Preços estáveis para o couro verde, com viés de baixa.
No Brasil Central, por exemplo, está difícil conseguir R$2,25/kg pelo couro de primeira linha, como acontecia na semana passada. Os negócios orbitam a casa dos R$2,10/kg ou R$2,15/kg.
No Rio Grande do Sul, no mercado de primeira linha, os negócios chegam a R$2,80/kg ou R$2,90/kg. O couro catado é negociado entre R$2,30/kg e R$2,50/kg.
A pressão baixista ainda se faz presente, graças ao aumento na oferta de matéria-prima (principalmente no Brasil Central) e à frouxidão cambial.
Para tentar conter a crise do setor imobiliário e evitar problemas maiores, o Banco Central dos Estados Unidos (Fed) derrubou em meio ponto porcentual a taxa básica de juros local. Com isso os mercados se animaram, as Bolsas subiram e o dólar caiu.
No fechamento desta edição (quarta-feira, dia 19), o dólar comercial era negociado, no meio do dia, em R$1,86. Vale lembrar que no “estouro” da crise ele beirou os R$2,10.
Para os próximos dias, a tendência é que os preços do couro verde permaneçam estáveis. Qualquer alteração tende a ser negativa.
COURO X DÓLAR
Nunca é demais lembrar que o couro é uma commodity de exportação. Cerca de 80% da produção nacional é negociada no mercado internacional.
Por conta disso o câmbio exerce forte influência sobre a formação dos preços internos da matéria-prima (couro verde).
Com base nessa premissa, e na atual conjuntura cambial, vale a pena atualizar uma análise apresentada nessa coluna há algum tempo.
Acompanhe, na figura 1, as variações dos preços do couro verde e do dólar comercial. Veja que eles tendem, no longo prazo, a apresentar o mesmo comportamento.

No período de julho de 2001 a agosto de 2007, a correlação entre os preços do couro verde (Brasil Central) e da moeda norte-americana ficou em 0,82. A correlação determina a força do relacionamento entre duas variáveis. Ela indica até que ponto os valores de uma variável estão relacionados com os de outra, ou seja, se uma influencia o comportamento da outra.
Correlações acima de 0,7 são consideradas elevadas. Portanto, para os preços do couro verde seguirem um comportamento alheio à variação cambial, só mesmo se ocorrerem “extremos” de oferta e demanda.
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