por:Rodrigo Brolo
Sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005 - 15h00
O segredo para se ganhar dinheiro na atividade pecuária é comprar bem os animais de reposição.
O pecuarista tem pouco o que barganhar em termos de preço do sal mineral, de vacinas, etc. Também não tem muito como fugir do preço de venda no mercado físico. Porém, existe um instrumento de venda, ainda pouco conhecido. São as operações de venda de boi na Bolsa de Mercadorias & Futuros - BM&F.
COMO FUNCIONA
Para operar na BM&F é preciso se cadastrar em uma corretora membro, que é a única intermediadora de negócios no mercado futuro. Faz isso através de seus corretores, que ligam constantemente para os operadores de pregão, que dão ordens de compra e venda, confirmando imediatamente os negócios para os corretores, que em seguida informam os clientes.
O cadastro na corretora é similar ao cadastro em um banco. O cliente recebe um código, utilizado para fazer os negócios.
Feito o cadastro, o corretor explica ao cliente como está o mercado físico, o mercado futuro, os preços negociados e recomenda operações de compra ou de venda, prevalecendo a ordem do cliente.
No caso do pecuarista, que tem animais e deseja vendê-los futuramente, ele deve dar ordem para que seu corretor venda contratos futuros na BM&F para um determinado mês. A isso dá-se o nome de hedge de venda. Para finalizar a operação antes da data pré-determinada, ou mesmo no final do contrato, compra-se os contratos de volta, zerando a posição.
Um frigorífico, por exemplo, deveria sempre comprar contratos futuros na Bolsa, garantindo preço.
O mercado futuro foi concebido para diminuir riscos entre os agentes de mercado físico, fazendo com que o frigorífico compre a arroba no mercado futuro num preço interessante para ele e com que o pecuarista venda num preço aceitável para seu negócio.
O contrato padrão de negociação na Bolsa é de 330 arrobas, equivalente a 20 bois de 16,5@. Sendo assim, quando um pecuarista vende 1 contrato na Bolsa, ele está garantindo o preço de venda de 20 animais.
Os contratos futuros são negociados com base nos preços do Indicador Esalq/BM&F, formado pelos preços praticados diariamente em quatro regiões de São Paulo: Araçatuba, Bauru, Rio Preto e Presidente Prudente.
Exemplificando, o Indicador Esalq/BM&F de 23/02 ficou em R$59,36/@. Essa foi a média dos preços praticados em São Paulo neste dia.
Para operar na Bolsa, no caso do boi gordo, para cada contrato o investidor deve depositar R$900,00, que poderá ser em CDB, ações, etc., ou mesmo dinheiro. Esse valor é utilizado como garantia das operações.
Outra quantia financeira necessária para operar é destinada aos ajustes diários. Todos os dias tem negociação, para todos os meses, e o contratos ora sobem em um dia, ora caem em outro.
EXEMPLO
Se hoje alguém vende 1 contrato de boi para outubro a R$67,00/@ e amanhã ele sobe R$0,30/@ e fecha a R$67,30, esse investidor terá lançado na sua conta corrente um débito de R$0,30 x 330 arrobas, ou seja, R$99,00. Neste caso, esse crédito é transferido para quem comprou o contrato a R$67,00. A cada dia que o mercado futuro sobe, quem vendeu contratos tem um débito e quem comprou tem um crédito na conta pessoal da corretora. E vice-versa.
Existem negócios na Bolsa para todos os meses entre fevereiro deste ano e de 2006. Atualmente são negociados cerca de 900 contratos, ou 18 mil animais.
Outro exemplo. Uma operação de venda de contrato futuro para outubro/05 na Bolsa a R$67,00/@.
Depois do sobe e desce do mercado até outubro, vamos supor que o preço da arroba esteja em R$65,00. Neste caso, o pecuarista que vendeu a futuro a R$67,00 vende seus animais no mercado físico a R$65,00/@ e resgata os R$2,00/@ que ganhou na Bolsa, uma vez que no final do contrato, o futuro se iguala ao preço do mercado físico. Num cenário de alta, consideremos que o boi foi a R$69,00/@ no mercado físico. Neste caso o pecuarista vende seus animais a R$69,00/@ no físico e desembolsa R$2,00/@ na Bolsa. Na operação final ele vendeu seus animais em ambos os casos a R$67,00/@, que era o preço pretendido de início.
O investidor pode liquidar sua posição a qualquer momento. Se ele vender seus animais em agosto ou setembro, é recomendável que ele liquide sua posição na Bolsa. Se ele, em vez de vender em outubro, adiar a venda para novembro, é recomendável que, assim que o contrato de outubro acabar, ele venda novamente os contratos para novembro.
Quem utiliza a Bolsa para operações de hedge tem obtido boas rentabilidades. Em 2004, por exemplo, o boi chegou a R$72,00/@ em outubro e no físico a R$61,00/@. E neste ano o outubro já esteve a R$74,00/@ e agora está em R$67,00/@.
Para quem tem medo que o dólar suba e o boi mais ainda, é só o pecuarista se proteger comprando contratos futuros de dólar, ou mesmo liquidando sua posição de boi no mercado futuro a espera de preços mais altos para voltar a vender. Isso também vale para quem tem animais em engorda em outros Estados. Basta estudar o mercado com o corretor que as operações são estruturadas.