No primeiro semestre do ano, abordamos algumas operações estruturadas envolvendo opções de compra e de venda que poderiam ser utilizadas por pecuaristas para a entressafra de 2007.
Dentre elas, a operação mais utilizada por pecuaristas foi aquela que é conhecida no jargão de mercado como “fence”, que consiste na compra de uma opção de venda e venda simultânea de uma opção de compra, onde o ideal seria fazer essas duas operações pagando e recebendo o mesmo valor em prêmio, o que resultaria em fluxo financeiro zero. Com essa operação o pecuarista consegue definir de antemão um preço mínimo e um preço máximo para sua operação.
Houve várias operações desse tipo na BM&F em 2007, todas concentradas no mês de outubro, que possui mais liquidez no mercado futuro e, portanto, possibilita também maior liquidez para as opções. Agora que o contrato de outubro já está na liquidação, gostaria de apresentar alguns resultados reais obtidos com a utilização de algumas dessas operações estruturadas.
Em julho, um pecuarista comprou a opção de venda de nível 60 do outubro pagando R$0,60/@ e vendeu a opção de compra de nível 65 recebendo R$0,60/@, ou seja, se o mercado caísse abaixo de 60 ele poderia exercer sua opção de venda e ficaria vendido a 60, definindo dessa forma um preço mínimo para a sua produção. Caso o mercado subisse acima de 65, ele seria exercido na opção de compra que ele vendeu, e dessa forma ficaria vendido a 65, tendo que pagar o ajuste do que o mercado subir acima disso.
RESULTADO
O resultado final da operação foi que ele vendeu os bois no mercado físico nessa semana a R$66,00/@, livre de funrural, a prazo. Foi exercido na opção de compra, ou seja, ficou vendido a 65 no mercado futuro e, como o contrato foi liquidado a R$66,00/@, ele teve que pagar R$1,00/@ em ajuste negativo. O resultado líquido da operação, incluindo físico e futuro, foi uma receita de R$65,00/@ livre de funrural a prazo.
No caso específico dessa operação, o desembolso realizado pelo pecuarista foi de R$1,00/@ e teria sido maior caso o contrato outubro subisse mais, lembrando que nesse caso, a venda dos bois no mercado físico também seria a um preço maior, trazendo o resultado líquido de volta aos R$65,00/@ definidos como teto quando a operação foi realizada.
Nesse exemplo específico, a operação teve valores de 60/65. Mas foram realizadas várias operações com níveis como 59/65, 61/65, 59/64, 58/64, onde o que variava eram os prêmios envolvidos e a época em que a operação foi realizada. Agora com essa alta generalizada do mercado físico e dos contratos futuros, as atenções já podem se voltar para o próximo ano, tanto para garantir uma reposição adequada, quanto para montar operações visando garantir a venda dos bois gordos.
Forte abraço e até a semana que vem!!!
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