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Scot Consultoria

Carta Boi - Chuva de boiadas ou fechamento das exportações para a China?


Quarta-feira, 8 de julho de 2020 - 19h15


Não vamos discorrer sobre os comentários referentes à quantidade de incertezas que temos no mercado do boi gordo.


Também não temos uma série longa o suficiente para analisar o impacto da gripe espanhola sobre o mercado do boi gordo. Mesmo se tivéssemos, isolar o efeito da Primeira Guerra Mundial para poder atribuir o movimento à pandemia não seria razoável.


Dito isto, não temos parâmetro para a novidade “maior“ de 2020, a pandemia. Além dela, temos a política (e/ou politicagem), eleições nos Estados Unidos e seus efeitos sobre o câmbio, agravamento importante dos casos na Índia, cuja carne, principalmente de búfalos, compete com a nossa em alguns mercados, dentre outros fatos.


Muitas vezes, ao tentar explicar o mercado, adicionamos um grande número de variáveis, para demonstrar o nível de complexidade e incerteza. Na prática, isso é uma confissão de que não se sabe o que vai acontecer.  


Amanhã podem divulgar que a presença de material genético do vírus em alimentos importados não representa possibilidade de contágio e isso reduzir drasticamente as dúvidas quanto aos embarques à China, ou não. Pode surgir uma vacina com boa proteção e isso dar outro rumo às expectativas para as economias.


No entanto, o histórico é sempre uma boa referência, não para ser tomada como certa, mas parar ajudar e ponderar as expectativas. Nesta linha, vamos a algumas comparações:


Ceteris paribus

Ceteris paribus é uma expressão do latim, muito usada em economia para ilustrar o impacto de cenários sobre algo, a demanda, por exemplo. Sua tradução pode ser “tudo mais constante”, serve para demonstrar o efeito da mudança de uma variável, e apenas uma, em um quadro.


Um exemplo seria, uma queda forte do dólar frente ao real, ceteris paribus (apenas isso muda no quadro), tende a gerar redução das exportações e pressão negativa sobre as cotações do boi gordo. Aqueles gráficos de oferta e demanda, didáticos, mas bem simplificados, usam esta linha para demonstrar algo.


Para quem gosta de física, é algo semelhante ao fio ideal, que não estica, nem se rompe, ou às condições normais de temperatura e pressão (CNTP).


Voltando ao dólar, entre outros fatores; o dólar desvalorizado poderia estar relacionado a uma situação mais promissora da nossa economia, com melhoria da demanda, ajudando a compensar as exportações mais fracas.


Com preços da reposição em alta e o milho pesando nos custos ao longo do primeiro semestre, os custos mantiveram a intenção de confinamento contida. Então, com as valorizações dos preços futuros, houve estímulo à atividade. Ou seja, houve aumento da atratividade, então, a partir de meados do segundo semestre haverá mais facilidade para comprar boi de cocho e isso pressionaria o mercado. 


Com demanda doméstica lenta e exportações constantes isso seria o esperado. Nesta semana, bares e restaurantes estão reabrindo em São Paulo, e a economia tem sentido fortemente o cenário da pandemia, mas a volta da circulação de pessoas ajuda, e por aí vai.


Simplificando (e encerrando a filosofia por aqui).


Se as exportações para a China ficarem em nível próximo do atual, com melhoria da demanda doméstica, típica da segunda metade do ano, o aumento da oferta de boiadas de confinamento tem que ser um tanto relevante para derrubar o mercado. Como os preços do boi magro demonstram que a disponibilidade da categoria já teve dias melhores, é possível que o mercado futuro esteja pessimista.


Variações históricas

Para quem gosta de comparações históricas, vamos adicionar uma perspectiva às projeções anteriores.


Na tarde de 6/7, os preços do boi gordo para outubro apontavam para uma queda de 3,4%, frente à média dos primeiros dias de julho.


A figura 1 mostra essa mesma variação nos últimos anos e o projetado para 2020.


Figura 1.
Variações do preço do boi gordo entre julho e outubro em cada ano.



Obs: para a comparação de 2020 foram usadas as cotações do Cepea, referência para os contratos da B3.
Fonte: Scot Consultoria / Cepea / B3


Em outras palavras, o mercado futuro está jogando as fichas em uma oferta grande de cocho, exportações mais amenas (provavelmente pela covid-19) e sem apostar em sazonalidade de final de ano e a volta da economia (mesmo com as cicatrizes em emprego e PIB, um aumento da circulação deve ajudar).


Considerações finais

Se for possível travar preços mínimos que garantam os custos, talvez com uma margem pequena, seria a indicação para este ano.


É um ano com muita coisa que pode dar errado do ponto de vista dos preços, mas que passou os últimos meses, em plena pandemia, ignorando o final de safra.


Pensando no segundo semestre, trabalhe com segurança, mas esteja exposto a possíveis surpresas positivas para os preços.



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