• Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Assine nossa newsletter
Scot Consultoria

Confinamento - a margem deverá aumentar em 2026

A alimentação é o principal trunfo do confinador neste ano, mas merece atenção.


Foto: Bela Magrela

Foto: Bela Magrela

O confinamento de bovinos deverá crescer em 2026, é o que aponta a pesquisa feita em campo pela Scot Consultoria, através da expedição Confina Brasil.

Os confinamentos mapeados em 2025 indicaram que 78,8% pretendiam aumentar o volume de bovinos confinados em 2026, frente a 2025. Outros 8,7% projetavam que o volume deveria ficar estável, e apenas 4,9% previram redução na produção (Benchmarking Confina Brasil 2025).

O IMEA, apresentou em agosto de 2026, seu segundo levantamento de intenção de confinamento e manteve a expectativa de crescimento, em relação a 2025, apesar da revisão para baixo em relação ao primeiro levantamento em abril de 2026. A expectativa é de que 1,33 milhão de cabeças sejam confinadas no Mato Grosso, crescimento de 43,4% em relação ao volume confinado em 2025.

Em 2025, a Scot Consultoria estima que 8,3 milhões de cabeças foram confinadas. Para 2026, a estimativa é de que 10,1 milhões de cabeças sejam confinadas – crescimento de 8,6% em relação ao ano anterior.

Em um ano, o boi magro, que pode representar até 70,0% dos custos do sistema, subiu em todas as praças pecuárias monitoradas pela Scot Consultoria na comparação feita ano a ano.

Tabela 1.
Cotação média do boi magro nas praças pecuárias monitoradas pela Scot Consultoria.

Data 17/9/2026 (A) Há um ano (C) Variação - A/C (%)
SP R$ 4.906 R$ 4.141 ▲ 18,5%
MG R$ 4.500 R$ 3.705 ▲ 21,5%
GO R$ 4.989 R$ 4.068 ▲ 22,6%
MS R$ 4.798 R$ 4.115 ▲ 16,6%
BA R$ 4.594 R$ 3.875 ▲ 18,5%
MT R$ 4.939 R$ 4.215 ▲ 17,2%
PR R$ 5.104 R$ 4.267 ▲ 19,6%
PA R$ 4.728 R$ 3.786 ▲ 24,9%
RO R$ 4.509 R$ 3.647 ▲ 23,7%
TO R$ 4.855 R$ 4.014 ▲ 20,9%
AC R$ 3.750 R$ 3.000 ▲ 25,0%
MA R$ 4.463 R$ 4.050 ▲ 10,2%
RJ R$ 4.125 R$ 3.740 ▲ 10,3%

Fonte: Scot Consultoria

Em São Paulo, a cotação do boi magro aumentou 18,5% na comparação feita ano a ano, enquanto o do boi gordo, no mesmo período, subiu 10,4%.  Ou seja, apesar do aumento do custo com o boi magro, a receita com a venda do boi gordo cresceu mais.

Isso explica parte da expectativa de crescimento do confinamento previsto para 2026, mas não só. A alimentação é o segundo centro de custo do confinamento. Em 2026, a dieta está favorável ao pecuarista – ajudando a compensar, o aumento do preço do boi magro.

Com o aumento da cotação da arroba do boi gordo e o preço dos alimentos praticamente entre estabilidade e queda, o poder de compra esteve vantajoso ao confinador.

Na figura 1, está a quantidade de arrobas de boi gordo que compram uma tonelada de diferentes alimentos. Veja que, em 2026, a relação está em seu menor nível – ou seja, menos arrobas compram uma mesma quantidade de alimento que em anos anteriores.

Figura 1.
Arrobas de boi gordo para comprar uma tonelada de alimento*.

*para 2026, até a primeira quinzena de setembro.
Fonte: Scot Consultoria

Além dos alimentos proteicos, o milho, principal alimento energético e balizador para outros alimentos, também está favorável ao comprador. Em 2026, em poucos momentos, o poder de compra em Mato Grosso não foi o maior em cinco anos – veja na figura 2.

Figura 2.
Sacas de milho compradas com uma arroba de boi gordo em Mato Grosso.*considerando a média em 5 anos.

O bom momento ao comprador tem a ver com a boa oferta, em função de uma safra ampla (recordes para a soja, o algodão e, no caso do milho, a segunda melhor safra do país) e aumento do processamento, seja do esmagamento da soja, para a produção de óleo, ou do milho, para a produção do etanol, gerando mais oferta de comida (farelo de soja e coprodutos secos e úmidos do milho, por exemplo). 

Mas e a conta do confinador?

Através da simulação de um sistema de engorda em confinamento, com a entrada da boiada no fim de agosto (24/8), com duração de 106 dias de confinamento (Confina Brasil 2025), ganho de peso diário de 1,6 quilo e um rendimento de carcaça de 56,0%, projetamos o resultado da atividade.

Foi considerada uma diária de R$14,00/cabeça, considerando resultados parciais da pesquisa expedicionária Confina Brasil em 2026 e o preço de aquisição do boi magro em R$4,95 mil por cabeça (Scot Consultoria).

A venda ocorrerá no começo de janeiro. Para estimar o resultado na saída, considerou-se a cotação do contrato futuro de boi gordo na B3, com vencimento em janeiro/27 e um diferencial de base de 10,0% entre Mato Grosso e São Paulo. A cotação, na B3, estava em R$386,75/@, no fechamento de 18/9/2026, com o diferencial de base, estimamos uma arroba em Mato Grosso em R$348,00.

Na tabela 2, apresentamos os parâmetros adotados e a estimativa do resultado por bovino confinado.

Tabela 2.
Parâmetros zootécnicos adotados e estimativa de resultado por bovino confinado.

Entrada no cocho 24/08/2026
Peso do boi magro (@) 12,5
Peso do boi magro (kg) 375
Preço do boi magro (R$/cabeça) R$ 4.950,00
Preço do boi magro (R$/@) R$ 396,00
Custo da diária (R$) R$ 14,00
Ganho de PV diário (kg) 1,6
Dias de cocho 106
Custo total (R$) R$ 6.434,00
Parâmetros zootécnicos e financeiros
Peso de saída (kg) 544,6
Rendimento de carcaça 56%
Peso de carcaça (kg) 304,98
Arrobas de carcaça 20,3
Ganho de carcaça (kg) 1,11
Custo arroba total (R$/@) R$ 316,45
Arrobas ganhas no cocho 7,83
Custo da arroba engordada (R$/@) R$ 189,49
 
Saída do cocho (106d + 1d) 08/12/2026
Cotação da arroba em SP (R$) R$ 386,75
Diferencial 10,0%
Preço de venda na praça R$ 348,08
Receita (R$) R$ 7.076,97
Lucro/cabeça R$ 642,97

Fonte: Confina Brasil , Scot Consultoria

O resultado estimado para 2026 é de R$642,97/cabeça. Em 2025, apesar do boi magro estar cotado em R$4,3 mil, e a diária do confinamento, próxima à estimada este ano (R$13,30), o preço de venda do boi gordo estava em R$290,00/@ no estado.

Agora, segundo levantamento da Scot Consultoria, a cotação do boi gordo em Mato Grosso, em 21 de agosto de 2026, está entre R$330,00 e R$335,00, dependendo da região.

Considerando a expectativa de boa demanda para os próximos meses e uma menor oferta de fêmeas, há espaço para que o diferencial seja menor que o diferencial histórico de 10,0%, o que traria uma cotação na praça mato-grossense acima dos R$348,00 estimados e, consequentemente, margem maior ao confinador.

A alimentação e a valorização da arroba do boi gordo, apesar do avanço do preço do boi magro, estão sendo o “trunfo” do pecuarista em 2026.

Felipe Fabbri

Zootecnista, formado pela FCAV/Unesp, Jaboticabal/SP, mestre em zootecnia na área de nutrição e alimentação de monogástricos pela FCAV/Unesp, Jaboticabal/SP. Coordenador da equipe de inteligência de mercado. É consultor de mercado das áreas de proteínas de origem animal (boi gordo, frango, ovos, suínos), grãos (milho, soja, algodão, trigo), coprodutos e insumos agrícolas. Responsável pela elaboração de projeções e cenários de oferta e demanda para os mercados em curto, médio e longo prazo. É editor-chefe de Cartas de cunho de mercado de responsabilidade da Scot Consultoria (Grãos, Insumos e Boi), do Relatório do Mercado Terras, dos informativos “Boi Companhia” e “Tem Boi na Linha” e demais publicações da Scot Consultoria. Redator e revisor das análises da Scot Consultoria publicadas nas revistas Coopercitrus, Balde Branco, Agroanalysis, BroadcastAgro e outras publicações especializadas na área. Ministra palestras, cursos e treinamento nas áreas de mercado do boi, grãos e assuntos relacionados à pecuária e agricultura em geral.

<< Notícia Anterior
Buscar

Newsletter diária

Receba nossos relatórios diários e gratuitos

Assine nossa newsletter

Loja