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Scot Consultoria

Soja – julho


Terça-feira, 14 de agosto de 2012 - 15h14

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA) é parte do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (DEAS) da Esalq/USP.


Até final do primeiro semestre de 2012, o mercado internacional de soja vinha sendo precificado pela expectativa de safra norte-americana bem maior frente à anterior. Esse cenário poderia ajudar a renovar os estoques de passagem mundiais e elevar a relação estoque/consumo, importante para não permitir reações expressivas de preços. Porém, em julho, o clima quente e seco prejudicou o desenvolvimento das lavouras nos Estados Unidos, confirmando o cenário observado em partes de junho. Mesmo assim, no Brasil os valores FOB de exportação e nas regiões do interior continuaram firmes e registrando novos patamares recordes.


Com o clima desfavorável, a cada semana os relatórios do USDA apontavam piora das condições das lavouras dos Estados Unidos. No final de julho, as principais regiões produtoras de soja até registraram um pouco de chuva, e as lavouras de soja são uma das poucas que ainda podem se favorecer. Mesmo assim, a situação é preocupante, visto que dados divulgados pelo USDA no dia 30 de julho sinalizaram que apenas 29% da safra soja norte-americana estava em condição boa a excelente, ante 31% na semana anterior.


Com isso, os preços internacionais da soja aproximaram-se dos recordes observados em 2008, enquanto os de farelo atingiram novos patamares recordes. No Brasil, os prêmios para aquisição do produto nacional em 2012 ficou acima de 2 dólares por bushel, favorecendo reações internas expressivas. Além disso, o avanço nos preços domésticos também se deu pela baixa disponibilidade de soja no país e pela forte demanda por farelo, o que levou os preços desse derivado a patamares recordes, em termos nominais.


Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o volume de soja brasileira embarcado em julho foi 10,5% maior que o de julho/11 e a receita, 22,2% superior. O preço médio da tonelada da soja embarcada em julho foi de US$ 544,77, o maior já recebido por um exportador brasileiro. Em 2012, os embarques somam 27,5 milhões de toneladas, 26% a mais que no mesmo período de 2011 e representando 83,4% do total embarcado durante todo o ano de 2011.


Quanto aos derivados, foram embarcadas 1,54 milhão de toneladas de farelo de soja, 30,5% superior ao volume de jul/11 e o maior desde 2006 para o mês, conforme indicam dados da Secex. O preço médio foi de US$457,17/t, também o maior da história. No ano, as exportações de farelo somam 8,6 milhões de toneladas, 3,6% acima do volume do mesmo período de 2011 e representando 60,1% do total exportado em todo o ano de 2011.


Já de óleo de soja, foram exportadas 152,4 mil toneladas, sendo 6,5% a menos que o volume de jul/11, ao preço médio de US$1.150,00/t, também 6,5% inferior ao de jul/11. Mesmo assim, no acumulado do ano, os embarques somam 1,1 milhão de toneladas, 18,4% a mais que o total do mesmo período de 2011, representando 71% do embarcado em todo o ano passado.


Na Bolsa de Chicago (CME/CBOT), o contrato Ago/12 finalizou a US$1.721,00/bushel (US$37,94/sc de 60 kg) no dia 31 de julho, valorização de 16,1% no mês. O farelo de soja com vencimento em Ago/12 fechou a US$544,70/tonelada curta (US$600,42/t), com alta de 26,8% no acumulado de julho. Para o óleo de soja, o contrato Ago/12 subiu 0,7% no mesmo período, finalizando a US$0,5255/lp (US$1.158,52).


Quanto aos prêmios no Brasil, o embarque da soja em grão em Ago/12 por Paranaguá foi cotado a 170 centavos de dólar por bushel para o comprador. Para o vendedor, o mesmo embarque finalizou a 190 centavos de dólar por bushel na segunda, 30. No mês anterior, o embarque da soja em grão em Ago/12 tinha sido cotado a 105 centavos de dólar por bushel para o vendedor e 130 centavos de dólar por bushel para o comprador no dia 29 de junho. Já o valor FOB do embarque Ago/12 por Paranaguá foi calculado em US$ 679,42/sc de 60kg  alta  de 16% no mês.


Entre os derivados, o embarque em Ago/12 do farelo de soja foi calculado em US$613,32 /t, forte alta de 28% no mês. Para o óleo de soja, o embarque em Ago/12 fechou a US$1.199,75/t, aumento de 4,1% no mesmo período.


No mercado interno, a queda de braço entre agentes ocasionou diferença de até 5 reais por saca entre os pedidos de vendedores e as ofertas de compradores. Entre os preços de balcão e disponível, a diferença passou de 15% no Paraná.


Porém, diante do bom avanço das negociações de soja e derivados, grande parte dos agentes brasileiros ficou fora de mercado no correr de julho. Os preços, no geral, foram nominais e, em algumas regiões, registraram quedas no acumulado do mês. A baixa disponibilidade de soja para negociação no físico, porém, deve manter as cotações firmes até a chegada da nova safra.


A baixa liquidez fez com que o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (produto transferido para armazéns do porto de Paranaguá) fosse arbitrado em praticamente toda a segunda quinzena de julho. Em moeda nacional, a elevação mensal foi de expressivos 15,5%, finalizando a R$84,34/saca de 60 kg no dia 31. Ao ser convertido para dólar (moeda prevista nos contratos futuros da BM&FBovespa), o Indicador ESALQ/BM&FBovespa fechou a US$41,20/sc de 60kg, avanço de 13,4% no acumulado do mês.


A média ponderada das regiões paranaenses, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ, registrou aumento de 17,7% no mesmo período, indo para R$81,78/sc de 60kg no mês.


Ao se considerar a média do conjunto de praças acompanhadas pelo Cepea, houve alta de 14,5% no mercado de balcão (ao produtor) no mês e de 17% no de lotes (negociações entre empresas).


Na BM&FBovespa, o vencimento Set/12 recuou 1,2% , fechando a US$40,25/sc de 60kg no dia 31 de julho. O contrato Maio/13 finalizou em US$30,70/sc, forte queda de 4,6% no acumulado do mês.


Na média das regiões acompanhadas pelo Cepea, os preços do farelo subiram 26,8% em julho. Para o óleo de soja, tomando-se como referência as cotações do produto posto na cidade de São Paulo com 12% de ICMS, os preços subiram 4,8% em julho, fechando a R$2.928,30 no dia 31.



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