impactos na saúde pública, a adequação às novas regras tornou-se um fator importante para manter a competitividade da pecuária brasileira no mercado internacional.

Originalmente publicado no Broadcast Agro.

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