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Carta Insumos - Agora que a cotação do milho caiu, a cotação do farelo de soja subiu. Faça as contas para o confinamento de bovinos


Quarta-feira, 29 de junho de 2016 - 15h00


A safrinha do milho concedeu, pela primeira vez em 2016, a possibilidade de um cenário mais frouxo para o mercado do grão, com o mercado futuro indicando o preço de uma saca em São Paulo ao redor de R$40,00 entre julho e setembro - uma queda de R$10,00 em relação à máxima registrada no primeiro semestre -, o farelo de soja por sua vez, que não incomodava a operação do confinamento (veja comportamento de preços até abril na figura 1), subiu fortemente nos dois últimos meses.




Há dois meses, em abril, com 6,92 arrobas de boi gordo em São Paulo era possível comprar uma tonelada de farelo. Há anos não se via uma relação melhor do que essa. Agora, com menos de 9,5 arrobas, dificilmente sai negócio.


A coisa virou. Entre maio e junho, dois meses, a tonelada do alimento proteico subiu quase R$500,00, uma alta de 38,3%. A média histórica de crescimento de preços deste período, desde 2008, é de 8,4%. 


O escoamento da colheita correu mais rápido que a produção. Entre janeiro e abril, últimos dados divulgados pela Abiove, a produção de farelo cresceu 75,2% enquanto a exportação cresceu quase 100,0% e o consumo interno 15,6%. Cada um destes destinos ficou com metade do farelo produzido. 


E atenção. Os picos de preços costumam acontecer entre outubro e novembro. Veja na figura 2 como os preços costumam se comportar. O esmagamento, em sentido oposto, atinge o maior volume geralmente em maio e, historicamente, diminui ao redor de 30,0% até dezembro.


É bom lembrar que o que acontece com o farelo de soja repercute nos alimentos alternativos. Não há como fugir. A correlação com o farelo de algodão, por exemplo é de 0,94. Com o farelo de amendoim, é de 0,93. Quanto mais próximo de 1 esse número, maior a correlação de preços.


Isso certamente aumenta a angústia sobre confinar ou não em 2016. 


Em um ano em que os dois itens determinantes do custo da dieta de um confinamento, farelo de soja e milho, produtos que balizam o mercado de concentrados proteicos e energéticos, estão valorizados, só se toma decisão fazendo contas, estimando resultado e, caso ainda não saiba quanto custará sua diária para fechar essa simulação, um bom começo é projetar qual o maior custo que o preço de venda da arroba oferecido pela BM&F consegue remunerar.



Veja a tabela 1. Simulamos o ponto de equilíbrio da diária do confinamento, na praça pecuária de São Paulo (dieta mais custos operacionais), suficiente para “zerar” o resultado da operação. Usamos índices produtivos médios e um boi magro chegando da recria por R$1,85 mil (gasto total com bezerro mais a recria). 


O resultado é que somente quando se gasta mais do que R$13,81/dia é que o confinamento entrega prejuízo. Este valor está, aparentemente, difícil de ser cobrado por uma diária. Está pelo menos R$3,00 acima dos preços vigentes nos boiteis “mais caros” que se tem notícia em São Paulo e nesse modelo de engorda, além do custo da dieta e do custo operacional, paga-se a remuneração do proprietário da estrutura.


É claro que, observando viabilidade na operação, os próximos passos serão conhecer o custo real da dieta e avançar nas simulações, verificando se o retorno sobre o investimento está interessante ao invernista, comparando com a manutenção desse bovino no pasto, com a venda do boi magro, enfim, com todas as possibilidades que o recriador tem em mãos.


Mas, o mais importante diante do cenário de custos elevados dos insumos: o confinamento em 2016, necessariamente, deveria vir acompanhado de uma trava de preços da arroba. O risco de mercado está elevado.



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