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O que é a Peste Suína Africana e como se espalha?


Quinta-feira, 25 de abril de 2019 - 05h55

Foto: pixabay.com


O que é a Peste Suína Africana?


A Peste Suína Africana (PSA) é uma doença viral de suínos altamente contagiosa.


Os sintomas mais comuns do vírus, na sua forma natural, são febre e perda de apetite. Outros sintomas incluem vômito, diarreia, dificuldade em respirar e ficar em pé.


Não há tratamento para a doença, algumas versões podem ter uma taxa de 100% de mortalidade em certas circunstâncias.


Não é a mesma coisa que gripe suína.


Como se espalha?


A PSA pode ser transmitida através de contato direto com animais infectados.


O javali foi identificado por alguns governos nacionais como um dos (vários) culpados pela disseminação da doença.


Porém, o vírus pode sobreviver durante vários meses em carne processada, e vários anos em carcaças congeladas, então os produtos de carne suína são uma preocupação especial em relação a transmissão entre fronteiras.


Acredita-se que a doença foi inicialmente disseminada através de produtos à base de suínos contaminados do leste da África para a Geórgia (Europa oriental).


Em meados de outubro de 2018, um pacote de produtos (salsichas) contaminados com o vírus foi confiscado em um aeroporto japonês de um viajante que chegava da China. De acordo com relatos, descobertas similares foram feitas na Coreia do Sul.


Figura 1.
Principais países afetados pelo vírus em 2018.
Fonte: The Guardian / Organização Mundial de Saúde Animal (OIE)


O que fazer quando detectar o vírus?


Os casos têm de ser reportados para as autoridades.


Na maioria dos países, isso acionará as medidas de quarentena e o abate do rebanho afetado. No entanto, há uma inquietação entre os especialistas de que existem alguns produtores (ou até mesmo países inteiros) que estão acobertando ou relatando a doença tardiamente.


Em maio de 2018, por exemplo, a Bielorrússia foi acusada de encobrir a doença em seu rebanho. O governo bielorrusso negou as acusações.


Humanos podem contrair a doença?


Humanos não contraem a Peste Suína Africana. No entanto, o chefe do serviço de epidemiologia da Rússia, o médico Gennady Onishchenko, fez um alerta de que a fisiologia dos suínos é semelhante à fisiologia humana, e que futuras mutações do vírus podem se tornar perigosas para os seres humanos também.


Por que as pessoas estão se preocupando agora?


Por muitos anos a Peste Suína Africana foi encontrada principalmente na África, embora tenha ocorrido um surto na Europa nos anos 50 e os europeus levaram algumas décadas para erradicar a doença.


Em 2007, porém, o vírus foi detectado na Geórgia, e apesar dos esforços coordenados, o vírus tem se espalhado rapidamente, inicialmente através da Europa Oriental e Rússia, e, recentemente, na Europa Ocidental, quando javalis na Bélgica apresentaram a doença.


O vírus já saltou para a China, lar de metade dos suínos do mundo, e parece estar se proliferando rapidamente. Entre agosto de 2018 (data da primeira notificação da doença na China) e outubro de 2018 (data da publicação original deste texto), houve 41 surtos relatados.


É possível que o vírus chegue à Grã-Bretanha ou aos Estados Unidos?


O governo do Reino Unido está monitorando a situação.


Zoe Davis, chefe da Associação Nacional de Suínos, disse que pode levar anos para que a doença chegue ao Reino Unido, mas ressalta que grandes saltos são possíveis.


No início de 2018, Zoe Davis disse “Eu passei algumas noites em claro após ver alguns caminhoneiros poloneses fazendo o seu jantar em um acostamento rodoviário. Os suínos se alimentam de qualquer coisa, e, nesse país, cerca de 40% dos porcos são criados ao ar livre. Se esses motoristas tivessem jogado suas sobras na cerca, as consequências poderiam ter sido desastrosas.”


Há uma grande preocupação nos Estados Unidos também, onde o mercado de exportação de suínos gera cerca de US$6,5 bilhões anualmente. As medidas de biossegurança estão sendo intensificadas e as autoridades do governo dos EUA estão elaborando um plano de resposta rápida.


Quais outros países também estão preocupados?


Governos nacionais em todo o mundo estão tomando precauções para proteger suas indústrias domésticas de suínos.


A Dinamarca está planejando construir um muro para manter os javalis fora de seu território por enquanto, e a França também está com planos de construir um muro na divisa com a Bélgica. A Alemanha afrouxou as leis de caça ao javali, como parte de seus planos para evitar a disseminação da doença.


Existe alguma vacina ou cura no horizonte?


O instituto Roslin está em busca de uma solução genética para tornar os suínos resistentes à doença. Uma coalizão internacional de cientistas está investigando com urgência a possibilidade de vacinas.


Qual a perspectiva de longo prazo?


A indústria de suínos certamente está extremamente preocupada com a doença.


Se for detectado em outro grande país produtor de carne suína, como Dinamarca, Alemanha, Espanha ou Estados Unidos, “a mortalidade dos animais será a menor das nossas preocupações”, segundo o especialista norte-americano Dennis DiPietre”.


A interrupção dos negócios e a redução do lucro (com a cessação da exportação) serão de grande magnitude. DiPietre teme que, dentro de um a dois anos, “nós seremos engolidos por uma pandemia mundial”.


Fonte: https://www.theguardian.com/environment/2018/oct/24/what-is-african-swine-fever-and-how-does-it-spread


Tradução de Felippe Reis, zootecnista e analista da Scot Consultoria.




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