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IPCA de 2016 encerra em 6,29% e perspectiva é que fique abaixo do centro da meta em 2017


Sexta-feira, 13 de janeiro de 2017 - 15h45

Parallaxis Consultoria - informações sob indicadores econômicos em geral.


Foto: static.wixstatic.com


O IPCA de dezembro/16 registrou inflação mensal de 0,30%, acelerando ante novembro/16, quando havia apresentado variação de 0,18%. Com esse resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou, de 6,99% em novembro, para 6,29% neste mês, ficando bem abaixo do mesmo mês de 2015 (0,96%), e abaixo do teto da banda de flutuação da meta perseguida pelo Banco Central.


Em relação à nossa expectativa (projeção Parallaxis: 0,39%) o resultado veio abaixo, surpreendendo positivamente, ao passo que a mediana do mercado, publicado pelo AE-Broadcast, era de 0,32%. O resultado foi inferior ao que antecipávamos, dado que esperávamos maior pressão dos preços no grupo Alimentação e Bebidas e uma deflação menos intensa no grupo Habitação.


Figura  1. 
Variação do IPCA de dezembro de 2015 até dezembro de 2016.



Fonte: IBGE


Em relação ao mês anterior, entre os nove grupos que compõem o indicador, cinco demonstraram inflação mais intensa (alimentação e bebidas, vestuário, transporte, despesas pessoais e educação), dois desaceleraram a inflação (saúde e cuidados pessoais e comunicação) e dois apresentaram deflação mais intensa (habitação e artigos de residência).


Tabela 1.
Variações do IPCA em novembro e dezembro em diferentes setores.



Fonte: IBGE


Analisando por ordem de importância na composição do resultado, com impactos positivos: Transportes (0,20 p.p.), Despesas pessoais (0,11 p.p.), Saúde e Cuidados Pessoais (0,06 p.p.). No sentido oposto, com impacto negativo na taxa: Habitação (-0,09 p.p.).


Na análise por itens e subitens, no grupo Alimentação e Bebidas muitos apresentaram deflação, porém, itens importantes inflacionaram e foram determinantes. Destacamos os seguintes: arroz (0,21%), carnes (0,77%), frutas (3,39%), óleo de soja (6,17%), cebola (4,98%) e pescado (2,84%). No grupo Transportes, os itens passagens aéreas (26,29%), gasolina (1,75%), seguro voluntário de veículo (2,92%), diesel (1,47%), etanol (0,75%) e conserto de veículo (0,57%) foram os destaques.  Em Despesas pessoais, os itens de maior impacto foram cigarro (4,80%), excursão (0,91%), empregado doméstico (0,87%) e cabeleireiro (0,53%).


Nos demais grupos, ainda se destacaram os itens: artigos de limpeza (1,18%), plano de saúde (1,07%), mão de obra para pequenos reparos (0,87%), roupa masculina (0,72%), roupa feminina (0,66%).


Tabela 2.
Contribuição por grupo na variação mensal.



Fonte: IBGE


O IPCA acelerou ante novembro, influenciado principalmente pela elevação dos preços das Passagens aéreas (período de férias) e dos Combustíveis. Mesmo assim, dezembro apresentou uma taxa bem atípica para o período, levando o IPCA a encerrar o ano dentro da banda de flutuação da meta inflacionária. A desinflação na comparação com 2015 veio da menor inflação dos preços administrados, especialmente energia/combustíveis e também do comportamento mais benigno dos preços dos produtos alimentícios.


Em tempo, destacamos a desinflação em todas as medidas de núcleos, especialmente na inflação de serviços, que recuou de 8,2% em 2015 para 6,5% em 2016, fato que já tínhamos alertado que ocorreria desde meados de 2015 dada a intensificação do ajuste no mercado de trabalho.


De tal sorte, esperamos que o COPOM eleve o ritmo de corte para 0,50 p.p. na reunião de hoje (11/1), à luz dos desdobramentos recentes, sobretudo da melhora das expectativas de inflação para este ano e da piora da atividade. Com bastante espaço para corte, esperamos que a Selic encerre 2017 em 10,50% a.a..


Destacamos que o aumento no ritmo do corte dos juros é crucial para colocar a taxa de juros real em território menos contracionista e auxiliar a recuperação e o processo de desalavancagem do setor privado. 


O baixo nível de atividade, confirmado pela piora dos indicadores de atividade, a distensão do mercado de trabalho e a queda dos salários reais, juntamente com o recuo dos preços de alimentos, já estão exercendo pressão deflacionária significativa no curto e médio prazos. Além do mais, as expectativas de mercado para inflação seguem bastante comportadas e em trajetória de queda. Em 2017 esperamos que o IPCA encerre em 4,4% e para 2018 a tendência que o indicador chegue a 4,0%.



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