Ampla oferta mundial e nacional, além da pressão sazonal por conta do período de colheita, contribuiu para o cenário.
Foto: Shutterstock
No primeiro dia útil de abril, a saca de soja em Paranaguá-PR estava cotada em R$130,50, segundo levantamento da Scot Consultoria. Em 8 de maio, o preço caiu para R$128,50, queda de 1,5% no período.
Na comparação com o mesmo período de 2025, quando a cotação estava em R$132,00, a desvalorização chega em 2,7%.
Mais do que isso: tanto em termos nominais quanto deflacionado pelo IGP-DI, a cotação da oleaginosa tem estado no menor nível de preço dos últimos cinco anos (figura 1).
Figura 1.
Cotação da saca de soja em Paranaguá-PR, deflacionada pelo IGP-DI. 
*5A – 5 Anos
Fonte: AgRural, Scot Consultoria / Elaborado por Scot Consultoria
Historicamente, abril concentra os menores preços do ano. O viés de queda começa em meados de novembro/dezembro, quando os vendedores antecipam a oferta que acompanha a colheita nos quatro primeiros meses do ano. Com o fim da colheita se aproximando, o mercado entra na entressafra e os preços tendem a se recuperar (figura 2).
Figura 2.
Sazonalidade dos preços da saca de soja em Paranaguá-PR, considerando a série histórica da Scot Consultoria desde os anos 2000 e os preços deflacionados pelo IGP-DI. 
Fonte: Scot Consultoria / Elaborado por Scot Consultoria
Porém, a sazonalidade descreve o ritmo da cotação ao longo do ano, não o quanto ela sobe ou cai. Para entender a profundidade da queda atual é preciso olhar para os fundamentos de oferta e demanda.
No Brasil, a safra atual deve terminar com produção recorde. Em abril, a Conab elevou a projeção para 179,2 milhões de toneladas, volume acima do recorde observado no ciclo anterior.
No mercado internacional, o quadro também é de ampla oferta. De acordo com o relatório de oferta e demanda do USDA, os estoques finais mundiais alcançaram 124,8 milhões de toneladas, o maior nível das safras recentes. Nos Estados Unidos, a relação de preço mais favorável à soja deve estimular a migração de parte da área antes destinada ao milho para a oleaginosa.
Outro ponto de atenção é a menor demanda chinesa pela soja brasileira. Em março de 2025, a China representava 75,9% das exportações brasileiras do grão e, em março de 2026, essa participação recuou para 68,7%.
O movimento também foi observado em abril, quando a participação caiu de 70,5%, em abril de 25, para 69,2%, em abril de 26. A redução está associada à retomada das compras de soja norte-americana pela China e a um nível de estoques mais confortável no país asiático, fatores que contribuíram para limitar o ritmo das compras brasileiras e pressionar as cotações domésticas.
Além disso, a valorização do real frente ao dólar nas últimas semanas reforçou a pressão baixista sobre os preços em moeda nacional.
Na outra ponta, as cotações em Chicago estão acima dos níveis observados no mesmo período do ano passado, mas a alta não tem sido suficiente para neutralizar os demais fatores de pressão sobre o mercado interno.
Com o fim da colheita se aproximando, a sazonalidade indica que os preços podem encontrar sustentação a partir de agora. No entanto, qualquer recuperação deve ser limitada, dado o amplo balanço de oferta mundial e nacional.
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