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Scot Consultoria

Carta Grãos - Colheita de café avança com bons preços e expectativa de retorno ao cafeicultor


Quinta-feira, 4 de julho de 2024 - 06h00

Foto: Shutterstock


Artigo originalmente publicado na revista Agroanalysis da Fundação Getúlio Vargas.


A colheita da safra cafeeira 2024/25 começou em abril e está em ritmo acelerado no Brasil. 


De acordo com o Cepea, no Espírito Santo, maior produtor de café robusta, a expectativa é de que cerca de 40% da produção já foi colhida (18/6). A qualidade dos grãos tem sido boa. Em Rondônia, outro importante estado produtor, a colheita está mais avançada, faltando apenas 25% para serem colhidos. 


Para o arábica, o tempo seco tem contribuído com a colheita nas principais praças produtoras, com a estimativa de que, até 28/6, metade da área já havia sido colhida. 


COLHEITA AVANÇA EM MEIO A PREÇOS FIRMES...

O preço do café - arábica e robusta - atingiu a máxima, desde 2022, em junho (figura 1). Segundo indicador Cepea, a saca do café arábica ao fim de junho (27/6) era negociada em R$1.368,47, e a do robusta em R$1.215,18, aumentos, respectivamente, de 4,3% e 3,9%. 


Figura 1.
Preços do café arábica em São Saulo e do café conilon no Espírito Santo, em R$ por saca de 60 quilos, em valores nominais.

Fonte: Cepea / Elaboração: Scot Consultoria 


As cotações do robusta estão subindo desde o último trimestre de 2023, influenciadas pela aquecida demanda internacional - vale lembrar que importantes países produtores de robusta na Ásia (com destaque ao Vietnã) atravessam problemas relacionados ao clima e a logística. 


No caso do arábica, os estoques globais enxutos (figura 2) e, sobretudo, das intensas altas do robusta, somado à exportação firme e ao câmbio em alta ao longo de junho, deram sustentação às cotações. 


Figura 2a.
Estoques finais de café no mundo, em milhões de sacas.

Fonte: USDA / Elaboração: Scot Consultoria
*jun/24 


Figura 2b.
Relação (%) estoques finais x consumo de café no mundo.

Fonte: USDA / Elaboração: Scot Consultoria
*jun/24 


ESTIMATIVA DE RESULTADO PARA O CAFEICULTOR

Com o quadro entre receita elevada e custos menos onerosos do que na safra anterior, estimamos o resultado para o cafeicultor (tabela 1) - considerando os preços médios vigentes em 2024. O resultado é positivo.


Tabela 1.
Estimativa dos custos de produção, receita e de resultados para a produção cafeeira em 2024*, em R$/hectare.

¹ - Considerando as informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
² - Safra 2024/25, preços no mercado físico entre abril e junho de 2024, referência Cepea.


Com o avançar da colheita é natural que os preços possam perder sustentação e caírem. Mas, o quadro no mercado internacional e a boa demanda externa pelo café brasileiro devem limitar a pressão de baixa. 


Mesmo que os preços voltem aos patamares do início de abril - de aproximadamente R$1.000,00/saca -, a expectativa é de bom retorno aos cafeicultores. 


EXPECTATIVAS PARA O SEGUNDO SEMESTRE DE 2024 

A safra 2024/2025, cuja colheita está em andamento, será de bienalidade positiva, e a expectativa é de produção recorde - 58,08 milhões de sacas, alta de 5% em relação à safra passada (Conab). O que poderá tirar sustentação do mercado nos próximos meses. 


De janeiro a maio, a exportação de café foi de 20.690 milhões de sacas, recorde para o período e representa crescimento de 52,1% em relação ao aferido nos cinco primeiros meses do ano passado (Cecafé). A demanda externa deve seguir firme.


Atenção ao clima no segundo semestre. Após uma temporada marcada pela presença do El Niño e a neutralidade durante o período de colheita, a presença do La Niña no segundo semestre poderá influenciar na “pega” da cultura no Brasil e na Colômbia - fatores que, somados ao mercado internacional descompassado e a expectativa de uma produção de bienalidade negativa no Brasil, abre espaço para a manutenção de preços firmes. 


Ao produtor, a fixação de custos à próxima safra já esteve mais interessante - em função da depreciação do real frente ao dólar, a expectativa é de aumento no custo com insumos, principalmente fertilizantes e defensivos - mas, com os preços do café elevado e a expectativa de boa produtividade, o momento ainda é interessante. 


Figura 3a.
Relação de troca (sacas de café arábica por tonelada de fertilizante), em diferentes períodos.

Fonte: Broadcast / Cepea / Scot Consultoria


Figura 3b.
Relação de troca (sacas de café robusta por tonelada de fertilizante), em diferentes períodos.

Fonte: Broadcast / Cepea / Scot Consultoria



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