Depois de resistir bravamente frente a todo esse ambiente de instabilidade internacional, o mercado futuro de boi gordo na BM&F “sentiu o baque” e operou em forte queda durante a última semana.
Na manhã de 23 de outubro todos os contratos operavam em baixa, com out saindo a R$89,20/@ (-3,27% na semana), novembro a R$87,80/@ (-6,42% na semana) e dezembro a R$87,80/@ (-6,30% na semana).
AMBIENTE TURBULENTO
O ambiente externo é extremamente turbulento, com a crise tomando proporções cada vez maiores. Para se ter uma idéia da volatilidade a que os mercados financeiros estão submetidos, o contrato de novembro do dólar futuro, estava sendo negociado na manhã de 23 de outubro no limite de alta a R$2,53 e depois caiu até atingir o limite de baixa a R$2,24, ou seja, uma variação de R$0,29 numa única manhã!
Deve-se somar a todo esse ambiente turbulento as notícias de que importantes importadores estão forçando a renegociação de contratos já assumidos; notícias de que as negociações na feira de Sial em Paris foram muito ruins; desaquecimento da economia do mercado interno; maior direcionamento das vendas de bovinos prontos aos grandes frigoríficos, por medo de calotes dos menores.
Temos ainda o preço de milho e soja (principais custos da nossa proteína concorrente - o frango) em queda. Aí surge o cenário que fez com que os preços futuros de boi caíssem da forma como caíram.
Os recuos apresentados na bolsa refletem o sentimento e as expectativas do mercado em relação ao futuro dos preços. Esses sentimentos e expectativas estão mudando mais rapidamente do que o normal, pela quantidade de notícias ruins a que estamos sendo submetidos nos últimos dias.
OFERTA X DEMANDA
A equação de oferta x demanda no mercado físico não se altera com a velocidade que os ânimos se alteram nas bolsas.
Até agora o componente da escassez da oferta foi suficiente para sustentar preços acima de R$90,00/@ em São Paulo durante boa parte do ano. Resta saber se essa diminuição de oferta, que é incontestável, será suficiente para suplantar as dificuldades de escoamento da carne nos mercados internos e externos diante de um possível agravamento da crise mundial, que já chegou ao Brasil!
Um forte abraço e até a semana que vem!
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