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Scot Consultoria

Diagnóstico técnico e econômico de fazendas de pecuária de corte: desafios e oportunidades nesta atividade


Segunda-feira, 27 de março de 2017 - 16h15

Zootecnista, professor de Forragicultura e Nutrição Animal no curso de Agronomia e de Forragicultura e de Pastagens e Plantas Forrageiras no curso de Zootecnia das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Consultor Associado da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda; investidor nas atividades de pecuária de corte e de leite.


Foto: Scot Consultoria


Prezado leitor, estou tendo a honra de estar escrevendo pela primeira vez como articulista para as mídias da Scot Consultoria. A honra é por causa da minha admiração e respeito por todo o trabalho e contribuição para a pecuária nacional que a Scot tem proporcionado, e pelas pessoas dinâmicas, competentes e especiais que compõem a equipe desta empresa, das quais também tenho grande admiração e amizade.


O meu objetivo é contribuir por muitos anos com artigos que terão inicio com conteúdos de alerta sobre os desafios, mas principalmente sobre as oportunidades na atividade de pecuária de corte, dando sequencia com artigos de abrangência técnica e econômica que trarão o passo a passo para o pecuarista e todos que direta ou indiretamente investem e trabalham na atividade para implantar e conduzir projetos rentáveis e competitivos de produção de carne bovina em pasto.


Vamos em frente?


Uma empresa de pecuária de corte como qualquer outra empresa, tem suas particularidades próprias do negócio em si. Uma das mais evidentes é o montante de capital imobilizado em ativos permanentes (ou imobilizados) e de médio prazo (ou intermediários) como também em custos fixos e em despesas administrativas. Como que estas particularidades impactam o negócio de produção de carne bovina?


Quando um consultor visita uma propriedade pela primeira vez com o objetivo de emitir um diagnóstico da situação atual e da potencial daquela empresa ele inicia seu trabalho com o inventário dos recursos disponíveis: climáticos, solos, infraestrutura, rebanho, recursos humanos, tecnologias adotadas, recursos financeiros ....


Ao terminar o inventario é possível diagnosticar que:


         (a) a maior parte do capital daquela empresa está imobilizada no ativo, terra. Em um trabalho apresentado no VI Congresso Latino Americano de Nutrição Animal (CLANA), realizado em Campinas, SP (AGUIAR, 2014), promovido pelo Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA) eu demonstrei que em uma fazenda de cria localizada no Mato Grosso (MT), 81,0% e 89,4% do capital na atividade estava imobilizado no ativo, terra, para proporções de área de reserva legal de 20 e 80,0%, respectivamente. Durante o INTERCONF 2013, realizado em Goiânia, Goiás (AGUIAR, 2013) eu demonstrei que em uma fazenda de recria:engorda localizada no Mato Grosso do Sul (MS), 81,4% do capital estava imobilizado no ativo, terra.


O capital imobilizado em terra resulta em um custo de oportunidade do capital investido neste ativo. No diagnóstico da pecuária de corte do MT, realizado pela FAMATO:IMEA, relativo a 2010, 16,3% do custo de produção de uma arroba era relativo ao custo de oportunidade do capital na terra (BOVINOCULTURA MATOGROSSENSE: caracterização da Bovinocultura do Estado do Mato Grosso, FAMATO:IMEA, 2011);


           (b) que por menor que seja a propriedade há muito capital imobilizado em benfeitorias e edificações: corredores, estradas, piquetes (cercas, bebedouros, cochos, pastagens), curral, casas, galpões ... Em um levantamento realizado em 2015, em uma propriedade de recria:engorda no estado da Bahia (BA) que está expandindo seus negócios com a compra de novas áreas, o investimento médio em benfeitorias e edificações foi de R$2.800,00 por hectare, elevando o valor do capital imobilizado, no ativo, terra, de R$5.300,00, pagos na terra nua, para R$8.100,00 com a soma do capital investido na infraestrutura.


Neste caso particular o valor das benfeitorias e edificações representou 34,6% do capital imobilizado. Estes ativos fazem parte da propriedade em si e são comercializados juntos com a terra. Todos são classificados como ativos permanentes e de baixa liquidez;


            (c) capital em maquinas, implementos e veículos. Naquela mesma propriedade da BA, o investimento nestes ativos representou quase R$1,00 milhão e R$114,00 por hectare de área útil. Por sua vez estes ativos são classificados como médios e de media liquidez.


Tanto ativos permanentes e médios são depreciados (com exceção do ativo, terra) ao longo de sua vida útil e uma taxa de remuneração deste capital deve ser apropriada para o calculo dos custos fixos. Naquele diagnóstico da pecuária de corte do MT, realizado pela FAMATO:IMEA, em 2010, 1,86% do custo da arroba produzida foi referente aos custos fixos, mas no trabalho que eu apresentei no VI CLANA (AGUIAR, 2014), em propriedades de cria do MT os custos fixos representaram entre 15,0 a 19,0% do custo operacional. Entretanto, em diagnósticos feitos pela Consupec em 35 propriedades da Bahia (BA) e 36 do norte de Minas Gerais (MG), aqueles custos representaram 12,0% do custo operacional, enquanto em propriedades do Paraná (PR) e do Pará (PA), em fazendas de ciclo completo, aqueles custos chegaram a 17,0% e 19,0% do custo operacional, respectivamente. E em uma propriedade de recria:engorda do MS este valor passou de 71,0%;


                (d) em muitas empresas as despesas administrativas podem ser representativas: escritório, imobiliário deste escritório, funcionários, viagens, promoção da atividade, energia, internet, assinaturas de jornais, revistas, treinamentos; pagamentos para associações, sindicatos, pagamentos de impostos e taxas .... Naquele diagnóstico da pecuária de corte do MT, realizado pela FAMATO:IMEA, em 2010, 18,1% do custo da arroba produzida foi referente a despesas administrativas, mas no trabalho que eu apresentei no VI CLANA, (AGUIAR, 2014), em propriedades de cria do MT, as despesas administrativas representaram 3,0% do custo operacional, enquanto, nos diagnósticos feitos pela Consupec em 35 propriedades da BA e 36 do norte de MG, as despesas administrativas representaram 8,0% do custo operacional; em propriedades do PA e do PR chegaram a 7,0 e 13,0%, respectivamente, enquanto em uma propriedade de recria:engorda do MS chegou a 24,0% do custo operacional;


                (e) por menor que seja a propriedade se a mesma não for operada pelo proprietário deverá ser operada por alguém contratado e este contrato irá gerar um custo com mão de obra permanente, o qual representou 17,3% em fazendas do PR.


Por outro lado aquele consultor poderá também diagnosticar que o número de animais do rebanho é relativamente pequeno e que os custos variáveis para custear este rebanho também são relativamente baixos. Em cálculos que eu tenho realizado desde 2006, com base no ultimo Censo Agropecuário (IBGE, 2006) a taxa de lotação média dos estados onde eu tenho trabalhado, tem variado entre 0,4 UA/ha ou 0,58 cabeça/ha no Piauí a até 1,40 UA/ha ou 1,82 cabeça/ha no PR.


Estima-se que no Brasil a taxa de lotação média não passe de 0,84 UA/ha ou 1,1 cabeça/ha. O relatório do DIEESE, publicado em 2011 (DIEESE, 2011) fornece mais indicadores da taxa de lotação nas pastagens brasileiras: em 52,5% da área de pastagem do país a taxa de lotação estava abaixo de 0,40 UA/ha, em 25,1% entre 0,4 e 0,8 UA/ha, em 18,3% entre 0,8 e 1,5 UA/ha e em apenas 4% tinha taxa de lotação acima de 1,5 UA/ha.


Em fazendas de cria no MT, o capital imobilizado no rebanho representava apenas 8,1 a 14,5% do capital imobilizado na atividade, para fazendas que tinham que deixar, respectivamente, 80,0% e 20,0% da área total para reserva legal, enquanto que em fazendas de recria:engorda aqueles valores variaram entre 9,2 a 16,3% (AGUIAR, 2014). Em uma fazenda de recria:engorda do MS o capital no ativo animal (rebanho) representava apenas 12,89% do capital na atividade, enquanto em fazendas do estado do MS, aquele ativo representava apenas 13,39% do capital (AGUIAR, 2013; ANUALPEC, 2013, respectivamente). Animais e dinheiro para o custeio são por sua vez ativos circulantes e de alta liquidez.


Com baixas taxas de lotação o custeio com os animais (mão de obra variável, reprodução, manejo de pastagens, suplementação, sanidade, etc.) também é relativamente muito baixo. Em fazendas de cria do MT o custeio com o rebanho representava em média 2,75 e 4,8% para propriedades que tinham, respectivamente, 80,0 e 20,0% da área total em reserva legal, enquanto em fazendas de recria:engorda variava entre 1,65 e 3,0% do capital imobilizado para 80,0 e 20,0% de reserva legal. Em uma fazenda de recria:engorda do MS o capital em custeio representava 5,15% do capital na atividade, enquanto em fazendas que desenvolviam a mesma atividade no MS aquele valor representava 5,36% (AGUIAR, 2013; ANUALPEC, 2013, respectivamente).


A análise das relações, ativos circulantes:ativos médios e permanentes possibilita a avaliação da “saúde” da empresa em termos financeiros. Neste sentido o que é mais frequente, na quase totalidade dos diagnósticos que eu tenho feito nos últimos 15 anos é concluir que a “saúde” das empresas de pecuária de corte vai mal porque a maior proporção do capital está imobilizado em ativos de baixa liquidez e que não impactam a produção e a produtividade diretamente.


Então qual parâmetro pode ser analisado para diagnosticar se a “saúde econômica” da atividade pecuária vai bem ou mal? A rentabilidade ou o retorno sobre o capital investido no negócio, reflete a eficiência de como a atividade vem sendo gerida.


No trabalho que eu apresentei no VI CLANA (AGUIAR, 2014) o retorno sobre o capital investido na atividade de cria no MT, incluindo o ativo, terra, variou em média entre 2,76 e 1,54% para propriedades que tinham, respectivamente, 20,0 e 80,0% de reserva legal, enquanto que em fazendas de recria:engorda o retorno sobre o capital investido variou entre 3,0 e 1,65% para 20,0 e 80,0% de reserva legal, respectivamente. Nos diagnósticos feitos pela Consupec em 35 propriedades da BA e 36 do norte de MG, o retorno variou entre 2,11 a 6,8%. Já em uma fazenda de recria:engorda localizada no MS o retorno foi de 1,8%, enquanto no estado foi de 1,35% (AGUIAR, 2013; ANUALPEC, 2013, respectivamente).


Estes retornos são pouco atrativos em um país onde a taxa básica de juros (taxa SELIC) foi em média 13,37 e 14,18% em 2015 e em 2016, respectivamente. Com uma inflação 10,67 e 6,29% (pelo IPCA) em 2015 e em 2016, respectivamente, o Brasil continua tendo a maior taxa real de juros do mundo. Neste contexto, investir em pecuária de corte parece não fazer sentido, ou ser uma decisão irracional, a não ser que seja exatamente uma decisão emocional, ou usando do argumento de ser uma atividade segura (nem tanto hoje em dia por causa da insegurança no campo, dos conflitos pela terra, e das injustiças em relação à atividade agropecuária), ou pela valorização da terra. De fato este último argumento é o que mais faz sentido para se entender porque investir em uma atividade de tão baixo retorno. Segundo o colega Zootecnista, Antônio Chaker Neto, da Inttegra, de Maringá, PR, a terra costuma valorizar até 8 vezes o que gera de caixa.


Segundo o relatório de preços de terras constante do ANUALPEC 2015, entre 2012 e 2014 a valorização média no preço da terra no Brasil foi de 55,0%. Por outro lado, quanto maior for a valorização da terra sem uma contrapartida no aumento da produtividade, mais baixo ainda será o retorno sobre o capital imobilizado, já que o ativo terra terá sua proporção aumentada na composição do valor investido. Mas mesmo se o produtor decidisse por manter o ativo terra como estratégia de ganhos patrimoniais ele ainda poderia estar comparando os retornos do seu negócio de pecuária de corte com alternativas de uso da terra, tais como produção de cana-de-açúcar, reflorestamentos, produção de látex, de grãos ...


A pergunta é, qual, ou quais, iniciativas e ações deveriam ser tomadas pelo pecuarista para aumentar o retorno do seu negócio na pecuária de corte. A resposta passa pelo aumento da escala de produção. Basicamente são duas as estratégias para se alcançar tal objetivo: o aumento da escala pela estratégia do crescimento horizontal, comprando mais terras e mais animais, estratégia tradicionalmente adotada há séculos pelos pecuaristas brasileiros. Ou pela estratégia do crescimento vertical, aumentando a taxa de lotação da terra já em uso e do desempenho dos animais do rebanho, aumentando assim a produtividade da terra.


No “benchmarking” 2013 dos clientes da empresa de consultoria Exagro (GARCIA, 2014), foi demonstrada a alta correlação entre desempenho por animal e lucro por hectare (R2 = 0,90) e entre produtividade por hectare (arrobas/ha) e lucro por hectare (R2 = 0,986). Eu vou concluir este artigo demonstrando a viabilidade técnica e econômica desta segunda estratégia: a do crescimento vertical.


No trabalho apresentado no VI CLANA (AGUIAR, 2014) eu comparei resultados técnicos e econômicos de fazendas de cria e de recria:engorda, com os indicadores médios alcançados pelos produtores do estado do MT, com algumas fazendas referências. Fazendas com taxa de desmama de 57,0, 68,0 e 80,0%; com pesos a desmama de 160, 190 e 220 kg e taxas de desfrute de 12,0, 31,0 e 34,0% e denominei estes sistemas de 57, 68 e 80. Conclui que o retorno sobre o capital investido saltou de 0,68, para 4,85 e 4,95% para os sistemas 57, 68 e 80, respectivamente.


O lucro por hectare aumentou em 7,2 e 7,5 vezes nos sistemas 68 e 80, apesar dos custos de produção terem aumentado em 21,4 e 55,7%, respectivamente. Para alcançar estes aumentos foram utilizadas técnicas e tecnologias destinadas a aumentar apenas a produtividade por animal, tais como: adoção de inseminação artificial com sêmen de touros melhoradores, melhoramento genético através do método da seleção; melhoria nos programas de prevenção de doenças, de controle de endo e ectoparasitos, de suplementação ..., mas as taxas de lotação ainda permaneceram baixas, na amplitude de 0,78 a 0,93 UA/ha.


Mas ao aumentar a taxa de lotação para 1,5 UA/ha a partir do uso das tecnologias de correção e adubação do solo, o retorno sobre o capital investido alcançou 6,3% no sistema 80, e o lucro por hectare foi aumentado em 11 vezes, quando se comparou com o sistema 57. O capital em terra foi reduzido proporcionalmente de 81,2 para 80,3, 79,4% e 69,6% nos sistemas 57, 68, 80 com 0,84 UA/ha, e 80 com 1,5 UA/ha, respectivamente, enquanto o capital no rebanho foi aumentado de 14,5 para 19,8% e o custeio de 4,3 para 10,6% quando se comparou o sistema 57 e 80 com 1,5 UA/ha.


No mesmo trabalho, Aguiar (2014) comparou diferentes níveis de suplementação de animais de recria:engorda, desde apenas suplementação mineral, passando pela suplementação mineral:ureia; suplementos múltiplos de baixo (1 a 2 g/kg de peso corporal) e médio consumo (3 a 4 g/kg de peso corporal) até suplementação concentrada com 0,5 e 1,0% do peso corporal dos animais. Estes diferentes padrões de suplementação permitiram a redução da idade ao abate de 40 para 23 meses e concluiu que o retorno sobre o capital investido saltou de 3,17% para 6,14% quando a idade ao abate foi reduzida de 40 (apenas suplementação mineral) para 27 meses (com 0,5% do peso corporal, melhor resultado nesta avaliação), enquanto o lucro por hectare praticamente foi dobrado. Entretanto, as taxas de lotação ainda foram mantidas baixas, em 0,84 UA/ha, mas quando esta variável foi aumentada para 1,5 UA/ha e 3,0 UA/ha, o retorno sobre o capital investido foi aumentado para 8,07 e 11,1%, e o lucro por hectare foi aumentado em 2,94 e em 5,3 vezes, respectivamente, quando comparado com o sistema 40 meses com 0,84 UA/ha.


Em uma fazenda de recria:engorda localizada no MS antes da intensificação 81,94, 12,89 e 5,13% do capital estavam imobilizados respectivamente na terra, nos animais e no custeio, enquanto que na área intensificada as proporções daqueles ativos foram alteradas para 40,49; 45,5 e 13,99%, respectivamente. As tecnologias adotadas neste caso para a intensificação da produção foram as de correção, adubação e irrigação do solo da pastagem.


Apesar do capital investido na atividade ter aumentado em 3,7 vezes na área intensificada (aumentos de 1,83 vezes no preço da terra devido à implantação de dois pivôs centrais, de 13,07 em animais e de 10,06 vezes no custeio) o custo médio por arroba produzida foi reduzido em 8,33% devido ao efeito de diluição dos custos fixos e das despesas administrativas, causado pelo aumento da produtividade. Por outro lado o lucro por hectare foi aumentado em 13,53 vezes na área intensificada. Considerando a propriedade como um todo, ao intensificar 18,76% da área útil apesar do capital investido na atividade ter aumentado em 1,5 vezes o custo médio por arroba produzida foi reduzido em 4,36% devido ao efeito de diluição dos custos fixos e das despesas administrativas, causado pelo aumento da produtividade. Por outro lado o lucro por hectare foi aumentado em 3,31 vezes (AGUIAR, 2013).


Para não deixar em aberta a resposta a uma possível pergunta: e o impacto do aumento da escala de produção através da estratégia de aumento horizontal, não seria mais viável? No caso desta propriedade de recria:engorda do MS, se o produtor precisasse e quisesse produzir a mesma quantidade de carne alcançada com a adoção da estratégia de aumento vertical da escala de produção, mas com a estratégia de aumento horizontal, e fosse comprar mais terras na região onde se encontra sua propriedade ele teria que investir um capital, 5,13 vezes maior do que o investido na intensificação em sua própria fazenda, enquanto que o custeio anual da intensificação ficou num valor 23,3 vezes menor do que o capital que seria imobilizado na compra de mais terras (AGUIAR, 2015).


Em uma fazenda de recria:engorda localizada no norte de MG a intensificação de 48,46% da área útil de pastagem (40,0% através das tecnologias de correção e adubação do solo, e 8,46% através da correção, adubação e irrigação do solo) possibilitou aumentos de produtividade de carne de 2,35 vezes na fazenda como um todo. Se o proprietário precisasse e quisesse produzir a mesma quantidade de carne alcançada com a adoção da estratégia de aumento vertical da escala de produção, mas com a estratégia de aumento horizontal, e fosse comprar mais terras na região onde se encontra sua propriedade ele teria que investir um montante de capital, 2,09 vezes mais alto que o valor que ele investiu na intensificação, enquanto que o custeio anual da intensificação ficou num valor 4,28 vezes menor do que o capital que seria imobilizado na compra de mais terras (AGUIAR, 2015).


Em uma fazenda de ciclo completo (cria:recria:engorda) localizada no estado do PR a intensificação de 13,51% da área útil de pastagem através da tecnologia de correção e adubação do solo possibilitou aumentos de produtividade de carne de 1,34 vezes na fazenda como um todo. Mas se o proprietário precisasse e quisesse produzir a mesma quantidade de carne alcançada com a adoção da estratégia de aumento vertical da escala de produção, mas com a estratégia de aumento horizontal, e fosse comprar mais terras na região onde se encontra sua propriedade ele teria que investir um montante de capital, 14,82 vezes mais alto que o valor que ele investiu na intensificação, enquanto que o custeio anual da intensificação ficou num valor 23,25 vezes menor do que o capital que seria imobilizado na compra de mais terras (AGUIAR, 2015).


Conclui-se que a adoção de técnicas e de tecnologias que possibilitam aumentos no desempenho por animal (aumentos nas taxas de fertilidade, de nascimento e de desmama, do peso à desmama; do ganho médio diário ...) e da taxa de lotação das pastagens, concorre para o aumento da produtividade da terra de pastagem (kg de bezerros desmamados/ha/ano, kg de carcaça/ha/ano ...) e da escala de produção da propriedade no sentido vertical, resultando em redução da proporção do capital imobilizado no ativo, terra, e aumento da proporção do capital nos ativos animal e custeio, ativos estes circulantes e de alta liquidez, tornando a atividade rentável e competitiva.


REFERÊNCIAS


AGUIAR, A. P. A. Estudo de caso: indicadores técnicos e econômicos de uma propriedade de pecuária de corte explorada com dois níveis tecnológicos de produção em pasto. Palestra apresentada durante o INTERCONF:ASSOCON, Goiânia, 2013.


AGUIAR, A. P. A. Uso dos indicadores zootécnicos na gestão dos resultados econômicos da pecuária em pasto. Palestra apresentada durante o 6º Congresso Latino Americano de Nutrição Animal (VI CLANA), CBNA, São Pedro, SP, 2014.


AGUIAR, A. P. A. Pastagem intensiva x Arrendamentos: o que é mais rentável? Palestra apresentada durante o 3º Encontro de Adubação de Pastagens da Scot Consultoria, Ribeirão Preto, SP, 2015.


ANUALPEC Anuário Estatístico Pecuária Brasileira, 2013, Informa Economics FNP, São Paulo: Pecuária de Corte: custos. p. 166-176.


ANUALPEC Anuário Estatístico Pecuária Brasileira, 2015, Informa Economics FNP, São Paulo: Terras. p. 225.


BOVINOCULTURA MATOGROSSENSE: caracterização da Bovinocultura do Estado do Mato Grosso, FAMATO:IMEA, 2011, 102 p.


DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS (DIEESE). Estatísticas do meio rural 2010-2011. 4ª ed. Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos: Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural: Ministério do Desenvolvimento Agrário. São Paulo: DIEESE: NEAD: MDA, 2011. 292 p.


GARCIA, M. Parâmetros e indicadores da pecuária sob uma ótica empresarial. Palestra apresentada durante o congresso de sustentabilidade na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), EXAGRO, 2014


IBGE – CENSO AGROPECUÁRIO 2006. Rio de Janeiro: IBGE, 2009. 777 p.





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