Preços estáveis para o couro verde, tendência que deve se manter ao longo das próximas semanas. Reflexo da morosidade típica de virada de ano, com pouca pressão de compra e pouca pressão de venda.
Para 2007 o setor aponta, como grande fator de influência sobre os resultados comerciais, o câmbio. Se o real se mantiver exageradamente valorizado, os curtumes enfrentarão problemas, uma vez que a tendência é de oferta comedida ou de crescimento marginal na oferta de gado e derivados.
SEBO EM ALTA
A cotação do sebo bovino alcançou R$0,90/kg no Brasil Central, com demanda aquecida.
A produção de biodiesel responde por esse aumento na procura. O biocombustível se transformará, no curto prazo, no maior mercado para o sebo bovino, substituindo o setor de higiene e limpeza.
Os preços do sebo bovino, em São Paulo e Goiás, estão firmes desde janeiro. De lá para cá, com base nas médias mensais, a cotação do produto nesses dois Estados reagiu 59,1%. Veja a figura 1.
A título de comparação, o preço médio do couro verde no Brasil Central, no mesmo período, subiu “apenas” 8,2%, sendo que houve recuo entre setembro e dezembro.
Os preços do boi gordo, entre abril e dezembro de 2006, reagiram 8,4% em São Paulo e 5,0% em Goiás. Vale destacar que, para todos os cálculos, a média de dezembro foi fechada no dia 20, data do fechamento desta coluna.
O fato da cotação do sebo bovino estar mais alta no Brasil Central do que no Rio Grande do Sul, sendo que neste último os preços caíram recentemente, também é explicado pelo biodiesel. Pois no extremo sul do País ainda não tem quem use esse derivado bovino para a produção de biocombustíveis.
Vale lembrar que a obrigatoriedade da inclusão de biodiesel ao diesel, da ordem de 2%, começa a vigorar apenas em 2008. Mas já existem 14 usinas em operação.
Alguns frigoríficos, por exemplo, estão produzindo biodiesel à base de sebo para utilização em frota própria.
Um deles, que está entre os maiores do País, pretende colocar em operação, no ano que vem, uma usina com capacidade de produção de 100 milhões de litros/ano, o que deve dar cabo de toda sua produção de sebo, gerando, inclusive, necessidade de compra adicional de matérias-primas, seja sebo ou outras matérias-primas.
A tendência, portanto, é de mercado firme para o sebo bovino em 2007.