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Scot Consultoria

Boi gordo: sem euforia, mas preocupados


Sexta-feira, 20 de outubro de 2023 - 17h00


Os últimos dias foram mais agitados do que o normal no mercado financeiro. Questões fiscais nos EUA e as tensões no Oriente Médio foram os destaques do noticiário global.


O lado negativo disto é a aversão ao risco recente que trouxe o dólar rapidamente para patamares elevados e penalizou os ativos de renda variável como um todo. O lado positivo (se é que podemos dizer assim), é que boa parte dos economistas acreditam que esse patamar/quadro não é estrutural e sim transitório.


Este contexto mencionado acima colaborou para manter as commodities em um nível sustentado nos últimos dias, sejam elas agrícolas, como boi gordo e milho, em função do dólar mais forte, ou seja, pela principal commodity impactada com os conflitos, o petróleo. Vamos focar no nosso carro chefe aqui da Radar Investimentos, o boi gordo


Desde meados de setembro até outubro, vimos uma escalada de preços no mercado físico, em parte, uma recuperação após uma tentativa frustrada de comprar bovinos terminados em valores abaixo das referências e também influenciada pelo aumento do apetite exportador.


Essa euforia de reversão gerou uma competição por matéria-prima desde o final de setembro, na qual os preços de balcão saíram de R$205,00/@, à vista, para um pico recente de R$240,00/@, nas mesmas condições.


Este movimento fez o mercado futuro ir na frente, buscando patamares mais altos e abrindo uma janela de ágio do mercado futuro x físico para aquele pecuarista que não contava com proteções para os abates de out/23, nov/23 e dez/23 ficar mais protegido.


Olhando para o mercado físico, esse galeio de alta possibilitou uma saída de bovinos de cocho com preços menos pressionados do que havia sido visto em julho, agosto e setembro/23. Ou seja, favoreceu uma desova de confinamento mais concentrada entre meados e, possivelmente, até o final de outubro.


O que é relativamente natural para o período, dado que parte dos pecuaristas de alta tecnologia ou mais estruturados conseguiu cadenciar a venda destes bovinos nas últimas semanas. Isto porque as programações de abate das indústrias paulistas estão praticamente prontas para o final de out/23 e início de nov/23.


Mesmo com essa euforia do mercado físico já para trás, estamos curiosos (para não dizer preocupados) com relação a nov/23 e dez/23. Nesse intervalo, o consumo do mercado doméstico começa a ganhar tração com o recebimento do 13º salário e a melhora do consumo em função das festividades. Paralelamente a isso, o pessimismo comentado nos parágrafos anteriores entre julho, agosto e setembro, não incentivou a boiada de cocho para os meses finais de 2023.


Esse possível descasamento entre demanda e oferta merece atenção.


Tabela 1.
Mercado futuro do boi gordo na B3 - R$/@, à vista.

Fonte: Cepea/Esalq - B3



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