Cotação dos fertilizantes em alta reduzem a relação de troca.
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O Brasil é grande importador de fertilizante. Em 2025, a importação foi de 45,5 milhões de toneladas, totalizando cerca de US$15,5 milhões (Secex). Para 2026, a estimativa é de que o volume ultrapasse as 47 milhões de toneladas.
Figura 1.
Importação de fertilizantes, em milhões de toneladas e valor FOB em milhões de dólares, de 2020 até 2025.
Fonte: Secex | Elaboração: Scot Consultoria
Na comparação entre a média de preços de 2026 com 2025, entre os fertilizantes consumidos pelos plantadores de soja, o cloreto de potássio granulado (KCl), superfosfato simples granulado (SSP) e o fosfato monoamônico (MAP), subiram.
A cotação do MAP subiu 5,4%, sendo comercializado em R$4.624,20/tonelada, a cotação do SSP, subiu 7,1%, estando em R$2.381,07/tonelada e a cotação do KCl subiu 7,9%, estando em R$3.042,79.
Figura 2.
Cotação média do SSP, KCl e MAP, referentes ao período de 2022 a 2026, de janeiro a dezembro.
*Até a primeira quinzena de fevereiro
Fonte: Scot Consultoria
Este aumento piorou a relação de troca com a soja. No início deste ano, foram necessárias mais sacas para a aquisição dos fertilizantes.
Em 23 de fevereiro, a relação de troca estava em 21 sacas por uma tonelada de SSP, 45 sacas para uma tonelada de KCl e 39,6 sacas para uma tonelada de MAP, todos na forma granulada.
Figura 3.
Relação de troca soja x SSP, KCl e MAP, de janeiro a dezembro, entre 2020 até 2026.
*Até 23/2
Fonte: Scot Consultoria
Utilizando o método de tendência Holt-Winters, tem-se uma ideia do futuro da relação de troca.
Figura 4.
Relação de troca soja x SSP, KCl e MAP, de janeiro de 2025 até a estimativa para junho de 2026.
* Até 23/2
** Estimativa feita pelo método de Holt-Winters
Fonte: Scot Consultoria
As tensões no Oriente Médio trazem intranquilidade sobre o trânsito dos fertilizantes, especialmente no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo e o gás natural, fundamentais à produção de fertilizantes e aos custos logísticos globais.
Paralelamente, a China mantém restrições à exportação de fosfatados e nitrogenados, priorizando o abastecimento interno, movimento adotado também pelos Estados Unidos.
Soma-se a esse cenário o conjunto de sanções comerciais sobre a Rússia, relevante fornecedora global de nutrientes agrícolas, que, embora não interrompa o comércio, eleva custos financeiros e intensifica a volatilidade dos preços e as incertezas no abastecimento mundial de fertilizantes.
Embora os Estados Unidos tenham participação limitada nas importações brasileiras, iniciativas de proteção em grandes produtores reforçam a intranquilidade internacional.
Mesmo com o alívio cambial recente, a alta da cotação dos fertilizantes e o ambiente geopolítico incerto mantêm pressionados os custos da sojicultura, deteriorando a relação de troca e elevando o risco econômico da atividade.
O mercado está condicionado à dependência externa e ao ambiente geopolítico que está conturbado, dando maior volatilidade nos preços internacionais
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