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Mitos e verdades das “novas soluções tecnológicas” para o manejo da fertilidade do solo da pastagem e para a nutrição da planta forrageira – parte 1


Quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020 - 05h45

por Adilson de Paula Almeida Aguiar

Zootecnista, professor de Forragicultura e Nutrição Animal no curso de Agronomia e de Forragicultura e de Pastagens e Plantas Forrageiras no curso de Zootecnia das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.


Foto: Scot Consultoria


Apenas 1,38% dos fertilizantes comercializados no Brasil são destinados às pastagens.


A área de pastagens brasileiras ocupa aproximadamente 22% do território nacional e 78% da área agricultável do país. Entretanto, das 31 milhões de toneladas de fertilizantes comercializados em 2013 apenas 1,38% foram destinados à aplicação em pastagens, ou seja, os cultivos agrícolas, que ocupam apenas 22% da área agricultável consumiram 98,62% de todo o fertilizante comercializado, sendo que apenas as culturas da soja, milho, cana-de-açúcar, café e algodão, consumiram 80% do total, o que é um paradoxo. 


Apenas 1,22% das pastagens são adubadas


Estima-se que as 428 mil toneladas de fertilizantes comercializados para pecuária foram aplicadas em apenas 1,22% da área de pastagens, ou seja, 98,78% da área não recebeu nada. Este cenário não tem sido alterado nos últimos seis anos. 


Pote de ouro ao final do arco-íris


Este contexto poderia ser analisado sobre vários pontos de vistas: o do pesquisador, o do consultor, o do pecuarista, o da indústria e o das empresas que desenvolvem e comercializam soluções tecnológicas para os pecuaristas. É o ponto de vista destas duas últimas que quero abordar neste artigo.


Os agentes daquelas indústrias:empresas sabem que a última “nova fronteira” para a adoção crescente de tecnologias é o setor da pecuária brasileira, digo aqui, as pastagens, já que os principais cultivos agrícolas já adotam pacotes tecnológicos que as colocam em situação de destaque internacional na adoção de tecnologias (café, cana-de-açúcar, citros, eucalipto, frutíferas, hortaliças, milho, seringueira, soja, etc.), enquanto a adoção de tecnologias na pecuária, particularmente para o manejo da fertilidade do solo, ainda é baixíssima.


Assim, qualquer nova tecnologia que for adotada pela pecuária é representativa já que a área de pastagens tem sido estimada em valores entre 172 a 200 milhões de hectares, ou seja, é um verdadeiro e grande “pote de ouro ao final do arco-íris”.


O objetivo deste artigo é abordar alguns mitos e verdades sobre as “novas soluções tecnológicas” para manejo da fertilidade do solo da pastagem e para a nutrição de plantas forrageiras que têm sido oferecidas e vendidas para os pecuaristas de carne e de leite. 


Correção do solo


Começando pelas soluções que têm sido recomendadas e vendidas para a correção do solo.


É sabido que a maioria dos solos da pastagem, é acido, pobre em bases (cálcio, magnésio e potássio), e ricos em ferro, alumínio, manganês, requerendo correções para que as produtividades agrícolas sejam maximizadas. Tradicionalmente tem sido recomendado o uso de calcários, principalmente os agrícolas (começam a reagir após 45 dias de sua aplicação) e o tipo “filler” (começa a reagir após 15 dias de sua aplicação). Outros corretivos foram validados pela pesquisa e são encontrados em tabelas de corretivos de praticamente todos os livros de manejo de fertilidade do solo e nos boletins de recomendações de correção e adubação das comissões de fertilidade de solo regionais, tais como a cal virgem e a cal hidratada, as escórias de altos fornos da indústria siderúrgica etc.. 


Calcário líquido é uma enganação


Nos últimos anos tem sido resgatada a recomendação de substituir os calcários agrícolas por cal (óxidos ou hidróxidos de cálcio e magnésio) e “surgiu” também no mercado a recomendação de substituir uma tonelada de calcário por cinco litros de calcário líquido (um quilo de calcário em pó bem fino em cinco litros de água). 


Nos poucos experimentos já realizados os pesquisadores concluíram que a cal virgem e a hidratada são altamente eficazes em corrigir a acidez do solo, resultado já validado por mais de quatro décadas, enquanto que o calcário líquido não apresentou nenhuma resposta, mesmo após 90 dias da sua aplicação, como já era esperado pelos especialistas, ou seja, uma verdadeira enganação. 


Inclusive na internet têm manifestos do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS) com os objetivos de alertar e informar, repudiando a recomendação e a adoção do calcário líquido como corretivo de solo.

Cal virgem e hidratada. A redução na dose aceitável é de apenas 50%. 


A cal virgem e a hidratada têm sido recomendadas principalmente nas situações em que é preciso de resposta rápida da correção do solo; a correção será feita superficialmente, sem a incorporação do corretivo, e através do sistema de irrigação. A despeito da alta eficácia da cal nestas situações, tem sido recomendada uma dose 10 vezes mais baixa do que a dose necessária se o corretivo fosse um calcário agrícola, o que não tem sustentação cientifica. A redução na dose aceitável é de apenas 50%. 


Em março darei sequência neste artigo. Fique ligado!





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