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Scot Consultoria

Ultrassonografia para predição das características de carcaça bovina


Segunda-feira, 28 de novembro de 2011 - 10h36

por Ana Carolina Wider Marques

Zootecnista formada pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) e atua na avaliação de carcaças bovinas e ovinas por ultrassonografia em rebanhos de seleção e apartação de lotes de confinamento desde 2007, no Brasil e América Latina.


Como o peso por si só não determina adequadamente o valor de um animal produtor de carne, há uma busca por tecnologias e mensurações que indiquem com maior precisão a composição da carcaça. Nesse contexto a ultrassonografia para avaliação de carcaça consolidou-se como técnica viável, não invasiva, não destrutiva, acurada e de custo aceitável para esta função.

As características de carcaça apresentam herdabilidades moderadas a altas, indicando possibilidade de melhorias genéticas pela seleção de fenótipos superiores. Graças à crescente preocupação com o valor quantitativo e qualitativo da carcaça e à possibilidade de melhoramento genético dessas características, a ultrassonografia de carcaça já é utilizada com sucesso em programas de melhoramento genético de ovinos, bovinos, suínos, caprinos e aves.

As medidas de ultrassom possibilitam o conhecimento do nível de musculosidade, da gordura de acabamento e do grau de marmorização da carne através da mensuração no animal vivo da AOL (área de olho-de-lombo), EGS (espessura de gordura subcutânea) e MAR (marmoreio), respectivamente. Para tanto, faz-se a leitura da imagem, de um corte transversal do músculo longissimus dorsi (contra-filé), tomada na região da 12ª - 13ª costelas, para AOL e EGS (Fig. 1), e a leitura da imagem com o transdutor disposto longitudinalmente entre a 11ª-13ª costelas, para MAR (Fig. 2).



As características de carcaça mensuradas por ultrassom são:

AOL (area de olho-de-lombo): dada em centímetros quadrados (cm²), é indicativo de musculosidade, rendimento de carcaça e ganho de peso.

EGS (espessura de gordura subcutânea): dada em milímetros (mm), é indicativo de precocidade de acabamento da carcaça. É necessária para proteção da carcaça durante resfriamento intenso das câmaras frigoríficas. A EGS é medida entre a 12ª e 13ª costelas, onde é o último sítio de deposição de gordura, sendo uma medida mais precisa da cobertura de gordura na carcaça inteira.

EGG ou EGP8 (espessura de gordura na garupa ou na picanha): dada em milímetros (mm), assim como a EGS é indicativo de precocidade de acabamento da carcaça. É medida na garupa/picanha, e não indica a cobertura completa da carcaça.

MAR (marmoreio ou gordura intramuscular): dado em escore e em porcentagem de lipídeos, é responsável por suculência e sabor da carne, principalmente quando consumida na forma grelhada. É fundamental para alguns mercados mais exigentes, que remuneram por esta qualidade.

Ratio (relação: altura x largura da AOL): é a relação entre a altura e largura do contra-filé (AOL), calculada para reduzir a influência de animais, que mesmo possuindo alto valor de AOL (cm²), não apresentam enchimento de carne na carcaça (Ex. Gado Holandês). É uma medida importante na predição da musculosidade do animal, mas ainda é exclusiva de algumas empresas.



Aplicações no Melhoramento Genético

A ultrassonografia na avaliação de carcaça é muito utilizada em testes de progênie substituindo os abates de animais selecionados e também na predição do potencial do individuo avaliado (conforme a descrição das medidas, citadas anteriormente).

Alguns programas de melhoramento genético no Brasil já utilizam essa tecnologia na composição de seus índices, e estamos caminhando para que esta avaliação se torne rotina na grande maioria dos rebanhos de seleção.
Para tanto, é necessária apenas uma avaliação na vida do animal, geralmente ao sobreano, mas felizmente a avaliação a desmama já é possível, assim antecipa-se um ano a tomada de decisão na seleção dos animais.



A possibilidade de avaliação das fêmeas e a oportunidade de se avaliar amostras maiores e mais representativas de reprodutores, dentro de uma população são outros importantes benefícios da inclusão de dados de carcaça por ultrassonografia nos programas de melhoramento genético.

O uso do ultrassom não substitui o peso vivo e as avaliações visuais dos programas de melhoramento genético. As medidas de ultrassom devem ser somadas as avaliações de rotina, dando maior segurança na predição do potencial genético do animal para as características de carcaça: musculosidade e rendimento de carcaça (AOL), precocidade (EGS e EGG) e qualidade de carne (MAR).

Não é necessário que o criador participe de algum programa de melhoramento para utilizar as informações fornecidas pelo ultrassom. Por exemplo, quem faz “cria comercial” pode avaliar as fêmeas de reposição (no sobreano ou na desmama). Como as fêmeas são os animais que permanecem por mais tempo no rebanho, em aproximadamente cinco anos ele tem toda a sua base “mapeada” pra carcaça. Esta aplicação resultará na desmama de bezerros mais pesados, maior rendimento de carcaça ao abate, fêmeas mais precoces e/ou melhoria na qualidade da carne produzida. Tudo depende do foco do criador.

Apesar da importância dessas avaliações para as associações de raças e programas de melhoramento genético, o maior impacto do uso desta tecnologia está no aumento/melhoria da produção na fazenda, dentro da porteira.

Apartação de lotes de confinamento por ultrassonografia

Outra aplicação importante da ultrassonografia de carcaça é a apartação de lotes de confinamento, que já é utilizada em larga escala no Brasil com excelentes resultados tanto na produção de carcaças e carne com qualidade superior, como também na redução de dias de confinamento e otimização dos custos inerentes a produção de carne.

A avaliação é feita na entrada dos animais no confinamento, é individual e o aparte dos animais é feito na hora, ou seja, do tronco de contenção onde é feita a avaliação os animais já saem apartados em até quatro lotes.

As vantagens do uso desta tecnologia no confinamento são:

1. Redução de custos (diárias de alimentação);
2. Padronização de carcaças (uniformização de Lotes);
3. Eliminação do “boi ladrão” (antieconômicos);
4. Programação de abates;
5. Formação de lotes de qualidade de carne (marmoreio).

O produtor define o modelo de carcaça que pretende produzir com os animais em confinamento, através das características: peso final (média, mínimo e máximo), rendimento de carcaça esperado (RC%), grau de acabamento e o ganho de peso médio diário (GPMD), de acordo com a dieta fornecida.

Com base no peso e nas avaliações de carcaça por ultrassom (AOL, AOL/100, RATIO e EGS) os animais são apartados em quatro lotes e é dada a predição de dias que cada lote e cada animal deverão ficar confinados. Assim, há uma programação dos abates segura, garantindo que na data prevista os animais estarão prontos para o abate (peso, RC% e acabamento estipulado pelo produtor).



É possível identificar os animais de melhor resposta, que precisam de menos tempo em confinamento gerando, assim, uma redução de custos com diárias. Esta redução de custos, geralmente, paga o serviço de ultrassom e ainda promove uma economia que pode ultrapassar R$20,00 por cabeça. Estes valores variam muito, já que a redução de dias depende muito do sistema de produção e da genética dos animais. Geralmente quando a redução de dias não é expressiva a vantagem econômica se dá no aumento do rendimento de carcaça.

Outra grande vantagem é a identificação do boi-ladrão que é confinado pelo mesmo tempo que os demais, mas não ganha peso e não rende no gancho, este tipo de animal custa muito caro para o confinador e podem ser destinados a outro sistema de produção, por exemplo, assim o impacto na redução de custos é ainda maior.

Também é feita a avaliação de marmoreio, identificando os indivíduos com potencial para produzir carne de qualidade superior (tipo choice ou prime na classificação americana) e utilizá-los na produção de cortes especiais diferenciados (marcas de carne / steakhouses).

Em resumo, a apartação tradicional (peso e escore visual) apresenta variações no ganho de peso e no rendimento de carcaça dos animais, já na apartação por ultrassom os animais são agrupados de acordo com o potencial de resposta no confinamento, eliminando essa variação. Assim, no final do confinamento, todos os lotes apresentarão a mesma qualidade de carcaça (padronizadas), a diferença é o tempo que cada lote leva para atingir o objetivo em carcaça.



A base do trabalho de apartação é a mensuração precisa das características de carcaça, que combinadas as informações tradicionalmente conhecidas (peso vivo, GPMD, etc.) permitem a predição da resposta do indivíduo no sistema de confinamento.

Estrutura para execução do trabalho

Para execução do trabalho são necessários: tronco de contenção, balança e energia elétrica.

Utiliza-se óleo vegetal como condutor das ondas de ultrassom (substitui o gel, que é o condutor mais conhecido).



Também é importante atentar-se aos profissionais que serão contratados para execução do serviço.

Os técnicos devem ser certificados e credenciados a um laboratório de imagens também certificado, ambos pela UGC (Ultrasound Guidelines Council) - instituição americana que certifica os técnicos no Brasil. A influência do técnico é muito grande sobre as informações geradas neste tipo de avaliação.

Conclusão

De um modo geral, as informações ultrassonográficas poderão complementar as avaliações realizadas rotineiramente. Desta forma, ao serem agregadas mais informações sobre os animais, o processo de decisão do criador/produtor será, certamente, mais coerente, mais acurado, com reflexos positivos quanto ao atendimento dos objetivos dos sistemas de produção.

Diante dos benefícios em rebanhos de seleção e confinamento a aplicação da ultrassonografia de carcaça será um novo marco no processo de inovação tecnológica na pecuária de corte nacional.



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