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Scot Consultoria

Mercado nacional – consumo de fertilizantes


Terça-feira, 30 de outubro de 2012 - 17h07

Engenheiro agrônomo formado pela ESALQ-USP 1976. Consultor - Tecfértil - Vinhedo-SP.


O desempenho do mercado de fertilizantes continua bastante favorável até o mês de setembro que também teve um grande volume entregue, sendo superado apenas pelo mês anterior que contou com maior número de dias úteis. O total acumulado no ano apresenta um aumento de 4,1% em relação ao ano anterior e os números podem ser conferidos no quadro a seguir.



Observando o quadro acima, podemos verificar que a capacidade instalada e os recursos de logística alcançam um potencial de entregas mensais próximos a 3,5 milhões de toneladas e a indústria de fertilizantes no país tem sido capaz de atender a forte demanda do insumo.


Para os meses restantes do ano poderemos ter um arrefecimento nas entregas mensais por conta da redução no plantio de milho na primeira safra e também do plantio de algodão, culturas que contribuíam fortemente com a demanda nos meses finais do ano, principalmente devido à entrega de fertilizantes nitrogenados para a adubação de cobertura destas culturas.


O gráfico a seguir mostra o comportamento das entregas mensais, onde podemos verificar a diminuição característica das entregas principalmente nos 2 últimos meses do ano. 



O estado do Mato Grosso continua liderando o consumo. De janeiro a setembro, o volume entregue neste estado atingiu 4.098 mil toneladas, sendo seguido por São Paulo com 2.820 mil toneladas, Paraná com 2.648 e Rio Grande do Sul com 2.487 mil toneladas.


No gráfico a seguir podemos verificar que as entregas de fertilizantes em 2012 apresentam um comportamento similar ao ano de 2011, apresentando uma tendência de um pequeno acréscimo.



Importações e mercado internacional


A importação total de fertilizantes também segue próxima ao ano anterior e, somada com a produção nacional, mantém um elevado nível de estoque, suficiente para manter as entregas em outubro nos mesmos patamares dos meses anteriores.



É importante ressaltar que os fertilizantes mais consumidos para o plantio tiveram um ritmo de importações similar ao ano anterior, com algumas matérias-primas superando 90% da quantidade esperada para o total deste ano. Como pode ser visto no gráfico a seguir, as importações de nitrogenados é mais atrasada, mas seu comportamento é coerente com o histórico dos anos anteriores e com a demanda maior destes fertilizantes no final do ano.



Os preços médios das importações apresentaram variações pequenas para a maioria dos produtos, com algumas matérias-primas sinalizando uma direção de queda conforme os indicativos do comércio internacional.



Relações de troca


A manutenção dos preços pagos pela soja no mês de setembro garantiu também a manutenção da relação de troca nos baixos patamares que foi alcançado em 2012. Para os fertilizantes fosfatados, a relação de troca alcançada em 2012 é maior apenas que a relação de troca ocorrida em 2009, quando os preços dos fosfatados haviam despencado no mercado internacional. Observar as linhas verdes do gráfico a seguir. 



Também com relação ao cloreto de potássio a situação é a mais favorável nestes últimos 6 anos, apesar do esforço dos fornecedores na manutenção dos preços mais elevados de KCl. Considerando os preços alcançados pela soja no momento, a capacidade de compra é a mais favorável dos últimos anos.



Entretanto, esta situação favorável de troca não se mantém se considerarmos os preços esperados para os produtos agrícolas na colheita desta safra que está sendo plantada e certamente será um fator negativo para o consumo de fertilizantes no próximo ano.


Os preços dos fertilizantes praticados no mercado interno mostram-se estáveis, garantidos pelo pico demanda. Entretanto, os preços indicados no mercado internacional apresentam uma tendência de redução para os fosfatados e para o potássio, mas podemos esperar o início do recuo dos preços no mercado interno apenas quando a fase de plantio estiver superada. Confira as indicações de preços dos fertilizantes no mercado internacional nas tabelas a seguir.


Os fertilizantes nitrogenados apresentam variações semanais sem indicar uma direção certa de alta ou de baixa. Entretanto podemos esperar um período de aumento de preços no início do próximo ano diante do aumento da demanda para o plantio no hemisfério norte.



Os fertilizantes fosfatados estão com indicação de queda, não conseguindo se sustentar devido à fraca demanda mundial e que não deve ser pressionada mesmo para o plantio do hemisfério norte e por isso, as compras podem ser adiadas, mantendo-se apenas a aquisição de produtos para o uso no curto prazo.



A maior expectativa de queda é para os fertilizantes potássicos. Os preços são mantidos elevados pela forte organização dos produtores mundiais, mas a fraca demanda e perspectiva de diminuição das compras da China e da Índia atuam como uma onda que cobre um castelo de areia, desmanchando a forte estrutura montada pelos produtores que não tem como resistir e os preços já vem mostrando uma queda pequena nas últimas semanas como mostra o quadro a seguir.



No momento é mais evidente a força da China que vem se preparando há vários anos para enfrentar os fornecedores com aumento substancial da produção interna e garantindo o suprimento através de investimentos em empresas fora do país e que já são suficientes para atender 2/3 do consumo do país. Por outro lado, aumentou significativamente os seus estoques que ultrapassam 5 milhões de toneladas de KCl e assim podem até deixar de efetuar novas compras dos grandes fornecedores se os preços não recuarem, sinalizando que só voltará a comprar se os contratos que atualmente fixam o preço em US$470,00 não recuarem para US$350,00/t. Sem a China e sem a Índia, a demanda despenca e mesmo o fechamento de unidades produtoras do grupo de empresas controladas pela Canpotex e BCP não deve ser capaz de segurar os preços e além disso, estas empresas ainda devem amargar uma significativa perda de vendas e com isso redução nos lucros como já demonstram os resultados financeiros do último trimestre.


Considerando que o mercado interno está bem abastecido, as compras devem ser adiadas para esperar uma definição melhor dos novos patamares de preço para os fertilizantes potássicos pelos quais o Brasil vem pagando muito mais que os outros grandes compradores mundiais.


Fatos e Dados


Não há bom negócio que sempre dure!


Nenhum negócio permanece muito bom por muito tempo por um motivo muito simples: bons negócios atraem mais interessados no negócio e assim, a maior disponibilidade se encarrega de oferecer uma maior competição entre os agentes do mercado que precisam então reduzir preços e custos. Essa é uma certeza que vai acontecer com o mercado de soja e milho que ainda se caracterizam por serem commodities e os mercados do mundo inteiro estão interligados.


Outro fator para se alcançar o equilíbrio e a competição total nestes mercados é que preços altos demais desencorajam outras cadeias do negócio. Os produtores de frango e suínos ou mesmo de bovinos sentem na carne (desculpem o trocadilho) os aumentos de custos e se não conseguirem repassar estes aumentos ficarão no prejuízo, desestimulando a produção e consequentemente reduzindo a demanda dos grãos. Se conseguirem repassar o aumento dos custos, o consumo do produto é desestimulado e obriga a diminuição da produção, reduzindo o consumo de grãos. Enfim, o equilíbrio dos mercados se encarrega de ajustar as condições de preço e demanda.


Aparentemente o mercado se empolgou demais com os resultados da seca nos Estados Unidos, mas o fato é que comparativamente ao ano anterior, a quebra foi bem menor que a percepção dos estragos. Evidentemente que é mais visível a comparação da perda considerando a expectativa inicial de colheita, mas os mercados funcionam com o balanço da oferta e demanda e neste quadro, a situação não é crítica como um todo, resultando em um quadro apertado na relação estoque/consumo apenas nos Estados Unidos. Agora que a colheita já está em andamento e em ritmo rápido, embora ainda com muitas divergências nas estimativas do USDA e de diversos analistas, são apontadas quebras da ordem de 15% para o milho e de 6,5% para a soja comparativamente a safra de 2011 e nem por isso os agricultores americanos tiveram prejuízos, pois o que foi ou está sendo colhido é comercializado por preços bastante elevados e quem não colheu tem a cobertura securitária da safra. A diferença de produção entre 2012 e 2011 será superada na próxima safra, com fortes indícios de aumento significativo na oferta.


Como os mercados se ajustam, o interesse em participar do mercado com preços atrativos estimulará o plantio de soja e milho nos quatro cantos do mundo e, se tudo correr bem, em 2013 o quadro se inverte com uma oferta abundante de soja e milho. Vamos ver algumas previsões:


A próxima safra a ser plantada é a da América Latina e estão previstos aumentos significativos na área plantada, principalmente de soja, assim como em 2013 nos Estados Unidos:


- O Brasil aumenta significativamente a área plantada, com acréscimo entre 1,4 e 2,3 milhões de ha conforme previsão da Conab e a produção poderá atingir 81,4 milhões de toneladas.


- A Argentina aumenta 850 mil ha a área plantada com soja, sendo a produção estimada em 55 milhões de toneladas.


- O Paraguai aumenta a área plantada em 0,4 milhões de ha plantando 3,3 milhões e espera uma produção de 8,1 milhões de toneladas.


- Os Estados Unidos aumentam a área para 31,5 milhões de ha e a produção poderá atingir 90,8 milhões de toneladas com produtividade de 2,95 t/ha conforme previsto por alguns analistas.


O quadro a seguir apresenta um comparativo das mudanças previstas para estes países e mostra a forte recuperação na produção, com acréscimo de 24,1% sobre 2011/12 e 9,8% sobre 2010/11.



O resultado será um recuo nos preços praticados atualmente. É bom se preparar para isso e a receita é cortar custos, aumentar a eficiência e a gestão dos recursos.



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