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Scot Consultoria

Entenda: Operações de barter


Terça-feira, 18 de março de 2014 - 15h35

Zootecnista pela UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.


A operação de barter (palavra em inglês que significa "permuta")surgiu como uma oportunidade para facilitar a aquisição de insumos pelos produtores rurais e como uma forma segura para as empresas fornecedoras destes insumos comercializarem seus produtos.


Em termos práticos, significa antecipar as vendas de sementes, defensivos, fertilizantes e corretivos para os produtores rurais em troca do recebimento de um volume da colheita futura.


Essa negociação é vantajosa para o produtor, pois permite o planejamento da produção agrícola e o dimensionamento da rentabilidade, e também para a indústria compradora, já que garante o pagamento e possibilita a venda de mais produtos ou serviços ao mesmo cliente.


O barter surgiu no Brasil no início da década de 90, com o interesse das tradings (empresas comercializadoras de grãos) em negócios de compra e venda de soja no Cerrado.


No início ficou conhecida como "operação soja verde", na qual a trading realizava o pagamento antecipado de um contrato de soja e o agricultor tinha o compromisso de produzir e entregar a produção, nos termos do contrato. Neste período, o financiamento agrícola era quase que exclusivamente oferecido pelo governo e estava sujeito às oscilações da disponibilidade de recursos devido a crises ou endividamentos do estado brasileiro.


Hoje em dia ocorre não só a troca de insumos por grãos, mas também por carne bovina. No mercado existe, inclusive, a possibilidade da aquisição de insumos para a produção pecuária em troca do pagamento, em reais, indexado na arroba do boi no vencimento do contrato.


Para a sustentabilidade das negociações, o produtor, cooperativa ou associação tem a possibilidade de emitir a Cédula do Produto Rural (CPR), onde está a descrição da troca e o compromisso de entrega. É uma garantia para a empresa fornecedora do insumo e para a trading que está operando, pois a liquidação da CPR só ocorre com a entrega física da mercadoria. A CPR é positiva para as relações de crédito no agronegócio e facilita o crescimento deste tipo de negociação no país, com a maior credibilidade e entrada do capital privado.


A principal barreira deste tipo de negociação é prever as condições do mercado no momento da colheita, além dos problemas logísticos para a entrega da produção, como o preço do frete, a falta de estrutura para escoamento da produção e a flexibilidade necessária para o armazenamento.


Segundo estimativas de agentes-chave consultados, de 25,0% a 30,0% das vendas de insumos ocorram através do modelo de barter. Entre as principais commodities usadas na operação está a soja, milho, algodão, café e açúcar.


Para que ocorra essa troca é importante a previsibilidade de preços e a possibilidade de travamento no mercado futuro.


Colaborou Stéphanie Vicente, graduanda em engenharia agrônomica e em treinamento pela Scot Consultoria.



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