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Ciclo de crescimento das exportações está ameaçado

Ciclo de crescimento das exportações está ameaçado


Após expressivo crescimento das exportações de lácteos, fruto de investimentos no aumento da produção, qualidade de leite e ampliação do parque industrial, o setor passa por momento difícil, com queda na taxa de crescimento das exportações e ampliação das importações. As remessas ao exterior de produtos lácteos que passaram de US$ 7,5 milhões, em 1999, para US$ 130,1 milhões, em 2005, devem encerrar o ano com valores inferiores a US$ 150 milhões. Para o presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, “a valorização do real frustrou as perspectivas de exportações que poderiam chegar a US$ 300 milhões em condições mais favoráveis”. Nos últimos três meses, o leite condensado vem sustentando as exportações. Nesse período, dos US$ 36 milhões enviados ao exterior, US$ 19,9 foram de leite condensado, 55% do total. Os principais mercados foram a Venezuela, US$ 9,0 milhões e Angola, com US$ 4,3 milhões. Em contra-partida, o segmento de queijos é o que mais sofre com a atual política macroeconômica. De janeiro a agosto, as exportações reduziram de US$ 19,2 milhões em 2005, para US$ 15,5 milhões em 2006, decréscimo de 19,3%. Somente no mês de agosto, os US$ 1,8 milhões exportados corresponderam a uma queda de 56% em comparação com o mesmo período do ano passado. Nem mesmo a redução de mais de 27% no preço pago ao produtor, que contribuiu para viabilizar as exportações no segundo semestre de 2005, estão sendo suficientes para ampliar a competitividade dos lácteos no mercado externo. Além de reduzir a taxa de crescimento das exportações, a desvalorização do dólar poderá reestimular as importações, seguindo na contra mão dos investimentos que vem sendo realizados pelo setor, após o primeiro superávit da balança comercial de lácteos ocorrido em 2004. Somente no ano passado, estima-se que as indústrias e cooperativas tenham investido mais de R$ 350 milhões na ampliação e construção de novas fábricas com o objetivo de exportar. As importações de lácteos, que caíram substancialmente após a aplicação das medidas antidumping, estão 5% maiores em comparação aos oito primeiros meses de 2005. Entre os meses de janeiro a agosto do ano corrente, o Brasil importou US$ 93,5 milhões, contra US$ 88,8 milhões do mesmo período do ano passado. O principal produto da pauta de importação continua sendo o leite em pó, com aquisições de US$ 53,7 milhões. No entanto, o leite UHT teve um incremento de 391%, importações de US$ 2,5 milhões; queijos cresceram 43,6%, importações de US$ 10,7 milhões e; soro cresceu 23,4%, importações de US$ 24,3 milhões. A dificuldade do Governo Federal em encontrar um ponto de equilíbrio na relação real-dólar é o principal desafio na atual política de câmbio livre. As variações cambiais decorrentes dos acontecimentos da economia internacional (elevação da taxa de juros americana e entrada de recursos externos) e da economia nacional (ritmo de queda da taxa de juros e metas de inflação) são os principais motivos de incertezas sobre o futuro das exportações de lácteos brasileiras. Como é pouco provável que a economia internacional venha se alterar bruscamente até o final deste ano, eventuais ajustes na política cambial deverão ser influenciados pela evolução dos indicadores internos do Brasil, principalmente, a taxa de juros. As ações para minimizar os impactos da política cambial têm sido muito tímidas. O governo lançou, em agosto, medidas paliativas que alteraram a legislação cambial. O ponto mais importante do pacote é a autorização para que parte dos dólares das exportações fique no exterior para pagar obrigações, reduzindo dívidas das empresas. Para Alvim, essas medidas são inexpressivas para o setor lácteo, é necessário uma redução substancial da taxa de juros e adoção de medidas de apoio a comercialização para evitar as quedas sistemáticas dos preços pagos aos produtores, a exemplo do que ocorreu no segundo semestre de 2005. Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) << Notícia Anterior Próxima Notícia >>
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