O crescimento do volume de contratos agrícolas negociados é “gigantesco”. O grande destaque fica por conta do aumento do volume de contratos de soja e de boi gordo. O crescimento do mercado futuro de boi gordo é vertiginoso, mais liquidez atrai mais participantes no mercado, que por sua vez geram ainda mais liquidez, criando um círculo virtuoso muito saudável para o mercado como um todo.
Acompanhe na tabela abaixo o aumento do número de contratos de boi gordo negociados na BM&F:

Na somatória dos volumes acumulados de janeiro a abril, o aumento foi da ordem de 115% em relação ao mesmo período de 2006, ou seja, o número de contratos negociados mais que dobrou no período.
Outro valor que chama bastante a atenção é a concentração das negociações do contrato de outubro. Hoje existem 13.082 posições em aberto em outubro, representando 44,6% do total de contratos em aberto. Exatamente um ano atrás, no dia 24 de maio de 2007, existiam 6.016 contratos de outubro, o equivalente a 36% do total de 16.606 contratos em aberto.
Hoje existem 13.082 posições em aberto em outubro, representando 44,6% do total de contratos em aberto.
Do total de contratos negociados é impossível precisar exatamente o montante existente em posições puramente especulativas, mas podemos inferir essa informação através das posições compradas por pessoa física (posições com forte viés especulativo). Em 24 de maio de 2006, pessoas físicas tinham uma posição comprada de 8.325 lotes, ou 50,1% do total das 16.606 posições em aberto. Hoje as posições compradas de pessoa física equivalem a 12.180 lotes, o que representa 41% do total de 29.282 em aberto.
Se considerarmos a hipótese de que a posição especulativa percentualmente diminuiu, logo inferimos que as posições de
hedge (tanto de compra quanto de venda) aumentaram bastante, ou seja, muitos participantes já estão montando posições para a entressafra. Independentemente do viés das posições em aberto (se especulativas ou não), esse enorme aumento denota que a ferramenta de proteção de preços está cada vez mais sendo usada pelos participantes da cadeia produtiva da carne bovina. Portanto, quem decidir enfrentar essa entressafra sem nenhuma estratégia de proteção de preços, irá enfrentar um grande risco, vide o que aconteceu em final de outubro e novembro do ano passado.
Um forte abraço e até a semana que vem!!
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