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Scot Consultoria

Efeito do correto manejo da pastagem na resposta às práticas de correção e adubação do solo em sistemas de pastejo – parte 2


Quinta-feira, 5 de agosto de 2021 - 17h00

Zootecnista, professor de Forragicultura e Nutrição Animal no curso de Agronomia e de Forragicultura e de Pastagens e Plantas Forrageiras no curso de Zootecnia das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.


Foto: Bela Magrela


O objetivo da sequência de três artigos com este tema é descrever como o manejo da pastagem influencia a maximização da resposta da pastagem às práticas corretivas e de adubação do solo e para a nutrição equilibrada da planta forrageira.


Na primeira parte desta sequência de artigos foi descrito como as espécies de plantas forrageiras e seus cultivares influenciam na maximização da resposta da pastagem às práticas de correção e adubação do solo.


Nesta segunda parte, o objetivo é descrever como o padrão de estabelecimento da pastagem; a infraestrutura: área de lazer, cochos, bebedouro, o conforto animal e o manejo do pastejo influenciam na maximização da resposta da pastagem ao manejo da fertilidade do solo.


O estabelecimento da pastagem 

Para maximizar a resposta às práticas de correção e adubação do solo, a pastagem deverá ser bem estabelecida com estande de plantas uniforme e denso, já que a produção de forragem é resultante da interação entre número de plantas por área, o número e peso dos perfilhos por planta e o número e o peso de folhas por perfilho.


Até aqui, em fazendas de pecuária cujas pastagens já estão estabelecidas, quando o produtor decidir por adotar as práticas de correção e adubação do solo, recomenda-se que ele inicie pelas pastagens estabelecidas com forrageiras adaptadas às condições da região e com estande de plantas uniforme.


A infraestrutura da pastagem

O processo de colheita da forragem disponível tem que ser eficiente para que grande parte dos fatores de produção que entram no sistema (luz, temperatura, água de chuvas ou de irrigação, herbicidas, inseticidas, nutrientes etc.) sejam convertidos em produto animal. Para tal, é importante que o planejamento e a implantação da infraestrutura da pastagem tenham este objetivo. Assim planejar a modulação das pastagens em piquetes, localização e dimensionamento da fonte de água dos cochos para suplementação, do sombreamento... é fundamental para que o processo de colheita da forragem pelos animais em pastejo seja facilitada com o objetivo de ser eficiente.


O planejamento da infraestrutura ainda é importante para possibilitar a apartação do rebanho em lotes de animais homogêneos quanto à idade, o sexo, o peso e tamanho corporal, às exigências de manejo (reprodutivo, nutricional e sanitário) para evitar disputas pela hierarquia (dominância, liderança etc.) que causam estresse de alta intensidade que provoca queda no desempenho animal.


O manejo para o conforto animal

Por ocasião do planejamento e implantação da infraestrutura da pastagem é importante planejar condições de conforto para os animais já que são estes que irão converter a forragem consumida em produto animal. Vacas em lactação submetidas ao estresse calórico apresentaram menor absorção e assimilação de minerais, produziram menor volume de leite (entre 10 e 20%) e com menor concentração de proteína e gordura, e tiveram uma taxa de concepção 30 a 40% mais baixa que vacas que tiveram acesso à sombra ou foram resfriadas.


Animais machos da raça Nelore nas fases de recria e engorda que tiveram acesso à sombra durante 15 meses de avaliação apresentaram um ganho médio diário 11% maior, e ao abate produziram carcaças com uma espessura de gordura subcutânea 84% maior que animais que não tiveram acesso à sombra (tabela 6).


Tabela 6. Ganho médio diário, peso de carcaças quentes e espessura de gordura subcutânea de carcaças frias de bovinos Nelores submetidos ao sombreamento.


Tratamentos Idade (dentes) GMD (kg) Carcaça quente
Peso (kg)
Carcaça fria
EGS (mm)
T1: – Sombra 2,5 0,516 a 263,8 1,2 a
T2: + Sombra 2,0 0,574 b (+ 11%) 271,8 2,2 b

Fonte: BIZINOTO, 2005.


Assim, mesmo em solos de pastagens corrigidos e adubados, mas com animais submetidos a estresses pela dominância provocada pela heterogeneidade de apartação do lote e a disputa pelos recursos, água, suplemento e sombra; pelo calor e pela presença de lama etc., os nutrientes aplicados ao solo não serão convertidos com eficiência em produto animal.   


O manejo do pastejo

O manejo da pastagem é um conjunto de ações nos fatores solo-planta-animal e meio ambiente, que visam o bem-estar e a produtividade da comunidade de plantas e meio ambiente, enquanto o manejo do pastejo consiste no monitoramento e condução do processo de colheita da forragem produzida, pelos animais em pastejo.


Uma das formas de se avaliar a eficiência no uso dos fertilizantes é por meio da relação entre a quantidade de nutriente aplicada e a quantidade de nutriente exportada pelas colheitas, extraindo-se o balanço do consumo de nutrientes de uma determinada área ou região.


A eficiência de pastejo traduz a proporção da forragem acumulada que é consumida pelo animal, tal eficiência é afetada pelos fatores planta, animal e o manejo do pastejo. Na terceira e última etapa, a eficiência bioeconômica da adubação é determinada pela eficiência de conversão da forragem consumida em produto animal (kg MS/kg de ganho de peso corporal ou kg MS/kg de leite). Essa fase depende da qualidade da forragem e das características do animal.


O produto das eficiências parciais nas três etapas do processo de produção animal em pasto, que são: primeira ou de crescimento e acúmulo de forragem, cujo produto é dado em kg MS/kg de nutriente aplicado; a segunda ou de eficiência de pastejo ou de utilização da forragem acumulada e disponível, cujo produto é dado em porcentagem da forragem disponível ou acumulada que é consumida, e a terceira e última etapa ou de conversão da forragem consumida em produto animal, cujo produto é dado em kg MS/kg de produto animal define a eficiência de uso do nutriente do fertilizante na produção animal.


Observa-se na tabela 7, o impacto da eficiência do manejo da pastagem nas três etapas do processo de produção animal em pasto sobre a conversão do nitrogênio (N) em sistemas de produção de carne e leite em pasto.


Tabela 7. Intervalos de variação mais comuns das eficiências parciais dos componentes determinantes da produção animal em pastagens adubadas com nitrogênio e metas a serem buscadas no sistema de produção.


Componente Carne1 Intervalo Meta Leite2 Intervalo Meta
kg de MS/kg de N aplicado 15 a 45 Mais de 45 15 a 45 Mais de 45
Eficiência de pastejo (%) 40 a 55 Mais de 55 40 a 55 Mais de 55
kg de MS/kg de produto 14,5 a 18,0 12 a 16 1,25 a 2,5 Menos de 1,25
kg de produto/kg de N aplicado 0,5 a 1,7 Mais de 2,2 2,4 a 19,8 Mais de 19,8

Fonte: 1MARTHA JUNIOR et al., 2004; 2AGUIAR, 2007.


Na tabela 7, foi usado o N como exemplo para avaliar a sua conversão em produto animal para diferentes eficiências no manejo da pastagem nas três etapas do processo de produção animal. Entretanto, outros fatores de crescimento e produção, tais como luz solar, água, como outros nutrientes, podem ser avaliados nesta perspectiva.


Considerando o manejo de fertilidade de solo e a nutrição de plantas forrageiras, principalmente gramíneas, a conversão do N é a mais avaliada por causa das características deste elemento, tais como: é o que mais se perde facilmente, tem menor efeito residual, é o mais caro, como também é o modulador da produção em sistemas em pasto, numa figura de linguagem é “o freio e o acelerador” da produção. 


A amplitude mais comum na eficiência de uso do N-fertilizante e na eficiência do pastejo, verifica-se que a quantidade necessária para elevar 1 unidade animal (1 UA corresponde a 450 kg de peso corporal), na fazenda num período de 220 dias de chuvas, varia de 40 kg de N/UA a 200 kg N/UA. Em fazendas comerciais, a amplitude mais provável de ser encontrada seria de 60 kg a 170 kg de N/UA para as condições de manejo excelente e muito ruim, respectivamente.


Metas de manejo para capim‑marandu (Urochloa brizantha cv. Marandu) submetido a pastejo rotativo e a doses de N, de janeiro de 2009 a abril de 2010. Os tratamentos consistiram na combinação de duas frequências de pastejo, com alturas pré‑pastejo de 25 e 35 cm, e de duas doses de fertilizante nitrogenado, de 50 e 200 kg de N/ha/ano. A altura de pós‑pastejo estipulada foi de 15 cm em todos os tratamentos. Neste experimento o manejo correto do pastejo, com 25 cm de altura pré-pastejo, possibilitou uma produtividade de 680 kg de peso corporal/ha (PC), enquanto com 35 cm a produtividade foi de apenas 500 kg de PC/ha. Por outro lado, o aumento da dose de N de 50 kg/ha/ano para 200 kg de N/ha/ano, possibilitou um aumento na produtividade de 530 kg de PC/ha para 650 kg de PC/ha. Observa-se que o correto manejo do pastejo proporcionou aumento de 34% na produtividade de carne, enquanto o aumento na dose de N em quatro vezes, ou 300%, proporcionou um aumento de apenas 22%.


Assim, recomenda-se que o investimento em práticas corretivas e de adubação do solo da pastagem deve ser adotado apenas por produtores cujos funcionários de campo saibam manejar o pastejo corretamente.


Em setembro será publicada a terceira e última parte desta sequência de artigos – aguarde.




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