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Carta Insumos - Cotação do diesel firme, sem espaço para quedas

Preços domésticos abaixo da paridade e ambiente externo adverso sustentam o mercado.


Foto por: Freepik

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O preço médio do óleo diesel em janeiro, na região Centro-Sul, ficou em R$6,13 por litro, queda de 0,3% em relação a dezembro de 2025. No mesmo período do ano, em 2025, o preço era R$6,04 por litro, 1,5% menor que o atual.

Figura 1.
Preço médio do diesel na região Centro-Sul (R$/litro).

Fonte: Scot Consultoria

A política de preços da Petrobras voltou ao centro das conversas após o anúncio de um ajuste apenas na gasolina, deixando o diesel fora da revisão. A estatal reduziu em 5,2% o valor da gasolina vendida pelas refinarias às distribuidoras, fixando o preço em R$2,57 por litro, uma queda de R$0,14/l nas refinarias. O anúncio foi feito em 27 de janeiro.

A decisão era esperada pelo mercado e está associada à queda do preço do petróleo no mercado internacional no final do ano passado (figura 2). Somado a isso, ao longo das últimas semanas, as cotações da gasolina estiveram, em diferentes momentos acima da paridade internacional, criando espaço para a queda.

Por outro lado, a cotação do diesel não mudou. As oscilações do petróleo no mercado internacional, a maior dependência do Brasil da importação de diesel, a insegurança geopolítica, a nevasca nos Estados Unidos e as dúvidas sobre a oferta explicam a manutenção do preço.

Além de que, há uma crescente defasagem entre o preço no Brasil e o preço da paridade de importação (PPI). Em 2 de fevereiro o óleo diesel ficou 19,0% abaixo da PPI, ou R$0,63 menor, hoje está em média 6,0% menor.

O último ajuste da cotação do diesel pela Petrobras aconteceu em 6 de maio de 2025, uma redução de R$0,16 por litro. Contudo, novas reduções para o combustível estão fora do radar.

Essa tendência se sustenta, no fato de que os preços do óleo diesel no mercado doméstico estão abaixo da paridade de importação, o que reduz o espaço para novas quedas. Ao contrário, esse descolamento abre margem para preços maiores.

Além disso, em janeiro, a cotação do barril de petróleo superou a marca de US$70,00 o que não acontecia desde 26 de setembro de 2025. Na comparação com a média de dezembro de 2025, a alta da cotação média em janeiro de 2026 foi de 16,2%. 

O principal gatilho desse movimento foram as tensões no Oriente Médio, com a possível intervenção dos Estados Unidos na região.

Esse quadro levou o mercado a precificar o risco, diante da possibilidade de interrupções na oferta global de petróleo, especialmente através do Estreito de Hormuz - corredor por onde passa cerca de 25,0% do petróleo mundial. 

Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque, além do próprio Irã (que responde por aproximadamente 3,2 milhões de barris por dia), dependem dessa rota. 

Figura 2.
Média mensal da cotação do barril de petróleo (US$).

*até 8/2
Fonte: Investing / Elaboração: Scot Consultoria

Outro fator que sustenta a alta do petróleo e a incerteza no suprimento de diesel no mercado internacional, é a nevasca nos Estados Unidos no início do ano que afetou refinarias da costa do Golfo do México e campos de produção de petróleo, reduzindo a oferta. 

Em um único final de semana, cerca de 2 milhões de barris por dia deixaram de ser produzidos nos EUA. Com a previsão de continuidade do frio, a demanda por combustíveis está elevada, o que sustenta o mercado. 

Além disso, o risco de paralização no refino, provocado pelo frio que acomete os EUA, reforça os prêmios do diesel diante da expectativa de restrição de oferta em um cenário de consumo forte.

No curto prazo, o cenário é de sustentação dos preços. A cotação no mercado interno está abaixo da paridade de importação, o que reduz a possibilidade de quedas, ao mesmo tempo, a cotação do petróleo em patamar mais elevado e a indefinição sobre a oferta internacional mantêm o viés de firmeza. Assim, diminuição do preço não é esperada e o risco passa a ser de aumento, caso o ambiente externo siga pressionado.

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