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Scot Consultoria

Devagar e sempre...


Sexta-feira, 30 de agosto de 2019 - 13h25

por Leandro Bovo

Médico veterinário, pós-graduado pela ESPM, MBA em finanças pelo Insper-SP e sócio diretor da Radar Investimentos


Foto: Scot Consultoria


Depois do forte aumento de oferta em meados de julho, precipitado pelas geadas em São Paulo e Mato Grosso do Sul, o mercado do boi gordo vem trabalhando em ambiente firme e, aos poucos, a diminuição da oferta vai ditando o ritmo das cotações.


Hoje existem duas situações bastante distintas entre as indústrias frigoríficas, as que têm contratos a termo e as que não têm. Quem trabalha com essa modalidade e possui parcerias com os maiores confinadores tem pouca necessidade de compra no mercado disponível e consegue seguir sem muitos problemas. Já quem não trabalha com essa modalidade sente de forma mais forte a redução de oferta e tem que, aos poucos, pagar mais para conseguir o produto.


A alta, porém, tem vindo a conta gotas e até agora no ano ainda não houve momentos de alta forte e generalizada nos preços, como já ocorreu em outros anos. Como a oferta de animais confinados em São Paulo ainda está razoável, as subidas de preço têm conseguido encontrar oferta e não há indícios de que essa dinâmica vá se alterar no curto prazo.


A subida do dólar, que, mesmo depois dos leilões de venda do Banco Central, tem se sustentado acima dos R$4,15, beneficia enormemente os exportadores e dá fôlego e margem para o atual ritmo de alta no mercado físico. É bem provável que esse ritmo fosse muito mais intenso se tivéssemos conseguido a habilitação da lista das 19 plantas adicionais para exportação para a China, porém, mesmo com o déficit crescente de proteínas por lá, aparentemente não existe uma boa vontade ou indicações concretas de que isso aconteça no curto prazo.


Com esse cenário, os preços do mercado futuro retomaram a trajetória de alta, sem, contudo, conseguir romper as máximas do ano até agora. O contrato de out/19 é negociado ao redor de R$161,00/@, nov/19 a R$163,00/@ e dez/19 a R$ 163,50/@, porém, ainda com volumes pequenos e pouca oscilação intradiária, como, aliás, tem sido a regra das últimas semanas. O lado positivo disso é que a volatilidade baixou bastante, barateando o preço das opções, para quem quiser comprar alguma proteção para o restante do ano.



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