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Scot Consultoria

Beef On Track: surge a primeira certificação global de carne bovina livre de desmatamento

Com exportações recordes e pressão por rastreabilidade, certificação do Imaflora cria níveis de verificação socioambiental para a pecuária e tenta abrir espaço em mercados mais exigentes.


Foto por: Freepik

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O Imaflora lançou em 21 de outubro de 2025, em São Paulo, o Beef on Track (BoT). A entidade define o BoT como a primeira certificação global para atestar carne bovina livre de desmatamento. O sistema fixa regras e prevê auditoria para reconhecer conformidade socioambiental na pecuária de corte.

O lançamento ocorre num momento de recordes. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 3,1 milhões de toneladas de carne bovina (fresca ou congelada) e faturou US$16,6 bilhões, segundo dados do MDIC/Secex.

A carne brasileira chegou a 177 destinos em 2025, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior. (Secex). No mesmo ano, o Ministério da Agricultura (MAPA) informou a abertura de 11 mercados para a carne bovina do país.

Custo competitivo e busca por prêmio

O Brasil combina escala e custo baixo. Em 20 de janeiro de 2026, a Scot Consultoria registrou a arroba brasileira em US$59,27, entre as mais baratas do mundo. 

O setor busca mercados mais exigentes, que pagam prêmios maiores. Um exemplo é o Japão, que marcou para março de 2026 uma auditoria sanitária em frigoríficos brasileiros, etapa do processo de abertura do mercado.

Como funciona a certificação?

O BoT foi desenhado em quatro níveis: Bronze, Prata, Ouro e Platinum. A diferença está no alcance da verificação e na régua ambiental.

No Bronze, a exigência foca a legalidade e cobre os fornecedores diretos. No Prata, além da legalidade, o sistema passa a exigir o critério de Livre de Desmatamento e Conversão (DCF) também para diretos.

No Ouro, a legalidade precisa alcançar a cadeia completa, o que inclui governança para lidar com fornecedores indiretos. No Platinum, o DCF vale para a cadeia completa.

O sistema prevê também regras de cadeia de custódia, para controlar volumes certificados ao longo da indústria. Entre os modelos citados estão segregação e balanço de massa, usados para evitar que carne comum seja vendida como certificada.

Por que a certificação ganhou peso agora?

A exigência por prova de origem cresce. Na China, importadores ligados à Tianjin Meat Association anunciaram compromisso de compra de 50 mil toneladas de carne bovina brasileira certificada como livre de desmatamento sob o BoT até junho de 2026.

Na União Europeia, a regra antidesmatamento (EUDR) foi ajustada e teve prazos postergados, mas segue pressionando cadeias exportadoras a organizar rastreabilidade e diligência sobre a origem.

O tema também dialoga com o cenário comercial UE–Mercosul. As negociações foram concluídas politicamente em dezembro de 2024, o acordo foi assinado em janeiro de 2026 e ainda depende de ratificação. O debate europeu mantém a sustentabilidade no centro das cobranças sobre produtos agropecuários.

O que muda para o Brasil?

O BoT tenta transformar uma exigência difusa em regra verificável. A lógica é simples: quem comprova origem e conformidade tem mais chance de acessar mercados duros e negociar preço melhor.

O ponto central é entender o nível do selo. Nem todo BoT significa, de imediato, “desmatamento zero na cadeia toda”. O sistema sobe a régua passo a passo, dos diretos para toda a cadeia e da legalidade para o DCF.

Se a demanda se confirmar, a certificação pode virar um atalho comercial. Ela organiza auditoria, facilita comunicação com compradores e reduz o risco reputacional em mercados que passaram a tratar desmatamento como barreira.

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