Mercado mais ofertado, frente a uma demanda que não avança no mesmo ritmo, pressiona os preços.
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A consecutiva queda nos preços do leite pago ao produtor vem chamando a atenção dos noticiários. A produção nacional crescente - segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção inspecionada no primeiro semestre aumentou 6,9% e, no terceiro trimestre, a captação formal de leite subiu 10,3% frente ao mesmo período de 2024, segundo dados parciais -, combinada a uma demanda que não avança no mesmo ritmo, colaboram para o quadro.
Diante desse contexto, a importação nos últimos meses adicionou pressão ao mercado, sendo alvo da crise.
Em setembro e outubro, o volume importado de lácteos pelo Brasil cresceu na comparação feita mês a mês, 21,1% e 8,0%, respectivamente. Os principais fornecedores foram a Argentina e o Uruguai.
O principal produto comprado foi o leite em pó. O produto correspondeu, em média, a 72,5% dos lácteos adquiridos pelo país.
Figura 1.
Importação brasileira de leite em pó, em mil toneladas.
Fonte: Secex / Elaborado por Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br
O incremento das importações nos dois últimos meses, retornando a patamares observados no início do ano, se deve à competitividade dos preços internacionais, impulsionada pelo aumento da oferta nos nossos vizinhos, e à desvalorização do real frente ao dólar.
Considerando o leite em pó, o preço médio do produto importado em setembro e outubro foi de US$3,79 por quilo.
Para uma comparação, o quilo do mesmo produto no mercado doméstico (atacado), segundo levantamento da Scot Consultoria, ficou cotado, em média, em R$30,84 ou US$5,74, considerando o câmbio médio no período em R$5,38 por dólar.
O produto importado custou 29,6% menos que o nacional.
Apesar do aumento da importação nos últimos meses, de janeiro a outubro, o volume importado de leite em pó ficou 0,8% menor que o adquirido em igual período do ano passado.
Para os próximos meses, os preços futuros do leite em pó no mercado internacional, segundo a plataforma Global Dairy Trade (principal balizador de preços de lácteos do mundo), vêm registrando recuos nas projeções de preços. O cenário de maior oferta global intensifica a pressão sobre as cotações. Embora a demanda global esteja acima do nível do ano passado, ela ainda não é suficiente para equilibrar a relação entre oferta e consumo.
Em contrapartida, a maior produção nacional tende a reduzir o apetite por importação. Com o retorno das chuvas e a possível melhora nas pastagens, a oferta tende a seguir crescente. Além disso, alguns estados têm adotado medidas indiretas que afetam o fluxo de lácteos importados, contribuindo para o desestímulo às compras externas.
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