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Scot Consultoria

BSE atípica: considerações e expectativas


Segunda-feira, 6 de setembro de 2021 - 16h30

Médico veterinário, formado pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS, Câmpus de Campo Grande-MS, mestre em Administração de Organizações pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto - FEA-RP/USP. Possui MBA em Gestão Financeira pela UNOPAR. É analista e consultor de mercado da Scot Consultoria. Coordena a divisão de mercado de couro e sebo. É editor-chefe do informativo pecuário semanal Boi & Companhia, publicação da Scot Consultoria. Atuação nas áreas de análises, estabelecimento de cenários, estratégias de mercado, realização de projeções de preços, oferta, demanda, análises setoriais e pesquisa de opinião e imagem. Ministra aulas, palestras, cursos e treinamentos nas áreas de mercado do boi e assuntos relacionados à agropecuária em geral.


 


Na última semana o mercado do boi gordo trabalhou em compasso de espera, com a suspeita dos casos de vaca louca atípica (encefalopatia espongiforme bovina, BSE, na sigla em inglês), que vieram a ser confirmados em 4 de setembro.


Aqui teceremos algumas considerações sobre o que pode acontecer e o que esperar para o mercado nas próximas semanas.


Histórico 

Estes foram o quarto e quinto casos de vaca louca atípica identificados no Brasil. Os outros casos ocorreram no Paraná (2010) e em Mato Grosso (2014 e 2019). Na última semana foram confirmados dois casos, em Nova Canaã do Norte-MT e Belo Horizonte-MG.


Devido a um acordo com China, o Brasil se compromete a suspender a exportação de carne bovina frente a casos de BSE. Em 2019 isso ocorreu no final de maio e os embarques foram novamente liberados em menos de duas semanas.


Naquela época, o mercado do boi gordo cedeu 3,6%, no entanto, ainda em junho, o patamar de preços já superava a cotação anterior ao caso.


Mercado: pontos positivos

Em agosto foram embarcadas 110 mil toneladas de carne bovina in natura para a China (Secex/Abiec). Foi o maior volume já vendido para o país e nosso recorde geral de embarques de carne bovina in natura, considerando volume e faturamento.


O recorde anterior ocorreu em outubro de 2019, poucos meses depois da ocorrência de BSE anterior. Ou seja, quando o mercado chinês voltou a comprar, continuou com a demanda crescente, relacionada à menor produção de carne suína, por causa do surto que eclodiu em 2018 no Sudeste Asiático.


Outro ponto relevante é que a BSE atípica ocorre em animais velhos e a China compra do Brasil apenas bovinos jovens. O gado afetado não entrou na cadeia alimentar, foi descartado, e isso deixa esse fato ainda mais distante do nosso principal cliente.


Pensando mais longe. A China tem comprado menos da Austrália, por divergências políticas, a Argentina tem limitado o comércio exterior e ninguém sabe qual será a próxima medida do governo portenho.


Com isso, as compras chinesas de carne dos Estados Unidos têm aumentado muito este ano, mas com as relações entre os dois países sempre com algum ponto de atrito e, ter o fornecimento concentrado nos Estados Unidos não é das melhores estratégias.


Em outras palavras, não é interessante para a China prolongar a questão de algo que sabidamente não é um problema de saúde pública. A própria Organização Mundial de Saúde Animal aborda casos atípicos sem alteração de status do país.


Mercado: pontos negativos

Embora a expectativa seja de resolução em um horizonte de curto prazo, isso não quer dizer que não haverá um ajuste de produção. Este, inclusive, já vinha sendo feito sob o ambiente ainda de suspeitas.


A crise atual, diferentemente da observada em 2019, é de oferta mais confortável de gado. As vendas da produção de confinamentos já vinham mantendo o mercado do boi gordo, entre estável e pressionado, nas últimas semanas.


Resumindo

Esperamos um mercado turbulento em curto prazo, mas não acreditamos que os compradores alongarão demais o assunto, pelo cenário global de mercado.


Com gado em confinamento e dieta cara diminuindo as opções do produtor, devemos ter um período pressionado em curto prazo. Para quem está com o gado em confinamento, é uma situação que tem que ser analisada segundo a possibilidade de venda na região, as ofertas que estão à mesa, e assim por diante. 


Quem tem gado para vender, em algum sistema de custo mais leve, é possível que esse encontre preços melhores em algumas semanas.


Do lado das exportações e consumo, seguimos com expectativa de melhoria do escoamento doméstico na reta final do ano e com exportações em bom ritmo, após a definição do assunto.


Em resumo, temos mais um momento que nos faz lembrar da importância da gestão de risco de preços e da utilização de ferramentas para garantir preços.


 




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