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Scot Consultoria

Carta Boi - Como ficará o resultado do semiconfinamento este ano?


Segunda-feira, 7 de junho de 2021 - 11h00


Introdução e retrospectiva


O cenário da pecuária mudou a partir de 2019. Diante da restrição de oferta de animais terminados e do aumento da demanda internacional de carne, a cotação subiu.


De acordo com os dados levantados pela Scot Consultoria, a cotação do boi gordo saltou de R$155,50/@ em 24 de maio de 2019 para R$302,50/@ dois anos depois, aumento de 94,5% utilizando como referência a praça paulista. Vide figura 1.


Figura 1. Evolução da cotação do boi gordo nas praças paulistas, preço a prazo, descontados os impostos, em R$/@, de maio/19 a maio/21.



Fonte: Scot Consultoria.


Dessa maneira, o interesse pela terminação aumentou.


Todavia, o contraponto dessa atração foi o preço, também em elevação, dos animais de reposição. A cotação do boi magro, por exemplo, subiu de R$2.170,00/cabeça para R$4.200,00/cabeça, incremento de 93,5% (figura 2).


Figura 2. Evolução da cotação do boi magro nelore (12@), em R$/animal, de maio/19 a maio/21, nas praças paulistas.



Fonte: Scot Consultoria.


De 7/6/2019 a 16/4/2021, considerando a relação da cotação mais alta e mais baixa nesse intervalo, a cotação do boi gordo subiu 107,3% (figura 1), em valores nominais. Entretanto, quando deflacionamos as cotações utilizando o IGP-DI, a cotação do boi gordo teve uma valorização real de 46,4%.


Com relação ao boi magro, a relação da cotação mais alta e da mais baixa ocorreu de 1/8/2019 a 6/5/2021, com um aumento de 116,8% em valores nominais nesse período. Considerando a inflação, a alta real foi de 53,9%, utilizando o mesmo indicador.


Alta dos insumos e influência na engorda dos animais

O bom desempenho da exportação não ocorreu somente para a carne bovina. O milho e a soja, componentes bastante utilizados nas dietas de bovinos confinados e semiconfinados, também entraram nesse barco.


A cotação do milho subiu 171,1%, considerando a praça referência de Campinas-SP, e a soja 116,1%, tendo como referência a praça de Paranaguá-PR, considerando o período de maio de 2019 a maio de 2021 (figura 3).


Figura 3. Preços da saca (60 kg) de milho e soja, nas praças referências, sem frete, de maio/19 a maio/21.



Fonte: Scot Consultoria.


Mediante a alta de preços dos grãos, os preços dos demais insumos como farelo de soja, polpa cítrica e DDG também subiram (figura 4).


Figura 4. Evolução de preços do farelo de soja, polpa cítrica e DDG, em toneladas, de maio/19 a maio/21.



Fonte: Scot Consultoria.


Dessa maneira, com aumentos de 106,4%, 246,1% e 203,7%, na cotação do farelo de soja, polpa cítrica e DDG, respectivamente, o semiconfinador encontrou um cenário menos estimulante vendo a margem diminuir mês a mês, reflexo da alta dos insumos.


Simulação de custos

Considerando o sistema de semiconfinamento, a alta dos concentrados proteicos e/ou energéticos pesou na margem.


Exemplo:


Referência


Um rebanho hipotético com 400 bois magros de 360 kg de peso vivo, comprados de terceiros, terminados em semiconfinamento em 110 dias, sem período de adaptação, em São Paulo.


A dieta é composta por DDG, farelo de soja e polpa cítrica (tabela 1). O volumoso é o pasto diferido.


Tabela 1. Quantidade de ingrediente em matéria seca por animal/dia, composições nutricionais das dietas e custo da dieta por animal/dia.



1Matéria seca; 2Proteína bruta; 3Nutrientes digestíveis totais; 4Teor de fibra fisicamente efetiva; 5Extrato etéreo.
Fonte: Projeta Consultoria e Scot Consultoria.


Custo da dieta e custo diário

2019

Dessa maneira, o preço do boi magro anelorado (12@), em maio de 2019, em R$2.200,00¹, suplementado por 110 dias, dieta com DDG, farelo de soja e polpa cítrica, GMD (ganho médio diário) de 1,05 kg/animal/dia, rendimento de carcaça de 55%, preço de venda considerando a cotação média da arroba em setembro de 2019 (R$159,45) e custo da dieta² estimado em R$5,70/animal/dia, considerando o preço dos concentrados naquela época, o cenário era de prejuízo em R$112,99 por cabeça.


2021

Considerando o mercado em maio de 2021, com o boi magro (12@), cotado em R$4.200,00¹, mesma dieta, mesmo GMD de 1,05 kg/animal/dia, rendimento de carcaça de 55%, preço de venda considerando a cotação no mercado futuro (B3), em setembro do ano vigente, em R$339,00/@, e custo da dieta² estimado em R$11,25/animal/dia, considerando o preço dos concentrados em maio, o cenário foi de lucro em R$349,22 por cabeça.


O custo operacional foi equivalente à 10% do custo da dieta.


Portanto, o invernista que tenha semiconfinado 400 animais em maio de 2019, utilizando a mesma dieta e tempo de cocho, amargou um prejuízo de R$45.200,00. Já o que semiconfinou em maio de 2021, poderá ter um resultado positivo de R$139.700,00.


Consideração final

Apesar dos custos maiores dos insumos e dos animais de reposição, a alta da cotação do boi gordo foi suficiente para o semiconfinador ter um resultado positivo.


Como existem diversas dietas e cenários diferentes para a produção animal, não significa que todos os pecuaristas se deram mal em 2019, mas no exemplo, sim. E, o quadro foi de melhoria no intervalo considerado.


Bibliografia


¹Scot Consultoria, banco de dados.


²Projeta Consultoria.





O Confina Brasil, expedição que promove o levantamento de dados da pecuária intensiva, já está na estrada. A meta em 2021 é mapear 40% do gado confinado no país. Siga o @confinabrasil no Instagram e acesse confinabrasil.com para acompanhar a expedição.


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