O ano de 2008 foi marcado por algumas “turbulências” no mercado da carne bovina, o que fez com que os preços registrassem variações significativas ao longo do período.
O EMBARGO EUROPEU
Em um primeiro momento, logo no início do ano, o embargo da União Européia à carne brasileira pegou o mercado de surpresa, já que o Brasil era o principal fornecedor de carne para o bloco.
O mercado europeu absorve cerca de 3% do abate brasileiro e 15,2% do total exportado pelo país, além de concentrar suas compras em carnes de primeira.
Com a queda das vendas para a Europa houve certa dificuldade de escoamento dos cortes de primeira, gerando estoque. Esse fato provocou a retração dos preços do traseiro (peça e cortes).
Por outro lado, a Rússia, como maior importadora de cortes dianteiros, continuava com demanda aquecida, favorecendo um aumento dos preços da carne de segunda no mercado interno.
A demanda interna, ao longo do primeiro semestre, se manteve em bons patamares graças ao aumento do emprego e melhoria de renda. Or preços variavam apenas entre a primeira quinzena (em alta, graças ao pagamento dos salários) e a segunda quinzena (em baixa, pois os salários já haviam sido gastos) de cada mês.
Veja, portanto, que as exportações têm influência na formação dos preços domésticos da carne bovina. Elas funcionam como um “regulador” do mercado.
A CRISE ECONÔMICA E A RESTRIÇÃO RUSSA
A crise financeira, no terço final do ano, afetou o mercado mundial de carne bovina, principalmente a partir do último bimestre do ano.
A Rússia (que está em recessão), na condição de grande compradora de dianteiro do Brasil, reduziu as importações e, passou a renegociar preços e a exigir mais prazo de pagamento. Dessa forma, começou a “sobrar” dianteiro no mercado doméstico.
Por outro lado, a União Européia iniciou a liberação de fazendas brasileiras para exportar para o bloco.
Mediante o aumento de oferta de dianteiro no mercado interno, o preço despencou, chegando ao ponto de valer menos que a ponta de agulha, algo nunca visto.
Aliado a isso, a chegada do fim do ano aqueceu as vendas de carnes de primeira, mais um fator a favor da firmeza dos preços do traseiro e da frouxidão do mercado de dianteiro.
Nos últimos dias do ano, a diferença entre traseiro e dianteiro chegou a valores surpreendentes. Observe a figura 1.

O consumo de carne bovina em 2009 ainda é incerto. Será preciso acompanhar os impactos da crise sobre o poder de compra das pessoas. De toda forma, vale destacar que a pecuária de corte brasileira deverá ser uma das cadeias do agronegócio menos afetada pela crise.
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