Em julho a exportação perdeu volume, mas o gado embarcado esteve cotado em US$1.516,66 por cabeça, o maior valor já registrado. A exportação até julho foi de 743,7 mil cabeças, 30,3% maior que no mesmo período de 2025.
Foto: Marine Traffic
A exportação de gado fechou os sete primeiros meses de 2026 com 743,7 mil cabeças embarcadas, o melhor desempenho de janeiro a julho de toda a série iniciada em 1997. A exportação está 30,3% maior. No mesmo período de 2025 a exportação foi de 570,9 mil cabeças, um recorde para a época (figura 1).
Figura 1.
Volume exportado de janeiro a julho, de 1997 a 2026, em mil cabeças. 
Fonte: Secex / Elaborado por Scot Consultoria
Junho fechou em 136,8 mil cabeças, recorde para o mês e acima das 119,3 mil exportadas em junho de 2024. Com isso, o primeiro semestre terminou com 676,0 mil cabeças embarcadas, 39,8% acima das 483,5 mil do mesmo período de 2025.
Em julho, porém, o ritmo diminuiu. Caiu para 67,6 mil cabeças, o menor volume desde fevereiro, com queda de 22,7% ante julho de 2025 (87,5 mil cabeças) e de 35,3% na comparação com julho de 2024 (104,5 mil), recorde para o mês. Ainda assim, é o quarto melhor julho da série histórica.
A desaceleração veio acompanhada de alta nos preços. Em julho, a cotação/bovino embarcado foi de US$1.516,66, a maior da série histórica e 20,1% acima do melhor mês anterior a 2026. No ano, o preço por cabeça vinha de US$1.345,27 em junho e de US$1.065,73 em maio, o piso de 2026 (figura 2).
Figura 2.
Cotação média da exportação de gado, em US$ por cabeça, mês a mês, de 2024 a 2026. 
Fonte: Secex / Elaborado por Scot Consultoria
No ano, a exportação de gado está em US$932,3 milhões, alta de 74,0% sobre os US$535,9 milhões de janeiro a julho de 2025. Em apenas sete meses, o setor faturou mais do que em qualquer ano completo da série, com a única exceção de 2025, e chegou a 89,2% do total do ano passado.
Em julho, dois destinos concentraram os embarques. A Turquia levou 29,5 mil cabeças, 43,6% do total, e o Marrocos, 27,2 mil, ou 40,2%. Atrás estão o Iraque, com 5,7 mil cabeças (8,4%), o Líbano, com 2,3 mil (3,3%), e o Egito, com 2,2 mil (3,2%). Juntos, os cinco responderam por 98,8% do gado exportado no mês.
Entre os estados de origem, o Pará embarcou 36,9 mil cabeças em julho, 54,6% do total, pelo Porto de Vila do Conde. Na sequência apareceram São Paulo, com 9,8 mil cabeças (14,4%), o Paraná, com 6,8 mil (10,1%), o Rio Grande do Sul, com 6,7 mil (9,9%), e Minas Gerais, com 3,3 mil (4,9%). Os demais embarques somaram 6,1%.
Expectativa para agosto
Os dados preliminares da balança comercial (Secex) mostram que, nos 10 primeiros dias úteis de agosto, o Brasil exportou 39,0 mil toneladas de animais vivos, volume superior às 26,6 mil toneladas de todo o mês de agosto de 2025. Em média diária, o avanço é de 208,2%.
Convertido em cabeças, estimamos que o que já saiu nos 10 primeiros dias úteis equivale a cerca de 90,0 mil bovinos. Para o mês fechado, a estimativa é de mais de 120,0 mil cabeças embarcadas, o que colocaria agosto entre os dois melhores meses da série, perto do recorde mensal de 125,4 mil cabeças de agosto de 2024.
A frota ancorada reforça a leitura. Contabilizamos 10 navios transportadores de bovinos em pé em fundeio no Porto de Vila do Conde-PA e mais um atracado, com capacidade de carga somada estimada em 64,5 mil cabeças e tempo de carregamento da ordem de 30 dias.
Confirmada a estimativa, o Brasil chegaria a cerca de 864,0 mil cabeças em oito meses, 82,2% de tudo o que exportou em 2025. Se os quatro meses finais apenas repetirem o desempenho do ano passado, quando somaram 397,8 mil cabeças, 2026 fecharia perto de 1,26 milhão de cabeças, contra 1,05 milhão em 2025.
Mantido o preço médio de 2026, US$1.253,71 por cabeça, e sem supor nenhuma valorização adicional, a receita do ano fecharia perto de US$1,58 bilhão, 51,3% acima dos US$1,05 bilhão de 2025, que é o recorde atual. E mesmo no cenário em que o preço recuasse ao patamar médio do ano passado, US$995,44 por cabeça, o ano ainda terminaria em US$1,45 bilhão.
Ou seja, 2026 não deve ser só recorde de quantidade. É de faturamento também.
Engenheiro agrônomo, formado pela Esalq/USP, Piracicaba/SP, com período de graduação no programa de intercâmbio na Katholieke Universiteit Leuven (KU Leuven), Bélgica. Atua como analista de mercado, na elaboração de análises setoriais nas áreas de pecuária, grãos, suplementos minerais e fertilizantes.
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