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Suplementação animal em pasto no período da seca – Parte 3

Suplementação com virginiamicina aumenta o ganho médio diário de bovinos Nelore em recria a pasto durante a seca.


Foto: Shutterstock

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Entre abril e julho de 2026 escrevi uma série de quatro artigos sobre a suplementação animal em pasto nos períodos de chuvas e de transição chuva/seca com o objetivo de apresentar resultados de pesquisas sobre suplementação de bovinos em pastagens manejadas intensivamente.

Em agosto desse mesmo ano iniciei uma série de artigos sobre a suplementação animal em pasto no período de seca usando o banco de dados de resultados de pesquisas que orientei em fazendas de pesquisa, de resultados de campo em fazendas comerciais que atendo e de resultados de pesquisas de outras fontes.

Dando sequência à essa série de artigos, ainda escrevendo sobre resultados da estação da seca, este terceiro artigo traz dados e conclusões de outro experimento conduzido em bioma Cerrados entre os meses de julho e outubro.

Objetivou-se neste experimento avaliar os efeitos da disponibilidade de forragem em pastagens de B. brizantha cultivar Marandu (capim-braquiarão) sobre o ganho de peso de bovinos Nelore machos inteiros na fase de recria suplementados com suplemento mineral/proteico/energético com e sem o aditivo virginiamicina, um antibiótico da classe das estreptograminas produzidas por uma linhagem mutante de Streptomyces virginiae.

O trabalho foi conduzido entre os meses de julho e outubro no bioma Cerrados, em uma área de 8 hectares (ha) dividida em dois módulos de pastoreio, de 4 ha cada, divididos em 4 piquetes de 1 ha cada. O método de pastoreio adotado foi o de lotação rotativa, com ciclo de pastoreio de 40 dias, com 30 dias de descanso e 10 dias de ocupação.

Durante o experimento foram avaliados 24 bovinos da raça Nelore, machos inteiros, com idade e peso inicial médios de 11 meses e 251 kg, respectivamente. Com taxa de lotação de 3,0 cabeças/ha (24 animais/8 ha) e 1,67 UA/ha. Houve um período de adaptação de duas semanas antes do início da coleta dos dados.

Os animais foram suplementados para um consumo predito de 0,30% do peso corporal (PC). A dose do aditivo virginiamicina foi de 160 mg/kg de suplemento, ou 45 mg/kg de peso corporal dos bovinos. Na Tabela 1 estão os níveis de garantia dos suplementos.

Tabela 1. 
Análises bromatológicas dos suplementos mineral/proteico/energético.

Tratamento PB % NDT % Ca % P % FDN % FDA % NNP % Lignina %
VM 22,7 65,2 5,9 1,1 25,8 16,2 1,8 2,3
Testemunha 26,4 65,0 6,7 1,3 32,5 18,6 1,7 3,2

VM: virginiamicina; PB: proteína bruta; NDT: nutrientes digestíveis totais calculados; Ca: cálcio; P: fósforo; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido; NNP: nitrogênio não-proteico.
Fonte e elaboração: Adilson Aguiar.

Durante o experimento os bovinos foram pesados mensalmente, após um período de jejum de sólidos por 14 horas.

Foram realizadas mensurações de crescimento e produção de forragem, utilizando a técnica da dupla amostragem: direta, por meio do corte e pesagem da massa de forragem; e indireta, por meio da medida da altura do pasto. Foram coletadas amostras para análises bromatológicas da forragem em cada tratamento. A oferta de forragem planejada foi de 5,0% do peso corporal dos bovinos.

O delineamento utilizado foi inteiramente casualizado, sendo os dados submetidos à análise estatística pelo software SISVAR, versão 5.1, e as médias comparadas teste de Tukey ao nível de 5,0% de significância.

Durante o período experimental não houve diferença significativa (P > 0,05) para os parâmetros relacionados à disponibilidade de forragem entre os tratamentos (Tabela 2).

Tabela 2. 
Parâmetros avaliados das forrageiras.

Tratamento TL (UA/ha) CS (UA/ha) TA (kg MS/ha/dia) FA (kg MS/ha) MF pp (kg MS/ha)
VM 1,7 a 1,4 a 26 a 1.283 a 4.299 a
Testemunha 1,7 a 1,3 a 28 a 1.307 a 4.461 a

VM: virginiamicina; TL (UA/ha): taxa de lotação em unidades animais por hectare; CS: capacidade de suporte em unidades animais por hectare; TA: taxa de acúmulo de forragem em kg de matéria seca por hectare por dia; FA: forragem acumulada entre pastejos em kg de matéria seca por hectare; MF pp: massa de forragem pré-pastejo em kg de matéria seca por hectare.
Fonte: JUSTINIANO; ALMEIDA; AGUIAR, 2013.

Observa-se que houve acúmulo de forragem (kg de MS/ha) e consequente taxa de acúmulo (kg MS/ha/dia) mesmo no período mais crítico do ano, entre julho e outubro, o que possibilitou taxas de lotação (1,7 UA/ha) e capacidades de suporte (entre 1,3 e 1,4 UA/ha) mais altas que as alcançadas na maioria das fazendas mesmo no período mais favorável do ano, a estação das chuvas. Este acúmulo de forragem na seca é explicado em grande medida pelo correto manejo do pastoreio e as adubações da pastagem no período das chuvas anterior. Este correto manejo trouxe reflexos positivos também na composição química da forragem. A Tabela 3 traz as médias das análises bromatológicas das amostras de forragem coletadas em cada tratamento.

Tabela 3. 
Composição química média das forragens.

Parâmetro c/ VM s/ VM
PB (%) 11,3 9,2
NDT (%) 59,5 55,2
Ca (%) 0,35 0,42
P (%) 0,20 0,20
FDN (%) 64,7 71,8
FDA (%) 31,4 34,4
Lignina 4,04 4,12

Legenda: VM: virginiamicina; PB: proteína bruta; NDT: nutrientes digestíveis totais calculados; Ca: cálcio; P: fósforo; FDN: fibra em detergente neutro; FDA: fibra em detergente ácido.
Fonte: JUSTINIANO; ALMEIDA; AGUIAR, 2013.

Os consumos médios dos suplementos foram de 0,750 (0,28% do peso) e 0,758 kg/cabeça/dia (0,29% do peso) para bovinos suplementados com e sem virginiamicina, respectivamente.

Houve diferença significativa (P > 0,05) para o parâmetro ganho médio diário (GMD) (Tabela 4).

Tabela 4. 
Indicadores técnicos de produtividade dos tratamentos avaliados.

Indicador Unidades s/ VM c/ VM
PCI kg 254,2a 248,8ᵃ
PCF kg 263,5b 282,7ᵃ
GMD kg/dia 0,103b 0,377ᵃ

Medias seguidas por letras diferentes na linha diferiram entre si estatisticamente pelo Teste de Tukey a 5,0% de significância. PCI = Peso corporal inicial; PCF = peso corporal final; GMD = ganho de peso médio diário.
Fonte: JUSTINIANO; ALMEIDA; AGUIAR, 2013.

Conclui-se que no período e nas condições de avaliação deste experimento que o GMD foi significativamente superior para os bovinos suplementados com virginiamicina. Esta diferença no ganho animal se deveu ao efeito do aditivo, porque não houve diferença estatística significativa nos parâmetros disponibilidade e composição de forragem.

Adilson de Paula Almeida Aguiar

Zootecnista, professor em cursos de pós-graduação nas Faculdades REHAGRO, na Faculdade de Gestão e Inovação (FGI) e nas Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; Investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.

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