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O fortalecimento da classe C


Sexta-feira, 11 de março de 2011 - 15h38

por Reinaldo Cafeo

Economista, especialista em engenharia econômica, mestre em comunicação com a dissertação “jornalismo econômico” e doutorando em economia.


Os números envolvendo a classe C brasileira são impressionantes. São mais de 90 milhões de brasileiros que pertencem a essa classe social e estão fazendo a diferença no consumo brasileiro. Com nível de renda entre R$1.500,00 e R$5.100,00 esses consumidores que já ampliaram seus gastos em computadores e eletrodomésticos e agora ampliam seus gastos em higiene e beleza. Creme facial observou crescimento no consumo na ordem de 161%; maquiagem crescimento de 67%, creme dental 34% e desodorante 28%. O período analisado foi de 2003 a 2010, sendo que a pesquisa foi realizada pelo instituto Data Popular. Empresas que investiram no segmento estão registrando resultados consideráveis. Evidentemente que essas empresas não apostaram somente no aumento da renda dos consumidores. Estabeleceram estratégias para conquistar estes clientes. Reduziram preços, treinaram equipe, entenderam os anseios dos consumidores e melhoram seus canais de distribuição. Como qualquer outro consumidor, estes emergentes da classe C, querem atenção e reconhecimento, e quando encontram estes atributos nas empresas vendedoras, fidelizam. Na prática não adianta atuar no mercado sem entender o que se passa na mente dos consumidores. Empresas vencedoras em qualquer segmento elaboram estudos, treinam suas equipes e se convencem do óbvio: o soberano consumidor precisa ser encantado. Este encantamento se dá por aquele que estabelece o primeiro contato com este consumidor: o funcionário que agora deve ganhar status de associado. O raciocínio é simples: quem traz receita para a empresa é este consumidor e ele precisa ser valorizado e quem o atende é o associado, ex-funcionário. Tenho observado que muitas empresas se voltam para o ambiente interno. Se perdem em reuniões intermináveis e ficam incomodados quando o “chato” do cliente os abordam. Tentam analisar as melhores estratégias de marketing, gastando verdadeiras fortunas na divulgação de suas marcas e produtos, e se esquecem do mais simples: atender bem seus consumidores, aquele “chato” que lhe garante o dinheiro para realização de seu lucro. O apetite da classe C é só um exemplo do tamanho do mercado a ser explorado. Neste particular não é possível aceitar que haja uma análise superficial, colocando inclusive culpa nesta classe social pelo aumento da inflação. Muitos preços caíram e se algum aumentou, foi por pura falta de estratégia das organizações empresariais. Chegou à vez daqueles que ficaram fora do mercado do consumo, portanto, aceitemos este fato, e que a condução da política econômica brasileira, caminhe no sentido de permitir a realização dos sonhos de consumo de milhões de brasileiros que passaram anos a fio chupando o dedo. A classe C está fortalecida e isso muito positivo para economia nacional, sendo de sinônimo de acessão social.



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