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Scot Consultoria

Comida X Meio Ambiente: O ambientalismo radical encurralado


Terça-feira, 21 de agosto de 2012 - 16h58

Amazônida, engenheiro agrônomo geomensor, pós-graduado em Gestão Econômica do Meio Ambiente (mestrado) e Geoprocessamento (especialização).


A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) instou novamente o governo americano a suspender imediatamente a produção de biocombustível a partir de milho em função da seca que quebrou a safra agrícola daquele país. Em entrevista ao jornal Financial Times britânico, o secretário-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, classificou como um "prejuízo gigantesco" o processamento de cerca de 40% da safra nacional de milho em forma de bioetanol. Diante da alta dos preços dos alimentos, a suspensão da produção de biocombustível nos EUA reduziria a pressão sobre o mercado, permitindo a utilização de mais milho como alimento e ração animal, propôs.


Graziano acrescentou que a situação do abastecimento de gêneros alimentícios já é "delicada", podendo transformar-se rapidamente numa crise. Alguns países do grupo G20, entre eles França, Índia e China, já haviam expressado anteriormente preocupação quanto à política do bioetanol.


Diante de uma iminente crise alimentar global a primeira recomendação é reduzir a produção de bio combustível com o consequente efeito na elevação do uso de combustíveis fósseis.


Perigo global


A atual seca nos EUA é a pior das últimas cinco décadas. Segundo a Secretaria norte-americana de Agricultura (USDA), apenas 23% dos pés de milho ainda estão em estado bom ou excelente. Desde o princípio de junho, o preço do produto já subiu 40%. O órgão governamental calcula que a safra deste ano será 13% inferior à de 2011, com o volume mais baixo dos últimos seis anos.


 


A colheita de soja, por sua vez, deverá reduzir-se em 12%. No total, este ano as colheitas de cereais do país cairão 13%, alcançando seu recorde negativo em 17 anos, estima a secretaria norte-americana. Tais expectativas fomentam os temores de um encarecimento global dos alimentos.


Primeiros sinais


Em 2007 e 2008, a escalada acentuada dos preços do milho e trigo, entre outros, foram causa de fome e distúrbios sociais nos países pobres. Tendo em vista esses dados, a organização humanitária Oxfam adverte que a atual tendência poderá trazer consequências devastadoras para os mais carentes.


Dados divulgados pela FAO confirmam que uma espiral de preços já está em ação. Após três meses de recuo, em julho os preços dos alimentos subiram, em média, 6%, estando os cereais e o açúcar entre os mais afetados.


Há várias semanas, os preços de cereais e sementes oleaginosas sobem na Bolsa de Chicago, maior mercado para títulos financeiros sobre matérias primas. A tendência é atribuída, sobretudo, às condições meteorológicas: a onda de seca e calor nos EUA teria causado a valorização do milho em 23% em julho, enquanto os prognósticos de uma má safra na Rússia fizeram o trigo subir 19%.


A guerra do ambientalismo brasileiro contra o Agro


Enquanto o risco de uma crise mundial de alimentos cresce os ambientalistas no Brasil continuam atados ao seu hábito de combater a agricultura. Por diversas razões nossos ambientalistas gastam a maior parte do seu tempo combatendo a agricultura.


Boa parte dos nossos ambientalistas são egressos do comunismo. Gente que ficou órfã depois da queda do muro de Berlim e viram ambientalistas como Alfredo Siskis, Carlos Minc e Fernando Gabeira. São pessoas que vêm o Agro a partir do referencial teórico de Caio Prado Júnior e Celso Furtado, mas desatentos e indiferentes às profundas mudanças pelas quais o setor agrícola brasileiro passou no último meio século.


Além dessa turma de egressos da esquerda bocó, há os ongueiros profissionais. Gente que fez carreira vendendo no exterior a ameaça dos ruralistas contra a Amazônia e usou esse maniqueísmo para encher as burras de suas ONGs. Gente como Mario Mantovani, Paulo Adário, Maria Cecília Wey de Brito, Beto Veríssimo, Adriana Ramos, Marcio Santili, João Paulo Capobianco e por aí vai, são completamente dependentes da dicotomia Eco X Agro para manter seus salários milionários.


Além desses dois tipos principais há ainda os aproveitadores. Gente que viu no movimento ambiental uma forma de fazer carreira política como o Sarneyzinho, Ricardo Tripoli, Marina Silva, os Viana do Acre e segue. São pessoas que não podem contrariar seus amigos das ONGs. Caso contrário virariam personas non gratas e perderiam a demão de verde mantida pelas ONGs em suas carreiras políticas. Com pequenos sombreamentos entre os três grupos quase todo ambientalista se enquadram em uma das três categorias acima.


O beco sem saída


Nossos ambientalistas combatem o Agro ou por razões ideológicas, no caso dos egressos da esquerda, ou por razões venais no caso dos ongueiros de carreira. Os demais sustentam suas carreiras políticas no suporte das ONGs. É um beco sem saída. Nossos ambientalistas não sabem como existir sem o inimigo ruralista.


Nesse momento o mundo começa a acordar para o fato de que o Agro é peça chave para a sustentabilidade do planeta. As crises na produção de alimentos levaram a retrocessos deliberados na fronteira da conservação ambiental como no caso dos biocombustíveis, descrito acima. O ambientalismo radical brasileiro está estertorando.


Qual o pepel do setor rural nesse momento?


Depois de tudo o que passamos nas mãos de ecotalbãs como Marina Silva, Sarneyzinho, Minc, Capobianco, que se aproveitaram da opinião pública favorável para violentar o Agro, multando, embargando, arrancando plantações, expulsando produtores em nome do meio ambiente, seria natural que o setor tentasse, por assim dizer, se vingar dos ecólatras.


Quando digo me vingar me refiro a apenas apontar os erros que ecólatras cometeram nos últimos anos e tentar justificar através desses erros a manutenção de um comportamento desapegado em relação das restrições ambientais. Não é porque os ambientalistas brasileiros são um bando de canalhas que nós teremos o direito de dispor do ambiente de forma pouco responsável.


O Agro brasileiro está em condição de jogar o ambientalismo radical para o rodapé da história no capítulo da vergonha onde estão os fascistas, os eugenistas e outros idiotas.


Nossa agricultura tem o que mostrar em termo de compatibilização de produção com conservação ambiental. A técnica do plantio direto foi desenvolvida no Brasil, estamos batendo recordes sucessivos de produção agrícola concomitantes com recordes sucessivos de queda no desmatamento, a produtividade agrícola cresce mais no Brasil do que em qualquer outro grande produtor agrícola do mundo. Essas coisas precisam ser ditas, essas coisas precisam ser expostas à sociedade.


Não será uma batalha fácil


Os ambientalistas que vivem do maniqueísmo eco-agro lutarão para manter seus empregos, seus cargos públicos e seus altos salários. Eles gozam da confiança da mídia urbana, também ela impregnada de velhos rótulos mofados caiopraidanos e celsofurtadianos.


Mas a crise alimentar nos abre a oportunidade junto a essa imprensa urbana de questionar a atitude dos ecotalibãs. A crise fará com os jornalistas de tornem curiosos sobre como compatibilizar produção com preservação, curiosidade que hoje eles não têm.


Essas oportunidades precisam ser desesperadamente utilizadas. Será preciso ressaltar sempre a forma como o ambientalismo radical antagonizou o agro. Mas não apenas isso, será preciso expor os mujahidins do ambientalismo fundamentalista, mas sempre deixando uma porta aberta ao ambientalismo razoável.


Nós do setor rural podemos ajudar muito o meio ambiente e o meio ambiente pode nos ajudar muito. Teremos pela frente desafios tecnológicos duríssimos a transpor e uma parceria com um movimento ambiental sensato poderia ajudar bastante.


Mas isso só acontecerá quando a sociedade acordar para o fato de que o ambientalismo radical que se faz no Brasil não quer acordo com o Agro.


Minha opinião é de que nós estamos diante de um momento crucial. Estamos diante da oportunidade de acabar com os mujahidins do ambientalismo fundamentalista e sua guerra quase-santa contra o Agro e estabelecer sinergias gigantescas com o ambientalismo razoável que restará do pó.


Mas as lideranças do setor precisam perceber o momento e agir.



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