Preços estáveis para o couro verde, mas com uma novidade para mexer um pouco com o mercado: a crise imobiliária dos Estados Unidos.
Grosso modo, os norte-americanos abusaram do crédito para a compra de casa própria e, com o aumento dos juros, deixaram de honrar os compromissos. As imobiliárias, por sua vez, deixaram de pagar os bancos, que repassaram o pepino para outros bancos. Dessa forma, a crise começou a afetar o mercado financeiro mundial, as Bolsas caíram e o câmbio reagiu.
Alguns curtumes brasileiros afirmam que já é possível sentir os reflexos do desaquecimento das vendas do setor moveleiro norte-americano, no rastro da queda das vendas de imóveis. O Brasil exporta couro acabado e
crust para a fabricação de estofados nos EUA. Também exporta wet blue para a China, que o transforma em acabado e envia para os EUA. Portanto, o cenário é, no mínimo, desconfortável.
Outros curtumes, porém, avaliam que não houve retração de demanda. Pelo contrário, apontam que tem aumentado o volume de consultas por parte de compradores asiáticos e que a agitação do mercado financeiro tem seu lado positivo, pois levou à desvalorização do real.
O problema é que ninguém arrisca um palpite sobre qual a duração da crise, muito menos sobre sua extensão. Se ela extrapolar o “mundo financeiro”, chegando ao “mundo real”, aí pode haver redução do crescimento da economia mundial, queda do poder aquisitivo da população e, conseqüentemente, retração dos preços de
commodities. Nesse bolo, entram os alimentos e o couro.
Serve de alento que não só o Brasil está mais preparado para enfrentar crises internacionais. Vários países, nos últimos anos, têm feito a lição de casa em termos econômicos, através de formação de reservas internacionais, superávit primário, etc. Entre eles, destacam-se a China, Índia e outros países da Ásia, que hoje ostentam economias sólidas e fortes. Elas podem até minimizar os impactos de um desaquecimento da economia norte-americana sobre a economia mundial.
De toda forma, os mais renomados economistas do Brasil e do mundo afirmam que é cedo para traçar qualquer prognóstico confiável sobre os efeitos da crise imobiliária dos Estados Unidos. Portanto, não vamos especular.
Mas vale a pena ficar atento ao mercado e aproveitar as oportunidades que as turbulências proporcionam. Por exemplo, quem achar que a crise é passageira, pode aproveitar o momento para um
hedge de câmbio.
Voltando ao mercado do couro verde, diante de tantas incertezas a tendência é que ele siga andando de lado.
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