• Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
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Couro bovino começa 2026 travado, com oferta alta e exportação mais fraca

Com abate elevado sustentando a produção, o mercado interno ganha volume enquanto o embarque perde ritmo, sobretudo pela menor compra chinesa.


Foto: Freepik

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O mercado de couro bovino iniciou o ano devagar. No Brasil Central, os preços estão estáveis, com o couro verde de primeira linha negociado por R$0,60/kg, e o couro comum por R$0,50/kg.

No Rio Grande do Sul, o movimento também foi de estabilidade, com o produto cotado por R$0,90/kg, à vista e sem impostos.

A oferta elevada acompanha o abate de bovinos, que está com volume elevado quando comparados à média dos últimos cinco anos. A disponibilidade de couro é estimada a partir do peso médio dos bovinos abatidos.

Em janeiro, o peso médio de carcaça esteve próximo de 262,25kg, o que corresponde a um peso vivo estimado de 524,5kg. Considerando que o couro representa cerca de 10,0% do peso vivo, a produção média por animal deve ser de aproximadamente 52,45kg.

Com uma estimativa inicial de abate de 3,15 milhões de cabeças em janeiro, baseada no ritmo dos abates sob inspeção federal (SIF), a produção bruta de couro deverá ficar entre 145 e 165 mil toneladas. Esse volume está próximo da estabilidade quando comparado a janeiro de 2025.

O mercado externo absorveu cerca de 49,7 mil toneladas, representando uma participação entre 30,1% e 34,3% da produção. Esse volume é 15,9% menor que o registrado no mesmo período de 2025, quando as exportações foram de 59,1 mil toneladas.

A retração da exportação ocorreu em função da redução das compras da China, responsável por 47,9% do volume exportado. A queda foi de 17,6% em relação a janeiro de 2025. Entre os três maiores compradores — China, Estados Unidos e Itália — apenas os Estados Unidos compraram mais couro brasileiro.

Figura 1. Couro
Faturamento, em milhões de US$, área, em milhões de m², e volume, em mil toneladas, exportados em janeiros de 2025 e 2026.

Fonte: Secex, CICB / Elaborado por Scot Consultoria

Diante de um mercado exportador mais fraco, a disponibilidade de couro no mercado interno ficou relativamente maior em comparação com os anos anteriores.

Esse cenário sustenta a expectativa de estabilidade nos preços e, eventualmente, queda, com o comportamento futuro dependente de um ajuste mais consistente entre oferta e demanda.

Pedro Gonçalves

Engenheiro agrônomo, formado pela FCAV/Unesp, Jaboticabal/SP. Atua na área de ciências agrárias, análises e consultoria de mercados agropecuários. Analista de mercado, com elaboração e realização de análises setoriais e pesquisas nos mercados do boi, carne e mercados internacionais, com enfoque para commodities agrícolas. Técnico da pesquisa-expedicionária “Confina Brasil” e coordenador da equipe de mídias sociais da Scot Consultoria

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