• Terça-feira, 13 de janeiro de 2026
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Scot Consultoria

Exportação de couro cresce em dezembro 6,3% em volume, mas faturamento anual cai 10,1%

A queda do faturamento com a exportação, apesar do maior volume de vendas é explicada pela menor participação do couro com maior valor agregado.


Foto: Shutterstock

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As exportações de dezembro atingiram um volume recorde de 63,3 mil toneladas, volume 26,6% maior que o de dezembro de 2024 (50 mil toneladas) e 4,8% maior que o de novembro de 2025 (60,4 mil toneladas). Em 2025 a exportação foi de 633,6 mil toneladas, um aumento de 6,3% sobre 2024.

Contudo, o faturamento em dezembro foi de US$ 95,4 milhões, 6,5% maior que em dezembro de 2024 e 0,03% menor que o de novembro de 2025. Em 2025, a receita foi de US$ 1,1 bilhão, uma redução de 10,1% na comparação com 2024.

Ao longo de todos os meses de 2025, a receita permaneceu abaixo da observada nos mesmos meses de 2024, com exceção de dezembro.

A discrepância entre volume e receita decorre de uma mudança na composição do material exportado. Com um menor volume de couros com maior valor agregado – couro acabado, wet-blue, semiacabado e crust (figura 1). Essa alteração na estrutura das exportações repercutiu no faturamento, que foi menor principalmente nas categorias de wet-blue, semiacabado e acabado (figura 2).

Os preços médios por tipo de couro em dezembro e suas variações em relação a novembro foram:

Couro salgado inteiro: R$0,46/kg (queda de 2,9%)

Couro salgado carnal: R$0,52/kg (alta de 9,2%)

Wet-blue: R$0,97/kg (alta de 1,0%)

Semiacabado: R$0,94/kg (queda de 2,6%)

Crust: R$9,16/kg (queda de 4,0%)

Acabado: R$10,94/kg (queda de 6,2%)

Figura 1.
Volume de couro por tipo, novembro vs. dezembro.
Fonte: Comex / Elaboração Scot consultoria

Figura 2.
Faturamento com couro por tipo, novembro vs. dezembro.
Fonte: Comex / Elaboração Scot consultoria

No mercado interno, a cotação do couro bovino não muda há quatro meses. A tendência de estabilidade se mantém neste início do ano. Na região Centro-Oeste, o couro verde de primeira linha foi negociado por R$ 0,60/kg, enquanto o couro comum esteve cotado em R$ 0,50/kg. Os preços são para pagamento à vista e livres de impostos.

Isso mostra a significativa diferença de valor agregado entre as etapas do curtimento. Enquanto o couro verde no mercado interno é transacionado por R$ 0,50/kg, o couro acabado para exportação alcança R$10,94/kg. O preço do couro processado é, portanto, 21,9 vezes maior que a da matéria-prima inicial, o que mostra o impacto do beneficiamento e corrobora com a análise acima sobre a receita das exportações ser determinada pela composição dos produtos exportados.

Marcelo Roschel

Zootecnista, formado pela UEMS/Aquidauana, Aquidauana/MS. Atua na área de ciências agrárias, análises e consultoria de mercados agropecuários. Analista de mercado, com elaboração e realização de análises setoriais e pesquisas nos mercados do boi, carne e mercados internacionais, com enfoque para commodities agrícolas e Analista de mercado da Scot Consultoria.

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