Correção do solo, adubação e manejo podem elevar a produção por hectare, melhorar o uso da terra e acelerar o retorno do investimento.
Foto: Freepik
Por que investir na pastagem nas fases de alta da cotação da arroba do boi gordo?
Porque, nessa fase, cada arroba produzida por hectare vale mais. A correção do solo, a adubação e o manejo elevam a oferta de forragem, a capacidade de suporte, o ganho por área e o giro do sistema. A receita cresce. Isso pode melhorar a margem e encurtar o retorno do investimento.
Na comparação com o mesmo período do ano passado, as cotações do boi magro, do bezerro de ano, da novilha e da bezerra de ano subiram, respectivamente, 16,6%, 23,8%, 17,7% e 29,8%, segundo levantamento da Scot Consultoria.
Em relação ao mesmo período de 2020, a cotação do boi magro subiu 61,9%. Com isso, a reposição do rebanho ficou mais cara, o que reforça a necessidade de ganhos em produtividade por hectare via recuperação ou manutenção das pastagens (figura 1).
Figura 1.
Cotação semana a semana do boi magro, bezerro de ano, novilha e bezerra de ano, de março de 2020 a março de 2026, em reais por cabeça.
Fonte: Scot Consultoria.
E qual o potencial ganho em produtividade (@/ha) e em reais por hectare, considerando a adubação e correção de solo e melhoria no manejo?
Um estudo da Embrapa Pecuária Sudeste, publicado em 2025, mede esse potencial.
O trabalho avaliou novilhos Nelore em cinco sistemas de produção em pasto. Para esta comparação, interessam três cenários: pastagem degradada e sem manejo adequado (DP0); pastagem recuperada e intensificada, sem árvores e sem irrigação, com correção do solo, adubação e manejo (RP200); e pastagem também sem árvores e sem irrigação, mas com maior nível de intensificação (RP400). Os resultados representam a média de dois anos.
No sistema degradado, a lotação foi de 1,89 unidade animal por hectare, com ganho médio diário de 0,303 quilo por animal e produção de 120 quilos de carcaça por hectare ao ano, o equivalente a 8,00 arrobas por hectare ao ano.
No sistema intermediário, a lotação subiu para 2,56 unidades animais por hectare, o ganho médio diário foi de 0,621 quilo por animal e a produção alcançou 418 quilos de carcaça por hectare ao ano, ou 27,87 arrobas por hectare ao ano.
No sistema mais intensivo, a lotação foi de 3,90 unidades animais por hectare, com ganho médio diário de 0,619 quilo por animal e produção de 600 quilos de carcaça por hectare ao ano, o equivalente a 40,00 arrobas por hectare ao ano.
Considerando a cotação da arroba do boi gordo em R$346,50 em 27/03, em São Paulo, e desconsiderando os custos, a receita bruta potencial seria de R$2.772,00 por hectare ao ano no DP0, de R$ 9.656,96 no RP200 e de R$13.860,00 no RP400. Em relação ao primeiro sistema, a receita bruta potencial do segundo é 248,4% maior. No terceiro, é 400,0% maior.
Figura 2.
Lotação por tratamento, em unidades animais (UA), e receita bruta potencial.
Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste / Elaborado por Scot Consultoria.
O avanço não aparece só na receita. O estudo mostra melhora conjunta em lotação, desempenho individual e produção por área. O peso final de carcaça subiu de 218 quilos no DP0 para 299 quilos no RP200 e 290 quilos no RP400. O rendimento de carcaça passou de 49,7% no sistema degradado para 52,8% no RP200 e 51,5% no RP400. O dado mais importante, porém, é a produção por hectare.
Além do fator econômico, há ganhos ambientais. A intensidade de emissão por quilo de carcaça no sistema equivalente ao RP400 foi de 0,852, contra 1,006 no sistema degradado, no ciclo 1. No ciclo 2, foi de 0,692, contra 0,949. Isso representa redução de 15,3% no primeiro ciclo e de 27,1% no segundo. Em CO2 equivalente por quilo de carcaça, os percentuais são os mesmos.
Na conclusão, sistemas intensivos, de sequeiro ou irrigados, elevam a produtividade e a eficiência do uso da terra. Em termos práticos, isso significa produzir mais carne em menos área e em menos tempo.
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